Amphitryon -

    Ignacio Padilla

    Companhia das Letras
    2006
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-10: 8535907718
    Português Brasileiro

    O mexicano Ignacio Padilla iniciou a carreira atacando os clichês do realismo mágico. Buscava, segundo ele, romper não com a influência dos nomes do primeiro grande boom latino, como Gabriel García Márquez, mas sim com sua diluição por seguidores menos inspirados. Assim nasceram títulos como Amphitryon, que resiste a classificações de gênero e nacionalidade. Situado na Europa do século XX, com elementos das tramas policiais e de espionagem, mas um fundo de investigação filosófica sobre o indivíduo e a história, o livro começa com uma partida de xadrez a bordo de um trem, durante a Primeira Guerra, em que uma inusitada aposta é levada adiante. O vencedor assume o nome do adversário e seu posto como guarda-chaves na linha ferroviária; o perdedor deixa o conforto do cargo burocrático para ingressar, também com uma nova identidade, na sombria frente oriental do Exército austro-húngaro. O mistério que cerca esse pacto sinistro, com seus antecedentes obscuros e suas consequências pelas sete décadas seguintes, conduz uma trama em que nada é o que parece à primeira vista. Numa sucessão de relatos que se complementam e anulam, é descrita uma saga de equívocos e trapaças que resume as contradições políticas e morais de quase um século. Personagens reais e ficcionais se misturam num cenário que passa pelo caos nas trincheiras de 1914, o anti-semitismo na Áustria do entreguerras e a ascensão nazista. Os crimes do século XX estão insinuados em cada ato que praticam: da mentira sobre um braço amputado ao genocídio nas câmaras de gás, o autor mostra a gestação de um mundo de homens ocos, para quem os conceitos de certo e errado são apenas peças de um jogo. Não à toa, é a lógica do xadrez que rege os movimentos dos personagens, que manipulam o destino com a amoralidade "eficiente" de quem avança ou recua seus cavalos e bispos. Num círculo vicioso em que se alternam lances patéticos e o humor amargo dos desiludidos, todos são arrastados rumo ao que um dos narradores chama "anonimato da loucura". "Há aqui um poder de invenção e uma força imaginativa que distinguem Padilla como um escritor de talento excepcional. Ele é um romancista que consegue desarmar nosso senso de probabilidade e das normas de comportamento, e assim amplia nossa percepção das possibilidades humanas." – The New York Times Book Review

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    ToniBooks20/02/2023Resenhou um livro
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    Os gêmeos espaços vazios

    "Mesmo assinando meus livros com o meu nome verdadeiro, contínuo a escrever o que os outros querem que eu escreva". Essa fala de um dos narradores de "Amphitryon" (Thadeus Dreyer), acredito ser uma reprodução do pensamento de seu autor, Ignacio Padilla. De fato, o livro trata da manipulação ou - melhor dizendo- da construção arbitrária de nossas identidades. Ignacio deixa transparecer em sua escrita um realismo cru e talvez pervertido (ou revestido) pela essência existencialista, na qual, para cada escolha que tomamos, roubamos a alma de quem poderíamos ter sido.

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