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Eichmann em Jerusalém

Um relato sobre a banalidade do mal

Hannah Arendt
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Rafael 10/08/2014

Um homem banal
Em 1960 em Buenos Aires,um Comando Israelense sequestrou e embarcou em um avião de carga com destino a TEL-AVIV,Adolf Eichamann,um dos mais importantes funcionários encarregados da "solução final"(mandar os judeus para a câmara de gás.

Hannah Arendt:"Vi um sujeito que como ele mesmo disse nunca maltratou pessoalmente um judeu. Um eficiente funcionário que se serviu ao III Reich,poderia igualmente ter sido diligente,servidos de qualquer outro regime que lhe pagasse um salário,reconhecesse seus méritos,promovendo-o regularmente e ao fim da carreira,pagasse a merecida aposentadoria,numa palavra "Um homem banal".

Eichmann não pensava no que fazia,apenas cumpria ordens. A banalidade se manifesta sobretudo pela incapacidade de pensar,ele não refletia sobre o que fazia(mandar os judeus para a morte),era um cara banal.

Arendt apresenta a hipótese de que o mal talvez esteja intensamente relacionado a uma ausência de pensamento naquele que o pratica. Ela percebeu desde o começo que Eichmann seria condenado a morte,pela primeira vez desde o tempo dos romanos,os judeus poderiam julgar crimes praticados contra o seu própria povo.

Eichmann é descrito por um aluno medíocre em seus tempos de escola,e não conseguiu terminar os seus estudos,sem perspectiva de futuro,por isso quando teve a oportunidade de entrar para uma unidade da SS ficou muito contente. Primeira foi designado a reunir informações sobre a maçonaria,mas o trabalho não foi adiante.

Foram pensadas algumas alternativas para a questão judaica ,como a expulsão,a concentração e por fim a solução final(assassinato). Eichmann nesse período assistiu a morte de alguns judeus na câmara de gás e por fuzilamento,mas nunca abandonou o seu posto. Arendt nota que o exército nazista nunca ameaçou de morte alguém que tivesse se recusado a participar de tais eventos,por isso Eichmann não tinha do que se desculpar

O programa de extermínio dos judeus havia sido inspirado pelo projeto de Eutanásia de 1939 no qual cerca de 50 mil doentes mentais e outros inválidos nas câmaras de gás.

A história sobre o comportamento das diversas nações europeias e suas reações a ordem nazista de extraditar os judeus para os campos de extermínio revelam a grandeza de duas nações -Itália e Dinamarca. Nesses países a maioria da população conseguiu sobreviver e seus governos opuseram-se as ordens d Berlim.

Eichmann fez de seus atos o imperativo categórico de Kant,e particularmente seguindo a sua definição Kantiniana do dever,ao que a filosofia com sua arguta percepção rebate: "isso era aparentemente ultrajante,e também incompreensível,uma vez que a filosofia moral de Kant está inteiramente ligada a faculdade de juízo do homem, o que elimina a obediência cega",ele distorcera seu teor para: "aja como se o princípio de suas ações fosse o mesmo do legislador ou da legislação local,ou na formulaçao de Hans Frank para o imperativo categórico do III Reich,que Eichmann deve ter conhecido" "aja de tal modo que o Füher, se souber da suas atitudes,aprove".

Hannah Arendt criticou o fato das autoridades executivas e judiciárias de Israel revelarem a participação de uma pequena parcela dos próprios judeus no Holocausto,mediante a colaboração de Eichmann recebeu dos Conselhos Judaicos que eram famosos em cada região por membros influentes da comunidade para organizar o próprio extermínio.


Hannah Arendt ainda que concorde com a sentença condenatória do nazista,e reconheça parcialmente que o genocídio perpetrado por Hitler é um fato sem precedentes(pelo menos em números)que requereria um julgamento também sem precedentes(apesar de Nuremberg). Arendt faz crítica contundente á maneira como o processo foi conduzido,sobretudo quanto a sua fundamentação legal,ou seja,aquilo que ela chama de "inadequação dos conceitos jurídicos para lidar com os fatos criminosos que foram objetos desse julgamento"(p.315) e "inadequação do sistema legal dominante e dos conceitos jurídicos em uso para lidar com os fatos de massacres administrativos organizados pelo aparelho de estado"

Boa leitura!
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Braguinha 09/05/2013

Meio cansativo, somente indicado para quem gosta especificamente do assunto tratado (caça aos nazistas)
A leitura não flui com intenso prazer porque o livro se alonga além do necessário, além de misturar assuntos como a teoria filosófica da autora (a banalização do mal) e o julgamento do ex-SS Adolf Eichmann, capturado pelo Mossad (serviço secreto israelense) na Argentina. Só leia-o se você se interessar bastante por um desses temas (o que foi o meu caso).
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Felipe Pimenta 21/06/2012

