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    Contos Índios -

    Ruth Guimarães

    Faro Editorial
    2020
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9786586041385
    Português Brasileiro
    3.7
    49 avaliações
    Leram60Lendo1Querem78Relendo0Abandonos1Resenhas9
    Favoritos3Desejados78Avaliaram49

    Toda as histórias deste livro foram extraídas apenas de registros orais. São, portanto, inéditas do amplo trabalho de Ruth. Os contos resultaram de pesquisa de campo, no Médio Vale do Paraíba do Sul, estado de São Paulo, tendo como centro e pião a cidade de Cachoeira Paulista. E, dali, feitas coletas nas cidades vizinhas também, e no litoral. É, claro, vieram também de informantes de outros estados, com predominância de mineiros, donos de parte do Vale. A autora aproveitou cada reconto quando lhe foram apresentadas duas ou mais variantes, pois isso confirmava a sua aceitação, verdade e importância. Logo, tratou de escolher a variante mais elaborada, e com mais pormenores. Nada foi acrescentado, nada foi tirado, dos motivos básicos, da sequência, da filosofia. O que era moralizante continuou moralizante; todas as histórias permaneceram completamente isso mesmo que está aí. O que chega em suas mãos é um registro único, escrito por Ruth, que esteve cuidadosamente guardado por anos com seus filhos e que agora é oferecido à apreciação de todos.

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    Bel Líbera picture
    Bel Líbera20/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sabe todas aquelas histórias sobre a natureza, os animais e os seres mágicos que ouvimos na infância? A autora Ruth Guimarães conseguiu reunir neste livro vários destes contos incríveis, para isso ela ouviu pessoas em várias localidades, adicionando um pouco de conhecimento de cada povo. O livro conta com um lindo prefacio de Daniel Munduruku, onde ele diz que as histórias indígenas devem ser lida com o coração, e realmente cada conto traz uma magia que só pode ser sentida com o coração. "Que conheciam os índios? O sol, a noite, o rio, o macaco, a preá, a onça. Que queriam eles? Viver. Além do comer, do beber, do reproduzir-se, queriam também saber quem os tinham feito. Que faziam eles neste mundo." O livro traz antes dos contos um mapeamento da região, onde mostra vários aspectos indígenas que carregamos até hoje, e que não deve ser perdida. A autora fala sobre culinária, artesanato, entre vários outros conhecimentos que adquirimos dos índios, como um prato muito conhecido no Vale do Paraíba, (moro em São José dos Campos) que é o içá, cresci vendo meu irmão comer içá, aqui era muito comum. Então ler sobre coisas que já ouvi, que já conheci na minha cidade foi muito acolhedor. "As história indígenas devem ser lidas com o coração. A cabeça não consegue chegar onde os sentimentos chegam. A cabeça costuma fazer juízos de valor; o coração apenas sente porque se abre ao mistério de existir."  Os contos narrados neste livro são repletos de sabedoria, onde através de histórias da floresta podemos aprender com quem nunca se importou com nada além de cuidar do planeta e da vida existente nele.  Me senti uma criança novamente, lendo cada conto e me emocionado com cada história, isso sem falar em quanto conhecimento sobre a natureza adquiri, não aquele conhecimento cientifico, mas aquele de que conviveu em contato com a natureza. Alguns contos falam sobre um mesmo tema, mas cada um mostra uma visão diferente sobre o assunto, como exemplo o curupira, que conheci de uma maneira e aqui descobri várias versões desse mesmo personagem, tão corajoso e tão esperto também. Devemos sempre saber de onde viemos e nunca esquecer a quem realmente pertence essa terra, mesmo que com o tempo o homem branco tenha tomado todo o direito e lugar dos verdadeiros povos pertencentes a esse território. Por isso essa leitura se faz tão necessária. "E foi um dia, o outro andava com um carrinho pelos caminhos, e escutou um trote. Passou uma espécie de animal estranho de pés com a ponta para trás, e nas pegadas dele um mundaréu de bichos, todos correndo e barulhando." A edição da Faro sempre surpreende, e desta vez não foi diferente: a capa é chamativa, a diagramação é perfeita. A divisão de capítulos conta com imagens tribais incríveis, deixando a edição ainda mais incrível.

    12 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 49
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas35%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas0%
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    Ruth Guimarães

    Ruth Guimarães Botelho foi uma poetisa, cronista, romancista, contista e tradutora brasileira. Foi a primeira escritora brasileira negra que conseguiu projetar-se nacionalmente desde o lançamento do seu primeiro livro, o romance Água Funda, em 1946. Com dez anos de idade, publicou os seus primeiros poemas em jornais da terra natal. Com 18 anos mudou-se para a cidade de São Paulo, onde se formou em Filosofia pela USP. Profissionalizou-se como jornalista e colaborou assiduamente na imprensa paulista e carioca, além da seção permanente que manteve durante vários anos na Revista do Globo, de Porto Alegre. Escreveu crônicas para grandes jornais como Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Tem uma coluna semanal de crônicas no jornal Valeparaibano, de São José dos Campos.

    15 Livros
    19 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Ruth Guimarães