uma caixinha de surpresas

uma caixinha de surpresas Aldir Blanc


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uma caixinha de surpresas





Não se fala de nenhum time aqui, grande ou pequeno. Só de dois garotos. Cigarrilha, alto, calmo, de família mais remediada, e Condensado, atarracado, cabelo espetado, sempre tenso. Um goleiro, um atacante. Vizinhos, numa dessas histórias que o subúrbio carioca tem o dom de montar e que o compositor Aldir Blanc teve o talento de contar.

A caixinha de surpresas do título, não resta dúvida, é o destino. É ele que vai juntar os dois no início, entediados com a mudança das respectivas famílias, no mesmo dia, para casas que dividem muro. É ele que vai juntá-los novamente no final, em lados opostos de um muro muito maior que aquele da infância. Blanc usa a bola pra quase falar de metafísica, dando olés consecutivos na chatice.

Não que seja uma surpresa total, sendo o letrista inigualável que é, Blanc exibe um controle do texto de escritor veterano. Mais que isso: inventa como se fosse um estreante cheio de fome, querendo marcar presença. Seu texto é ousado, a estrutura da história é surpreendente – dividida em dois tempos, com um intervalo cheio de retalhos das vidas dos dois garotos, como é a vida de todo mundo – e tudo em outras mãos (pés?) desmoronaria. Blanc sai invicto, sem um tropeço.

Blanc prova que é mestre de blefe e drible, esticando o realismo do livro até o máximo para, na última hora, sem aviso, estonteando, sair-se com uma solução do mais puro fantástico. Mágica de futebol.

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