À Sombra do Jatobá

À Sombra do Jatobá R. C. Maschio


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À Sombra do Jatobá





À Sombra do Jatobá
Há livros e personagens que participam de muitos momentos de nossa vida, com
quem dialogamos em silêncio, compartilhamos alegrias, frustrações, medos,
ansiedades. E com quem, sobretudo, aprendemos. O que não é a escrita senão um
compartilhar de experiências deste amadurecimento contínuo de que é feita a vida?
Senão um exercício de alteridade, de humanidade?
O livro de RC Maschio volta cerca de 140 anos no tempo, exorcizando fantasmas que
insistimos em manter colados à nossa psiquê coletiva, mesmo que não mais sob um
Brasil Império. Mas sobre isso falaremos ao final.
É preciso falar antes que “À Sombra do Jatobá” bem poderia ser simplesmente
“Ercília”, a personagem que alinhava o desenvolvimento de toda trama, em sua
condição de escrava - sem direito a quase nada, sequer à vida em alguns momentos -,
mas que persiste em sua autonomia inviolável enquanto ser, convicções e valores.
Esse é o grande aprendizado que Ercília nos deixa, bem como àqueles que lhe estão
próximos na história, como as meninas Teodora e Cândida: A de que podemos
encontrar nosso equilíbrio mantendo-nos invioláveis enquanto alma, espírito, sujeito ou
qualquer outra designação que a filosofia, psicologia ou religião costuma designar para
a nossa individualidade. Isso nada tem a ver com o discurso contemporâneo da
“resiliência”, que tem fins outros que não nos cabe citar aqui. Tampouco tem a ver com
resignação ou passividade, mas sim, com sabedoria.
De outro modo, voltar a este Brasil Império nos possibilita, uma vez mais, resgatarmos
páginas negadas de nossa história por um tipo de pensamento raso e desonesto muito
acentuado nos dias de hoje, que procura livrar-se de muitas responsabilidades que
deveriam estar sobre os próprios ombros.  Difícil saber, nesse ambiente tão
conturbado e polarizado que o Brasil vive nos anos recentes, como será recebida a
história de Ercília e de suas meninas Teodora e Cândida. Mas um escritor não deve
buscar a aprovação, o sucesso, senão dar voz às suas inquietações, ele tira de dentro
de si aquilo que os não escritores não conseguem alcançar. É uma viagem interna, ao
mesmo tempo em que, nesta obra, uma volta ao tempo necessária ao País.

Rosali Figueiredo
Jornalista e editora

Drama / Ficção / História do Brasil / Literatura Brasileira / Romance

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on 22/4/20


O livro narra a história da escrava Ercília (Nanã), de Teodora e Cândida, filhas de coronel, que foram amamentadas por Nanã. Por meio delas temos acesso ao dia-a-dia de um engenho na Bahia na época da escravidão no Brasil. E vemos que os laços criados pelo leite podem ser muito fortes. A obra traz um grande apurado sobre o que era a escravidão, o sofrimento dos escravos, a incapacidade da maioria dos brancos de os enxergarem como pessoas, mas também traz à baila um pouco sobre como as... leia mais

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