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    Cidadã - uma lírica americana

    Claudia Rankine

    Edições Jabuticaba
    2020
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9786500090482
    Português Brasileiro
    4.6
    18 avaliações
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    Favoritos2Desejados46Avaliaram18

    Em Cidadã, Claudia Rankine investiga as relações raciais nos Estados Unidos de agora. Sua lírica americana, publicada originalmente em 2014, reflete sobre a dificuldade de existir em constante contraste com o fundo demasiadamente branco da supremacia racial. Gradações variadas de violência contra pessoas negras são exploradas; não sem, entretanto, indagar sobre a própria imaginação branca que as produz. Poesia, ensaio e arte visual são habilmente costurados por Rankine em seu livro mais premiado. "Você lida com coisas que não quer o tempo todo. No instante em que você ouve ou vê algum momento corriqueiro, todos os alvos na mira, todos os significados por trás dos instantes batendo em retirada, a se perderem de vista, tudo entra em foco. Espera aí, você ouviu, você disse, você viu, você fez isso? Então as vozes na sua cabeça dizem silenciosamente para você parar de se torturar porque não deveria ser uma ambição apenas conviver."

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    Berttoni Licarião28/01/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Leitura 05 de 2021 Cidadã [1986] Claudia Rankini (Jamaica) Jabuticaba, 2020, 184p. Trad. Stephanie Borges ‘Cidadã’, da jamaicana Claudia Rankini, traz como subtítulo “uma lírica americana”. Na acepção clássica, a lírica consiste na expressão de um estado de alma e difere de seus irmãos (o Drama e a Épica) porque *tende* a manifestar, com certa pretensão imediatista, a vivência de um Eu em seu encontro com o mundo. Ao aproximar o gênero do gentílico, Rankine marca a primeira subversão das muitas que seu texto irá propor, convidando a perceber esta lírica enquanto expressão de um grupo. E já na primeira página do primeiro capítulo, outra quebra significativa: o ensaio-poema-manifesto é escrito na segunda pessoa. You (que no inglês pode ser tanto “você” quanto “vocês”) é a voz lírica dominante. É importante notar nesse onipresente “you” a negação do que significa ser um corpo negro no mundo: sem subjetividade, sempre um coletivo, sempre um estereótipo, sempre uma massa amorfa, um outro distante do eu -- você -- injustificado e incompreensivelmente raivoso. Logo, perigoso e, vezes sem conta, desacreditado. O corpo negro, corpo-alvo da necropolítica e corpo-incômodo da branquitude conivente, se desdobra em vozes e experiências do racismo cotidiano, recreativo e assassino nesta lírica de um estado de exceção que fabrica não-pertencimentos. Uma cidadania que depende de comentários invalidantes como “Era só brincadeira”, “Eu ouvi o que acho que ouvi?” e “Você tem certeza?”, por ex. Um corpo que luta todos os dias contra o “peso da inexistência” e sabe que “Todas as nossas histórias febris não vão instilar descobertas, / Não tornarão um corpo consciente, / Não tornarão um corpo consciente, / Não farão aquele olhar / nos olhos dizerem sim, embora não exista nada / a resolver / mesmo quando cada momento é uma resposta”. Traduzido por Stephanie Borges, Cidadã é um amálgama de registros muito bem articulados (fotografias, roteiros de videoinstalações, capturas de frames, elegias, pinturas e peças de artes) sobre as técnicas diárias de entrincheiramento e anulação de culturas e indivíduos de cor nos EUA (mas sabemos como vale para o Brasil). Leitura que recomendo demais nesta edição primorosa da Jabuticaba.

    11 curtidas

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    Claudia Rankine

    Claudia Rankine nasceu na Jamaica, em 1963. Poeta, ensaísta e dramaturga, cultiva uma escrita híbrida entre prosa e poesia que discute o racismo na sociedade americana. Com <i>Citizen: an american lyric</i>, de 2014, venceu o National Book Critics Circle Award. Em 2016, recebeu a MacArthur Fellowship.

    10 Livros
    1 Seguidor

    Claudia Rankine