Alisson no país das maravilhas é uma releitura bem crítica, social, carregada de referências e inovadora do clássico ‘’Alice no país das maravilhas’’. Alisson é uma estudando de ensino médio que, diferentemente da Alice, é pobre, negro e mora em uma área periférica e estava a caminho do seu colégio para realizar uma ocupação, até que um mico com um relógio de bolso rouba o smartphone do rapaz e desvia Alisson do seu caminho, fazendo ele entrar em um mundo cheio de fantasias e com um toque tupiniquim.
Lançado em 21 de julho de 2018, o livro é curto. Possui só 113 páginas e é bem possível lê-se em um dia com bastante foco e um tempinho extra. O maior problema encontrado durante a leitura se recai sobre o enredo e na construção da história, onde são as inúmeras referências que permeiam e atravessam a história. O texto e a própria jornada do nosso herói brasileiro ficam tão, mas tão, carregados de informações que até mesmo os olhos cansam de tentar acompanhar e fazer conexões com os acontecimentos da vida real, acontecimentos que passam pela vida de Alisson e acontecimentos fantasiosos dos livros. Em certas partes, o autor até erra a mão e exagera mais do que o prometido, o que causa uma bagunça generalizada no contexto, coesão e construção do enredo. Tirando esses fatos técnicos a história é envolvente, você ri e se diverte com os problemas e soluções que o jovem estudante encontra nas situações inusitadas, desde ao um tiroteio de pipoca ou até uma crítica a propriedade privada sendo usada como algo religioso.
Ao todo, o livro é bom mas exige paciência, consciência social, cultura e humor elevado para não levar tudo tão a sério.