Cinzas Na Neve - Quando a voz de uma garota quebra o silêncio da história

    Ruta Sepetys

    Arqueiro
    2019
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788580419320
    Português Brasileiro

    PUBLICADO ORIGINALMENTE COMO A VIDA EM TONS DE CINZA. Lina Vilkas é uma lituana de 15 anos cheia de sonhos. Dotada de um incrível talento artístico, ela se prepara para estudar artes na capital. No entanto, a noite de 14 de junho de 1941 muda para sempre seus planos. Por toda a região do Báltico, a polícia secreta soviética está invadindo casas e deportando pessoas. Junto com a mãe e o irmão de 10 anos, Lina é jogada num trem, em condições desumanas, e levada para um gulag, na Sibéria. Lá, os deportados sofrem maus-tratos e trabalham arduamente para garantir uma ração ínfima de pão. Nada mais lhes resta, exceto o apoio mútuo e a esperança. E é isso que faz com que Lina insista em sua arte, usando seus desenhos para enviar mensagens codificadas ao pai, preso pelos soviéticos. Cinzas na neve conta a história de um povo que perdeu tudo, menos a dignidade, a esperança e o amor. Para construir os personagens de seu romance, Ruta Sepetys foi à Lituânia a fim de ouvir o relato de sobreviventes dos gulags durante o reinado de horror de Stalin.

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    Desirée Gusson10/04/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma mensagem comovente.

    Nunca li tantos davai! (russo para depressa) na minha vida e, no começo, até achei engraçado que a fonética se parecesse tanto com a resposta costumeira para a tradução: já vai! Fim da parte engraçada. Sério. Talvez vocês não saibam, mas eu tenho uma obsessão saudável pela Rússia, coisa leve só que não. Também me interesso bastante por história, particularmente Renascença e 2ª G.G. Ainda assim, o livro da Ruta Sepetys me surpreendeu muito. Sério mesmo. Eu sabia que Stalin tinha sido tudo, menos legal, e que tinha abusado de seu povo, como basicamente qualquer regime comunista. Mas não tinha uma dimensão real do estrago que foi, das barbaridades dispensadas sem segunda olhada. Como disse um dos personagens, Hitler e Stalin foram dois demônios que desejam governar o inferno. Estima-se que 20 milhões de pessoas sucumbiram nas mãos de Stalin, os países bálticos perderam um terço de sua população e mesmo aqueles que sobreviveram às inumanidades soviéticas, não podiam contar a absolutamente ninguém. Ou seriam mandados de volta para seus campos de trabalho forçado. Assim como o famoso A Menina que Roubava Livros, essa trama mostra uma parte frequentemente esquecida nas páginas dos livros de história e, se você gostou do livro de Markus Zusak, vai encontrar nesse a mesma escrita tocante e simples. Arrebatadora. Era arriscado carregar ou guardar nossa ração de quando Ivanov estava por perto. Ele adorava roubar nossa comida. Trezentos gramas. Era só o que recebíamos. Certa vez, eu o vi arrancar um pedaço de pão de uma velha. Ele o enfiou na boca. A mulher ficou olhando, sua boca vazia mastigando junto com a dele. Ele cuspiu o pão no pé dela. Ela se jogou no chão para pegar e comer cada pedaço. Também fui cética com a sinopse, mas ela estava completamente certa. O livro de Ruta Sepetys é uma mensagem de amor. Ele desperta reflexão, profunda comoção e mostrou o poder que a compaixão tem de manter as pessoas de pé, quando isso é a única coisa que elas tem. Acho que me precipitei ao criticar os novos ativistas, pessoas que se dizem filantrópicas por terem cedido 30 minutos de suas vidas para assistir um vídeo. Pelo menos agora elas sabem o que acontece lá fora. Tenho até medo de pensar no que ainda vamos descobrir. Por isso, leiam A Vida Em Tons de Cinza, pesquisem, contem a alguém, reflitam. Coisas como a história de Lina ainda acontecem e só se perpetuam porque grande parte do mundo não sabe. Quando me refiro a mundo, quero dizer a população e não apenas seus lideres. Só um exemplo: a Coreia do Norte. Não sabe do que eu estou falando? Experimentem colocar campos de concentração na Coréia do Norte no Google e tirem cinco minutos para ler as poucas noticias a respeito. Como os russos, os norte-coreanos ainda negam que tal coisa exista. Agora nós sabemos que os russos mentiram.

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