As Crônicas de Ferro & Vapor

As Crônicas de Ferro & Vapor Tito Prates...


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As Crônicas de Ferro & Vapor


Uma antologia steampunk




No início, havia a escuridão. O grande mundo de Daria era um limbo fumegante e sem vida, coberto por vulcões e com os céus forrados de enxofre e um calor infernal. Não se sabe se foi a mão do suntuoso Kira, aquele-que-tudo-cria, ou alguma outra força cósmica indecifrável, mas aquele mundo demoníaco cedeu lugar à vida. Assim, em meio àquela paisagem tétrica, o Hades deu lugar à Mechania, o grande continente. Foi ali que as primeiras formas de vida se desenvolveram, e onde surgiram os primeiros hominídeos e seus brotos de civilizações. Os humanos evoluíram em uma raça forte e carrancuda, para suportar o ambiente opressivo a seu redor - no entanto, desenvolveram inteligência, e aos poucos foram criando cidades, povoados e estradas conectando a emergente civilização. É uma incógnita a razão do porque algumas raças desenvolveram-se notadamente, enquanto outras insistiram em permanecer retrógradas, ainda vivendo em sistemas primitivos.
O tempo e a história da grande Mechania haveria de enfim separar as raças arcaicas das mais avançadas, os ALFAS. Atualmente, eles vivem em um ambiente semelhante à era vitoriana, porém, graças a sua inteligência e grande habilidade, puderam desenvolver uma tecnologia baseada no vapor e óleo, assim possibilitando a criação de veículos, armamentos e também próteses mecânicas dos mais variados metais. Por isso hoje seus habitantes a batizaram de era do metal. No entanto, ainda existem povoados mais retrógrados que não absorveram este novo aprendizado e ainda permanecem em uma cultura semelhante à idade média, recolhendo-se em feudos e povoados considerados primitivos, pelos demais (por esta razão assim o são chamados todos os membros de sua raça).
A chamada grande revolução do Vapor deu início a uma corrida tecnológica entre as nações desenvolvidas de Mechania, possibilitando a criação de diversos meios de transporte, e claro, armas, pois a guerra caminha lado a lado com a mão humana. E houve guerras entre os alfas e suas cidades a vapor e as tribos primitivas, e graças à sua tecnologia puderam manter os povos chamados de “bárbaros” afastados e ergueram a chamada Grande barreira em torno de suas cidades de aço e bronze a fim de evitar futuras invasões. Esta foi a razão do porque estes povos acabaram isolados, e é muito raro o contato entre eles (apesar das não poucas tentativas de alguns grupos de mercenários primitivos de escalar o grande muro). Com o tempo, porém, ocorreu o contato com outros povos.
O conhecido cientista Emmerich Von Zucken embarcou em uma viagem às regiões ainda não mapeadas de Mechania em seu enorme zepelim movido a vapor, o Constantine. Por meio dele, ele entrou em contato com raças jamais imaginadas pela mente humana, como os orcs das montanhas, e os misteriosos senhores do leste (discorrerei sobre estas raças mais adiante, para não atrapalhar a narrativa). Foi também graças às descobertas do cientista que decaiu sobre Mechania a maior tragédia de que se tem notícia. Não satisfeito em catalogar todos os povos e lugarejos no continente conhecido, ele decidiu aventurar-se em direção às ilhas costeiras, algumas ainda habitadas por tribos canibais que ali viviam desde que aprenderam a arte de velejar e ali se estabeleceram, desde os primórdios dos primeiros povos.
Contudo, Emmerich descobriu uma ilha negra, alta e cheia de torres, cercada de névoa e repteis voadores. Sua última carta enviada à capital de Mechania, Kariel, dizia que criaturas gigantescas haviam danificado seu transporte e ele estava impossibilitado de retornar para casa. Ele dizia que faria o possível para reparar os danos do veículo, mas nunca mais se teve notícias dele. E foi assim que os terríveis elfos de Tyr souberam sobre Mechania e imediatamente cobiçaram nossas preciosas cidades. E eis que teve início a grande guerra.
E naquela infeliz manhã de quarta-feira de um mês de dezembro, eles chegaram, com seus leviatãs e frotas de dragões, a princípio devastando as populações costeiras e povoados inteiros das raças primitivas. Não se sabe como, mas os senhores do leste foram a primeira grande defesa contra a invasão. Um povo forjado na disciplina e nas diversas artes da luta, foi graças a eles que os rumores da invasão chegaram aos ouvidos dos comandantes do império do aço, e uma força foi então reunida, unindo humanos, alfas, primitivos, além dos orcs das montanhas e seus artefatos místicos. E após a grande batalha nas fronteiras a oeste das cidades de aço, os povos de Mechania conseguiram enfim sobrepujar os elfos malignos, mas a muito custo. As nuvens de gás tóxico que os invasores soltaram dizimaram muitos povos, e transformaram a grande floresta a oeste num imenso deserto, repleto de humanos contaminados pela radiação e vítimas de mutações horrendas (e por esta razão chamados de os bestiais). Por isso, raros são os aventureiros que se arriscam a ir por estas paragens.
Hoje, Mechania tenta se reerguer, desta vez, porém, com as raças unidas. Contudo, a oeste poucos sabem o que acontece nas terras devastadas, e histórias contadas à boca pequena relatam bandos de mercenários e assassinos (muitos provenientes das terras a oriente) contratados para invadir silenciosamente as moradias dos nobres e assim roubar seus bens e ceifar suas vidas sem que percebam. Segundo as lendas populares, eles vem da insidiosa Duvidnia, a cidade dos ladrões, e dentre eles um nome provoca os mais pesarosos calafrios e exaltações...
Da suja cidade-sucata de Korn, surge Raven, o assassino, ladrão e mercenário, impiedoso e audaz, com uma recompensa de dois mil dobrões por sua captura. Com seu inconfundível braço de cobre e o chapéu negro sobre a cabeça, Raven é para muitos uma lenda urbana, e o som de seu nome representa a morte para muitos.

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