Sabe todas aquelas histórias sobre a natureza, os animais e os seres mágicos que ouvimos na infância? A autora Ruth Guimarães conseguiu reunir neste livro vários destes contos incríveis, para isso ela ouviu pessoas em várias localidades, adicionando um pouco de conhecimento de cada povo.
O livro conta com um lindo prefacio de Daniel Munduruku, onde ele diz que as histórias indígenas devem ser lida com o coração, e realmente cada conto traz uma magia que só pode ser sentida com o coração.
"Que conheciam os índios? O sol, a noite, o rio, o macaco, a preá, a onça. Que queriam eles? Viver. Além do comer, do beber, do reproduzir-se, queriam também saber quem os tinham feito. Que faziam eles neste mundo."
O livro traz antes dos contos um mapeamento da região, onde mostra vários aspectos indígenas que carregamos até hoje, e que não deve ser perdida. A autora fala sobre culinária, artesanato, entre vários outros conhecimentos que adquirimos dos índios, como um prato muito conhecido no Vale do Paraíba, (moro em São José dos Campos) que é o içá, cresci vendo meu irmão comer içá, aqui era muito comum. Então ler sobre coisas que já ouvi, que já conheci na minha cidade foi muito acolhedor.
"As história indígenas devem ser lidas com o coração. A cabeça não consegue chegar onde os sentimentos chegam. A cabeça costuma fazer juízos de valor; o coração apenas sente porque se abre ao mistério de existir."
Os contos narrados neste livro são repletos de sabedoria, onde através de histórias da floresta podemos aprender com quem nunca se importou com nada além de cuidar do planeta e da vida existente nele.
Me senti uma criança novamente, lendo cada conto e me emocionado com cada história, isso sem falar em quanto conhecimento sobre a natureza adquiri, não aquele conhecimento cientifico, mas aquele de que conviveu em contato com a natureza. Alguns contos falam sobre um mesmo tema, mas cada um mostra uma visão diferente sobre o assunto, como exemplo o curupira, que conheci de uma maneira e aqui descobri várias versões desse mesmo personagem, tão corajoso e tão esperto também.
Devemos sempre saber de onde viemos e nunca esquecer a quem realmente pertence essa terra, mesmo que com o tempo o homem branco tenha tomado todo o direito e lugar dos verdadeiros povos pertencentes a esse território. Por isso essa leitura se faz tão necessária.
"E foi um dia, o outro andava com um carrinho pelos caminhos, e escutou um trote. Passou uma espécie de animal estranho de pés com a ponta para trás, e nas pegadas dele um mundaréu de bichos, todos correndo e barulhando."
A edição da Faro sempre surpreende, e desta vez não foi diferente: a capa é chamativa, a diagramação é perfeita. A divisão de capítulos conta com imagens tribais incríveis, deixando a edição ainda mais incrível.