Faulkner certa vez afirmou: “o que a literatura faz é o mesmo que acender um fósforo no campo no meio da noite. Não ilumina quase nada, mas nos permite ver quanta escuridão existe ao redor”, e é deste modo que se apresenta a primeira obra do mineiro Joe Arthuso.
Assim como Albert Camus em seus trabalhos, Joe, através de seus poemas, traz a doença e a presença da morte como aquilo que exaspera no homem o desejo de viver e gozar da infinidade do mundo, através da aceitação da sua própria finitude. O que pode ser notado
em trechos como: “Quando menino, queria ser uma águia/ ver tudo de cima, contemplar o infinito”.
Embora tal afirmação possa parecer premeditada, desde já, ouso dizer que a sua poesia é um tipo de candelabro. Um grande castiçal com várias ramificações providas de focos luminosos nas extremidades que nos permitem notar a escuridão e a beleza que nos rodeia,
enquanto, de olhos abertos, não enxergamos.
Em seus versos claramente há chama, e o poeta parece queimar junto com os poemas que escreve. Proferida por uma espécie de pugilista que precisa explodir através de palavras, a escrita parte de Arthuso como uma forma de expurgo, no entanto, é até curioso a quantidade de vezes que me pego sorrindo ao ler os seus poemas. E não sorrio por haver humor em seus versos, embora em alguns momentos ele esteja presente, mas porque neles é possível perceber a poesia respirando e cumprindo o seu papel num tempo em que tudo parece conspirar para assassiná-la.
A poesia de Joe Arthuso é uma maneira de compartilhar, por meio das palavras, a solidão, a melancolia proveniente da vida urbana, e de enxergar, em meio a um mundo caótico, uma essência bela bestificada dentro de nós, como o faz perfeitamente quando escreve: “um canário de metal/ pousa no meu ombro, / eu vislumbro um oceano”.
Sua obra possui um aspecto visceral próprio e original que dificilmente permitirá que o leitor se mantenha indiferente durante a leitura. Aqui está a besta, pronta para ser libertada e trazer um pouco de pólvora para a bomba que há dentro de ti. Portanto, deixe que ela adentre a sua alma, percorra as suas entranhas, e se delicie enquanto isso.