Steph Gingrich perdeu a mãe e o lar em que vivia. Agora, precisa ir morar em outra cidade com o pai, o cara que ela só conversa por e-mail. Uma vida nova precisa ser criada, mas isso é extremamente difícil após a catástrofe que presenciou.
Mesmo assim, Steph está tentando se adaptar. Ela trabalha em uma cafeteria nerd e joga RPG com os novos amigos, tendo assim uma rotina habitual e calma, isso até Izzie entrar inesperadamente em sua vida. Steph é apenas uma nerd, enquanto Izzie canta em uma banda punk.
Esse encontro e um show de banda unem Steph e Izzie. A partir daí, a jornada para a fase adulta começará. Há a construção do primeiro relacionamento sério, a fase do experimentar algo novo, o momento para se autoconhecer e se auto encontrar. Contrapondo a isso, também existe o luto, os traumas e a solidão.
Tudo gera dúvidas, as atitudes não são pensadas, mas há um sonho ali: o sonho de pertencer a algum lugar, ou a alguém, ou, ainda, a qualquer coisa.
Steph não sabe bem o que quer e isso fica claro no seu novo relacionamento com Izzie, muito por conta das suas atitudes em relação a nova namorada, o que me deixou irritada por incontáveis vezes. Steph quer descobrir o que fazer e como se tornar uma adulta e para isso é aceitável que alguns erros aconteçam pelo caminho.
Mas, mesmo com esses momentos de irritação, confesso que adorei essa jornada ao lado de Steph. A leitura fluiu muito bem e às vezes (algumas várias vezes) eu até suspirei pelo romance. Eu torci por Steph e para que ela conseguisse construir um caminho próprio. Torci para que ela procurasse ajuda e soubesse conviver com o seu trauma.
Aliás, o livro é muito sobre isso: autodescoberta, sexualidade e traumas. Principalmente traumas. Sobre não conseguir se expor, não conseguir expurgar os demônios e não conseguir viver em paz consigo mesma. O trauma dela é tão palpável que quase sufoca a gente também. Entramos em um limbo intenso e sem fim, querendo apenas que a nossa querida Steph encontre a paz.
Por isso, acredito que o livro seja perfeito para quem já é fã da franquia Life is Strange, mas que a leitura também funciona muito bem para quem não conhece o universo, principalmente os mais jovens pelo teor dos temas. Há muita representatividade LGBTQIAPN+, sem ser forçado. Tudo é natural, como deveria ser. E os personagens são cativantes, fazendo assim com que sejamos inclusos no grupo, principalmente quando temos os mesmos gostos que eles.
Não é surpresa para ninguém que Life Is Strange seja o meu jogo preferido, por motivos gerais e pessoais também, então aproveito todas as oportunidades que tenho para ter contato com o universo expandido da franquia. Gostei muito do livro e desejo que mais histórias de personagens secundárias sejam exploradas.
Resenha completa no blog Sonhando Através de Palavras.