A máquina burocrática do mal
A filósofa Hannah Arendt pôde acompanhar o julgamento de um dos mais famosos nazistas em Israel e analisa nessa obra o que viu e ouviu. Ela começa fazendo uma pequena biografia de Eichmann, e o descreve como um aluno medíocre em seus tempos de escola e que não conseguiu terminar os seus estudos, e estava destinado em um emprego sem perspectivas de futuro. Por causa disso, quando Eichmann teve a oportunidade de entrar para uma unidade da SS, ficou muito feliz. Primeiramente foi designado para reunir informações a respeito da maçonaria, mas o trabalho não foi adiante. Foi então mandado para a parte que cuidava dos assuntos judaicos. Passou então a estudar o sionismo e a manter contato com autoridades judaicas sionistas. Eichmann passou a admirar os sionistas porque os considerava idealistas, ao contrário dos assimilacionistas e dos judeus ortodoxos, a quem desprezava. Passou a trabalhar então no centro de emigração dos judeus austríacos, onde sentiu-se bem.

Foram pensadas algumas alternativas para a questão judaica, como a expulsão, a concentração e ,por fim, a solução final: assassinato. Eichmann nesse período assistiu à morte de alguns judeus na câmara de gás e por fuzilamento, mas nunca abandonou o seu posto. Arendt nota que o exército nazista nunca ameaçou de morte alguém que tivesse se recusado a participar de tais eventos, por causa disso, Eichmann não tinha como se desculpar. O programa de extermínio dos judeus havia sido inspirado pelo projeto de eutanásia de 1939, no qual cerca de 50 mil doentes mentais e outros inválidos haviam sido executados na câmara de gás. Na época, esse programa havia sido denunciado pelo arcebispo Von Galen. O programa foi então extinto, mas Von Galen infelizmente iria apoiar a invasão da Rússia pelos exércitos alemães, e isso iria custar a vida de 20 milhões de soviéticos.

Arendt escreve então sobre o pastor Heinrich Grüber, que foi convocado pelo tribunal e parecia ser uma grande testemunha para descrever a personalidade de Eichmann. O resultado foi decepcionante. A descrição do pastor Grüber sobre Eichmann foi errônea e mais, quando confrontado pelo tribunal se havia alertado o réu que suas atitudes( do réu) eram criminosas, disse que nunca o fez, porque considerava os atos como mais significativos do que as palavras. O próprio Eichmann negou que alguém em qualquer oportunidade tivesse dito para ele que o que ele fazia estava errado. Algumas páginas adiante, Eichmann disse que agia de acordo com a noção Kantiana de dever. Ou seja, aja como se sua vontade possa se tornar a lei universal. Arendt defende Kant, e o fato eram que Eichmann distorceu o argumento e considerou sempre que a vontade do Führer deveria ser a lei universal.

A história sobre o comportamento das diversas nações europeias e suas reações a ordem nazista de extraditar os judeus para os campos de extermínio revelam a grandeza de duas nações, segundo Arendt: a Dinamarca e a Itália. Nesses países a maioria da população judaica conseguiu sobreviver e seus governos opuseram-se às ordens de Berlim.

***

A tragédia que se abateu sobre os judeus, e o fato de que pela primeira vez desde o tempo dos romanos os judeus poderem julgar eles próprios crimes contra seu povo, e a visão de que aquele julgamento serviria como base para que crimes como esse nunca mais acontecessem, tudo isso esteve presente no julgamento de Eichmann. Arendt percebeu que ele seria condenado à morte desde o princípio. A grande tarefa do tribunal era como mostrar ao réu suas responsabilidades e não permitir que ele se defendesse alegando ser apenas uma peça em uma complicada máquina burocrática, além de ser um cidadão que respeitava as hierarquias e ordens de seu governo. No fim, o mais importante é como definir responsabilidades individuais em crimes cometidos pelo Estado. Foi isso que esteve em julgamento em Jerusalém.
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Débora Damieri 09/08/2010

