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    A Valsa dos Adeuses - Romance tcheco

    Milan Kundera

    Nova Fronteira
    1989
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 8520901514
    Português Brasileiro
    3.9
    583 avaliações
    Leram1078Lendo46Querem620Relendo1Abandonos18Resenhas42
    Favoritos27Desejados620Avaliaram583

    Em um pequeno balneário decadente, oito personagens se ligam de maneiras improváveis. Esterilidade, amor não correspondido, adultério, depressão, aborto: Kundera reúne neste romance todos os elementos que podem perturbar o amor. Pares se encontram e desencontram como se rodopiassem ao som de uma valsa. A música dá partida para o tema inicial do livro: a gravidez indesejada de uma jovem em contrapartida ao desejo de ser mãe que leva as mulheres até a estação de águas. Aos poucos, Milan Kundera nos apresenta a outros pares, a outros temas. E, através desses personagens, o autor levanta questões mais do que nunca atuais, como a ética dos processos de fertilização, a traição entre amigos, os limites da paixão, as armadilhas do ciúme, o despertar do erotismo, a necessidade de tomar as rédeas da própria vida ou morte. Aos poucos Kundera vai desmontando essa ciranda para montar um desfecho surpreendente e ousado.

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    Anica Bitten21/09/2010Resenhou um livro
    0

    A Valsa dos Adeuses (Milan Kundera)

    Poucos títulos conseguem dar conta de uma obra como acontece no romance A Valsa dos Adeuses, de Milan Kundera. A imagem da valsa é tão forte e representa tão bem o todo, que acompanha o leitor mesmo quando o livro acaba. Uma obra-cebola, cheia de camadas que você só vai percebendo a medida que vira as páginas. Nesse caso lembra muito algumas comédias de Shakespeare, que conseguia mesclar o cômico com o trágico de uma maneira ímpar. A história começa com Ruzena (uma enfermeira de casa de banho) entrando em contato com um famoso trompetista para avisá-lo que espera um filho dele. As implicações desse primeiro fato se desenvolvem de forma extremamente interessante, sobretudo se pensarmos na questão da relação das personagens e leitores. Não quero influenciar julgamentos (até porque essa é uma das diversões da obra), mas chegando pela metade do livro relembre quais foram seus sentimentos/reações para o que é contado no começo: qual personagem ganhou sua simpatia, qual mereceu a antipatia e por aí vai. Mas além disso, é curioso perceber como as outras personagens vão entrando aos poucos na história, como se o lugar onde se encontram fosse um grande salão e as personagens rodopiassem por ele, trocando de parceiros de dança de acordo com alguma canção imaginária. O livro é dividido em cinco capítulos (cinco dias), mas dentro desses temos pequenos subcapítulos, alguns extremamente curtos, quase que como um recorte de um momento da vida dessas personagens. Uma vez que A Insustentável Leveza do Ser é um dos meus livros favoritos, ficou difícil evitar uma comparação com A Valsa dos Adeuses - e alguns elementos estão de fato nos dois romances: a traição, o amor, o ódio, e especialmente a relação com a pátria embora em A Valsa dos Adeuses, publicado antes de A Insustentável Leveza do Ser, a menção à Tchecoslováquia comunista é extremamente mais sutil. Algumas personagens se assemelham também, como Klima (o trompetista) com Tomaz pelo menos na noção de amor e fidelidade que as duas personagens têm. Também tem bem menos digressões do narrador, mas apresenta a inovação de pequenos comentários sobre o livro em si, colocados entre parênteses, como se vê na página 151: (Nesse minuto, () são projetados no espaço do nosso relato como dois foguetes guiados a distância por um ciúme cego mas como a cegueira poderá guiar o que quer que seja?) Um ótimo romance, que sobreviveu ao tempo (já tem quase 40 anos) e surpreende não só pelo estilo, mas também pelo conteúdo. É certamente um daqueles que divertem e ao mesmo tempo são um exercício de leitura. Para quem ficou curioso, acabou de sair pela Companhia de Bolso a tradução a partir da edição francesa do livro (publicada originalmente em 1976).

    12 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 583
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas2%
    Milan Kundera profile picture

    Milan Kundera

    Milan Kundera é um autor tcheco. Nascido no seio da erudita família de classe-média do senhor Ludvik Kundera (1891-1971), um pupilo do compositor Leoš Janáček e um importante musicólogo e pianista, o cabeça da Academia Musical de Brno de 1948 à 1961. Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai. Posteriormente, ele também estudou musicologia. Influências e referências musicológicas podem ser encontradas através de sua obra, a ponto de poder-se encontrar notas em pauta durante o texto. O autor completou sua escola secundária em Brno, em 1948. Estudou literatura e estética na Faculdade de Artes da Universidade Charles mas, depois de dois períodos, transferiu-se para o curso de cinema da Academia de Artes Performáticas de Praga onde realizou suas primeiras leituras em produção de scrpits e direção cinematográfica. Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper seus estudos por razões políticas. Neste ano, ele e outro escritor tcheco - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista Tcheco por "atividades anti-partidárias". Trefulka descreveu o incidente em uma de suas novelas, Kundera usou o incidente como inspiração para o tema principal de seu romance A Brincadeira, de 1967. Em 1956, porém, Kundera foi readmitido no Partido Comunista. Em 1970, porém, foi novamente expulso. Kundera, assim como outros artistas tchecos como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga de 1968. O período de otimismo, como se sabe, foi destruído no agosto do mesmo ano pela invasão soviética com exercito do Pacto de Varsóvia à Tchecoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levante reformista frente ao totalitarismo comunista da União Soviética. Permaneceu neste intento até desistir definitivamente, no ano de 1975. Vive na França desde 1975, sendo cidadão francês desde 1980. Seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Em seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa de seu país, em 1968, quando foi exilado e teve sua obra proibida na então Tchecoslováquia. Entre outros prémios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985). Sua obra principal, "A Insustentável Leveza do Ser" ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direção de Philip Kaufman e com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial. Desde então Milan Kundera nunca mais autorizou a adaptação cinematográfica dos seus romances.

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    Milan Kundera