Desonra

Desonra J. M. Coetzee


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Desonra





Aos 52 anos, divorciado duas vezes, o professor David Lurie é um homem solitário, conformado, erudito e irônico. Não se incomoda com o desinteresse dos alunos por suas aulas de poesia. Cogita escrever uma ópera sobre Lord Byron, mas sempre adia o projeto. Acredita ter "resolvido muito bem o problema de sexo": nas tardes de quinta-feira, visita uma prostituta com idade para ser sua filha, paga o devido e tem direito ao oásis de uma hora e meia num cotidiano de aridez existencial.

Sua vida, racionalizada de maneira burocrática, soçobra quando a prostituta o dispensa e, mesmo sabendo que é um erro, Lurie tem um caso com uma de suas jovens alunas. Acusado de abuso, e desprezando os códigos politicamente corretos do ambiente universitário, Lurie cai em desgraça. Torna-se um réprobo e se refugia na fazenda da sua filha, a única pessoa com a qual tem um vínculo afetivo. Toma então contato com a realidade da África do Sul pós-apartheid, país onde é "um risco possuir coisas: um carro, um par de sapatos, um maço de cigarros".

É uma realidade brutal, feita de vingança, banditismo, submissão. Brutalidade contra a qual a cultura ocidental é inútil: "Ele fala italiano, fala francês, mas italiano e francês de nada lhe valem na África negra", diz o narrador quando três negros tentam queimar Lurie vivo.

J.M. Coetzee constrói em Desonra personagens de carne e osso e, por meio deles, tece relações entre classes, entre homens e mulheres, entre pais e filhos, negros e brancos, entre seres humanos e animais, entre uma longa história de exploração e um presente de ressentimento explosivo.

Escrito com fluidez exemplar, o romance enfrenta problemas intratáveis da atualidade de um país subdesenvolvido. Situado na terra de ninguém onde se misturam civilização e barbárie - região bem conhecida pelo leitor brasileiro - Desonra é uma resposta artística profunda à ferocidade avassaladora da realidade.

Ficção / Literatura Estrangeira

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Quando foi a última vez que vocês saíram atordoados de uma leitura? Pois é. No meu caso faz alguns anos e foi com essa obra-prima moderna do senhor John Maxwell Coetzee ou, para fins estilísticos, J. M. Coetzee. Este "Desonra" é uma narrativa que pulsa, que vibra a cada linha vencida. Acompanhar a história seca, cortante de Coetzee pode ser desconcertante. Sua personagem espelho, David Lurie, é complexa. Mas esse livro trata dimensões da questão humana de uma maneira muito peculia... leia mais

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Silvio
editou em:
27/10/2020 13:50:55