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    Balada de amor ao vento -

    Paulina Chiziane

    Editorial Caminho
    2003
    149 páginas
    4h 58m
    ISBN-13: 9789722115575
    Português
    3.8
    2359 avaliações
    Leram3778Lendo415Querem1878Relendo18Abandonos62Resenhas568
    Favoritos27Desejados1878Avaliaram2359

    Sarnau e Mwando protagonizam esta estória de amor. Da juventude à idade madura, com eles percorremos os dias, os meses, os anos, os encontros e os desencontros, a dolorosa separação, o desespero, o sofrimento e a alegria, as lágrimas e os sorrisos. Atravessamos cidades e aldeias, convivemos com a tradição, aprendemos os costumes e os hábitos de um povo. Sarnau vai crescendo e amadurecendo sob o nosso olhar. Impossível não admirar a coragem, a determinação, o orgulho e a humildade, a firmeza e o carácter desta mulher. E a sua fidelidade, mesmo nas circunstâncias mais adversas, ao amor. Ao seu primeiro e único amor. Mas haverá um reencontro? Serão Sarnau e Mwando capazes de apagar um tão longo e trágico passado? Existirá ainda para eles um futuro a partilhar? «Tu foste para mim vida, angústia, pesadelo. Cantei para ti baladas de amor ao vento. Eras para mim o mar e eu o teu sal. No abismo, não encontrei a tua mão.» Sarnau, tu que assim falaste a Mwando, chegarás a encontrar um pouco de paz? Voltarás a conseguir esboçar no rosto o teu lindo sorriso, há muito perdido no tempo? Abrirás enfim os braços para neles abrigares o amor? Ouvirás a melodia que o vento espalha no universo?

    Edições (3)

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    Resenhas (568)Ver mais
    Ana Sá picture
    Ana Sá19/08/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A semente de Niketche

    ATUALIZAÇÃO: acabei de ver que a Companhia das Letras está lançando uma edição massa deste livro! :) * "Balada de amor ao vento" (1990), romance de estreia da moçambicana Paulina Chiziane, anuncia com clareza a tríade que viria a marcar grande parte de sua obra: o ser mulher/ as relações de gênero, a poligamia e o colonialismo num Moçambique culturalmente diverso. Sarnau conhece Mwando ainda jovem. A partir de então eles viverão um romance de encontros e desencontros não só amorosos, mas culturais e religiosos. Sarnau, de início, vai nos mostrar como é ser a primeira esposa num regime poligâmico que segue os preceitos locais. Já Mwando, ao se casar com uma mulher que não corresponde ao comportamento feminino esperado e imposto socialmente, nos apresenta os questionamentos identitários de um homem que tenta se situar num casamento fundado no patriarcalismo cristão. O que vem depois disso é spoiler, mas adianto que, num caso ou noutro, a narradora adverte: "com a poligamia, com a monogamia ou mesmo solitária, a vida da mulher é sempre dura". No meio dessa sofrência, temos a escrita lírica de Chiziane, que neste livro, ainda mais do que em outros, retira das paisagens naturais de Moçambique inúmeras metáforas para falar da dor e da delícia de viver uma paixão intensa. Sabe aquela escrita amorosa composta por suspiros profundos na presença e por lamentações incessantes na ausência do ser amado? Então... Eu sei que há quem goste e há quem não goste desse estilo de escrita, mas o ponto é que já neste romance percebe-se a facilidade com que a autora desenha o interior dos personagens. Com Paulina, vemos, sentimos, cheiramos e tocamos os desejos e as angústias de suas protagonistas. Há quem se canse das lamúrias femininas que caracteriza sua obra, mas eu continuo a considerá-las, num todo, uma escolha acertada para revelar às leitoras a complexidade de mulheres que sofrem, sofrem, se submetem, se levantam, transgridem, sofrem de novo, se levantam de novo... Fragilidade e força caminhando lado a lado, de modo sutil. Minha crítica negativa, que me levou a descontar uma estrela da nota final, fica por conta dos saltos narrativos do romance. Quase no meio da leitura, eu cheguei a pensar que daria 3.5 de nota, entretanto, mais uma vez, Paulina me presenteou com um desfecho mais do que satisfatório. Eu continuo a recomendar o romance "Niketche" (2001) como porta de entrada para a obra da Paulina, mas vale a pena, depois disso, voltar no tempo e descobrir o caminho percorrido pela autora para chegar a seu romance mais aclamado.

    105 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 2359
    • 5 estrelas15%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas37%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas1%
    Paulina Chiziane profile picture

    Paulina Chiziane

    Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze, Moçambique, em 1955. Estudou Linguística na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo (capital do país), mas não concluiu o curso. Atualmente vive e trabalha na província de Zambézia. Ficcionista, publicou vários contos na imprensa portuguesa e moçambicana. Ganhou notoriedade e projeção em seu país ao publicar o primeiro romance moçambicano escrito por uma mulher, com o livro "Balada de Amor ao Vento" de 1990. Criadora de enredos impecáveis, Chiziane afirma: "Dizem que sou romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romance, mas eu afirmo: sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte." Venceu o prêmio Camões de 2021.

    16 Livros
    98 Seguidores
    Gaza, Moçambique

    Paulina Chiziane