Pensamento Hannah Eichmann
Cientista política germânica de origem judia, Hannah nascida em Linden, Hanôver, Alemanha, consagrada como um dos grandes nomes do pensamento político contemporâneo por seus estudos sobre os regimes totalitários e sua visão crítica da questão judaica. Doutorou-se em filosofia na Universidade de Heidelberg (1928) e, vítima do racismo anti-semita, fugiu para Paris (1933), onde trabalhou como assistente social atendendo a refugiados judeus. Estudou com Karl Jaspers e Martin Heidegger com a ocupação da França pelos nazistas partiu para os Estados Unidos (1941). Em Nova York foi diretora de pesquisas da Conferência sobre as Relações Judaicas, mas teve que esperar vários anos até retomar o trabalho universitário. Publicou Origins of Totalitarianism (1951), obra pela qual se tornou conhecida e respeitada nos meios intelectuais. Com Eichmann em Jerusalém (1963), suscitou muitas polêmicas ao denunciar o papel das lideranças judaicas no extermínio nazista da segunda guerra mundial. Outra obra famosa foi Between Past and Future (1961). Publicou Men in Dark Times (1968), enviuvou de Bluecher(1970) e morreu em New York (1970).
O livro Eichmann em Jerusalém, inicialmente parece ser um simples relato de do julgamento do mesmo de um líder do Nazismo, mas a autora relata muito mais que somente fatos ocorridos no local que estava sendo julgado, e no tempo que estava sendo julgado, descrevem praticas políticas, anti-ssemitista e diplomático que envolve o regime nazista, a própria Israel, e muito mais que somente o contado sobre judeus e alemães na segunda grande guerra.
A autora demonstra em vários pontos que não esta nesse ponto sendo julgados uma instituição, ou o nazismo em si, mas um homem, e atos que esse homem cometera, tendo assim plena consciência que o que fizera era assassinato de pessoas, e ele e não um senso comum deram as ordens de extermínio. E ele por estar participando ativamente do processo de matanças colocava assim sua contribuição pessoal e não de idéias comuns ao grupo.
Hannah Arendt descreve o fenômeno totalitário como uma forma de dominação própria da modernidade, baseada na organização burocrática das massas, na ideologia, na propaganda e no terror. Pôs em dúvida a responsabilidade de Eichmann pela morte de inumeráveis judeus, nem que ele deveria ser enforcado pelos seus crimes, embora suas idéias sobre a legitimidade do tribunal e a justificação da pena de morte fossem muito mais complexas do que as manifestadas na sala do júri.
Polemiza e discute o ser apropriado o julgamento em Jerusalém, e critica severamente os procedimentos no uso político (por parte das autoridades) e da idéia de vingança. Constata com sua observação do caso que Eichmann não era de modo nenhum louco, pois saia perfeitamente eu enviara à morte um numero imenso de pessoas, mas perdera completamente a capacidade entre distinguir entre bem e mal (ele ajudara a cometer um dos maiores malefícios aos judeus e agia como se não estivesse fazendo nada de mais). Apesar de seus crimes estava excessivamente calmo, e não falava nada mais que pequenas frases de pouco impacto. Aparentemente, ele não arrependimento nenhum, ou esta sendo inda manipulado por seu advogado de defesa.
Hannah acreditava que não fora somente os alemães os manipulados pelo regime nazista e pelas mãos de Eichmann, mas muitos judeus, vitimas de torturas da época, também encontrara submissão e aceitação. O crime que o acusado estava respondendo, não poderia ser contra uma etnia, mas um crime contra a humanidade, não se separando assim e excluindo seu povo do conjunto humanitário, e não os dividindo como o regime nazista fazia.
De qualquer forma, a partir do exemplo de Eichmann, demonstra-se que a propensão dos seres humanos a fazer parte de um grupo, a se identificar, aderindo impensadamente a idéias, opiniões e “deveres” pode levar ao cometimento de males inseparáveis. O pertencimento, ao exigir o alinhamento, só se realiza às custas do desrespeito, do ódio e da destruição do “diferente”. A adesão a opiniões da maioria ou de um grupo carrega consigo a possibilidade de matar. Convencido de que cumpria um dever, Eichmann retira aparentemente sua culpa dos fatos ocorridos e não entende conseqüências posteriores, nem a si posteriormente, seria essa a “banalidade do mal”, colocando o assassinato como algo corriqueiro e natural ao ser, um impulso que há na humanidade social. Assim Eichmann banaliza o mal, banalizando a morte, assim a autora se incomoda com a sentença final, pois é o que ela acredita ser algo que o próprio julgado desejava. Continuar a pensar e interrogar a si próprio, os atos, as normas, é a única condição para não ser tragado por esse mal.
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BruBertoche 04/05/2010

Um livro que detalha bem o julgamento de Eichmann e nos faz pensar em quantas foram as pessoas que trabalharam para o movimento nazista e que simplesmente achavam que estavam "fazendo o seu trabalho", sem pensar em nada além da burocracia.
É um livro um pouco arrastado, mas que vale a pena pelo relato histórico.
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