Os grandes romances que me perdoem, mas eu gosto mesmo é de um bom conto. Dar vida a personagens e criar uma historia interessante com começo, meio e fim em poucas páginas é um desafio. Precisa provocar curiosidade no inicio, e manter o ritmo até o fim, que deve ser fechado “com chave de ouro”. E foi analisando dessa forma que acabei dando duas notas para essa leitura, e vou explicar direitinho o motivo dessa classificação.
Todos os contos do livro são ambientados no planeta Prisma e narrados por crianças desse planeta. Pela sinopse, eu imaginei algo bem futurístico e problemas do tipo “fugir de um laboratório”, “chips implantados para dominar pessoas”, coisas assim, mas algumas historias são bem próximas do que vivemos aqui mesmo, no planeta Terra. Há muita fantasia, como no caso da criança raptada por uma bruxa, gato em tapete voador, criança raptada por monstro, pingente encantado... Mas também historias mais reais, como a criança que precisa lidar com o pai alcoólico, lidar com questões emocionais de abandono, exploração e trabalho escravo.
Não importa o nome do planeta ou se as historias são fantasiosas, a mensagem do livro é a forma como lidamos com nossas crianças, muitas vezes negligenciando suas necessidades, negando atenção e carinho, o que pode acarretar problemas sérios. Com Outros Olhos é um alerta para olharmos nossas crianças com mais atenção. Um alerta muito válido nessa fase onde as relações estão cada vez mais virtuais.
A escrita do livro é bem simples e condiz com as narrações infantis. O livro tem aventura e drama, mas que são colocados de forma muito leve, sendo assim totalmente indicado para crianças. Na ficha catalográfica não diz se é infanto-juvenil, mas creio ser mais apropriado para esse público. Um leitor mais exigente pode achar os contos simples demais.
Resenha completa no blog Bala de Limão