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    As noites de flores -

    César Aira

    Nova Fronteira
    2006
    188 páginas
    6h 16m
    ISBN-10: 852091912X
    Português Brasileiro
    3.6
    61 avaliações
    Leram88Lendo7Querem81Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos4Desejados81Avaliaram61

    As noites de flores conta a história de Aldo e Rosita Peyró, um casal de meia-idade que, em meio à crise econômica que assombra a sociedade argentina, resolve entregar pizzas à noite no bairro de Flores. Além de despertar a curiosidade das pessoas pela idade pouco usual ao ofício, dominado por jovens motoboys, o casal também surpreende pela forma como faz as entregas: a pé. Sempre juntos, Aldo e Rosita descobrem durante as entregas um mundo novo, formado por figuras que talvez jamais pudessem conhecer no seu pacato dia-a-dia de aposentados de classe média: bêbados, travestis, prostitutas e outras figuras da noite.

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    jota 1129/10/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    NÃO GOSTEI MUITO dos ares da Buenos Aires noturna de Aira

    Das poucas coisas que li e gostei de César Aira, um escritor prolífico (tem mais de cem títulos publicados) foi mesmo um conto que tempos atrás especialistas em literatura de seu país, numa votação, escolheram como décimo lugar entre os cem melhores argentinos do século XX. Trata-se de Muchacha Punk (Garota Punk), que faz parte de Vinte Ficções Breves (Edições Unesco Brasil, 2002), uma antologia de histórias curtas de autores argentinos e brasileiros contemporâneos. É um conto sensacional, em que um Aira mais comportado (ou focado, digamos assim) nos leva a uma Londres que existiu nos anos 1970. Ou na cabeça dele, por apenas uma noite de um remoto dezembro. Depois apreciei Continuação de Ideias Diversas (editora Papéis Selvagens, 2017), um pequeno livro (92 páginas) em que inúmeros textos curtos, ocupando menos de meia página em média, que quase sempre eram divagações e digressões envolvendo literatura, embora alguns escritos também trouxessem ideias ou questões ligadas às artes em geral, especialmente cinema, pintura e escultura. Não apreciei tanto assim a terceira leitura ou meu segundo livro dele, Como me Tornei Freira seguido de A costureira e o vento (Rocco, 2013), que resumi afirmando ser a primeira uma história boa para vomitar e a segunda para alucinar. Se a Argentina tem ótimos escritores, e Aira é considerado um deles, também um bom futebol, por outro lado tem péssimos governantes, especialmente os de esquerda, que nos últimos anos passaram mais tempo no poder: são demagogos, populistas e por vezes flertam com ditaduras, no que os hermanos se parecem um tanto com nosso país. Quer dizer, a Argentina parece estar permanentemente em crise; a crise econômica é o pano de fundo de As Noites de Flores, publicado por lá em 2004 (e aqui em 2006 pela Nova Fronteira). Flores é um movimentado bairro residencial e comercial de Buenos Aires onde os personagens centrais do livro, o casal de idosos aposentados Aldo e Rosita Peyró, trabalha no período noturno para reforçar o orçamento doméstico fazendo entregas de pizza a pé, enquanto a maioria dessas entregas é feita por entregadores motorizados. Assim, os dois têm oportunidade de observar com os próprios olhos as consequências diretas da crise: crimes, famílias dormindo nas ruas, gangues de jovens praticando vandalismo, idosos e crianças abandonados, bêbados... Junte-se a isso uma situação extrema, a do sequestro e posterior assassinato de Jonathan, um jovem motoqueiro que trabalhava fazendo entregas com sua moto. Isso desencadeia uma série de reações entre os demais entregadores, os habitantes e comerciantes do bairro de Flores, da sociedade argentina. Até aí tudo bem, parece que estamos a ler uma história tradicional com início, meio e fim, e até nos esquecemos um pouco – para quem já leu o escritor argentino antes – que isso não é lá muito coisa da escrita de Aira, perguntar, por exemplo, quem sequestrou e matou Jonathan. Claro que não, porque de repente surgem na história “um convento de freiras viciadas em pizza, subterrâneos góticos, travestimentos, uma discussão sobre a arte como fraude, anarquia sexual em tom de fábula”, como destaca a editora brasileira da obra. Quer dizer, tudo muda de figura substancialmente: e esse é de volta o singular Aira que conhecíamos de outros carnavais. Esses capítulos finais, rocambolescos, me fizeram apreciar menos As Noites de Flores. Lido entre 20 e 28 de outubro de 2023.

    5 curtidas

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    3.6 / 61
    • 5 estrelas15%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas0%
    César Aira profile picture

    César Aira

    Nascido em 1949 em Coronel Pringles, uma cidade da província de Buenos Aires, em 1967 César Aira instala-se na porteño bairro de Flores. Ambos são espaços muito presentes em sua escritura. Aira também retorna frequentemente à Argentina do século XIX (por exemplo em A lebre, Um episódio na vida do pintor viajante e Ema, a cativa). Com frequência retorna regularmente a jogar com estereotipos de um exótico Oriente como em Uma novela chinesa, O volante, e O pequeno monge budista. É frequente a utilização de personagens de autor em suas novelas. Tal é o caso de O congresso de literatura, As curas milagrosas do Doutor Aira, Como me fiz freira, Como me ri, O cérebro musical ou Aniversário.

    66 Livros
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    Buenos Aires, Argentina

    César Aira