Entropia -

    Alexandre Marques Rodrigues

    Record
    2016
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788501073198
    Português Brasileiro

    Um ousado romance do mesmo autor de ''Parafilias''. Em ''Entropia'', Alexandre Marques Rodrigues mais uma vez mostra pleno domínio das técnicas narrativas: em um ousado romance, o autor se emaranha por toda a complexidade de seus personagens, em um enredo que se desconcentra na ideia, concretizada ou não, de viagem, de procura (ou será de fuga?) de si mesmo ou do corpo enterrado da mãe. Tudo cumprido, Alexandre Marques Rodrigues vai muito além. O jogo de identidades entre personagens – que perturba o leitor tanto quanto lhe impõe investigá-los, decifrá-los, mapeá-los, confirmá-los a cada página – é caso muito sério, ocasião em que a literatura capta o espírito dissolvido de um tempo sem que da engenharia do escritor se ouça o mais mínimo ruído.

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    Ana Clara Oliveira Magalhães picture
    Ana Clara Oliveira Magalhães31/08/2016Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Entropia, de Alexandre Marques Rodrigues, me chamou atenção justamente pelo nome. Não que eu seja muito fã de Termodinâmica nem nada, mas o conceito em si, de uma grandeza que mede a desordem das partículas de um sistema físico, é muito interessante. Eu não imaginava o que esperar do livro, que é bastante complexo — pelo menos para mim — e terminei a leitura com uma sensação de confusão gigante em minha cabeça. No começo, achei de verdade que se tratava de um livro de contos. Só após alguns capítulos lidos percebi que as histórias, que na minha cabeça eram desconexas, estavam totalmente interligadas. Constantina, Roberto — ou Bernardo? — e Cecilia (mulher e gata) são personagens tão intrincados que não consigo simplesmente falar deles aqui. Para ser sincera, não consigo entendê-los. Por exemplo, como é que Cecilia aceitava a vida dupla do marido? E como Constantina simplesmente se contentava em ser a outra, se contentava com um relacionamento tão distante e precário? Por quais motivos Roberto insistia em manter uma vida dupla? São várias perguntas que eu simplesmente não consigo responder e se o livro as tiver me dado, não consegui encontrá-las, entendê-las. A diagramação do livro foi um baque para mim. Os parágrafos são iniciados com letras minúsculas e há várias palavras começando com letras maiúsculas em meio a uma frase. Se Alexandre Marques optou por trabalhar assim para causar uma certa estranheza no leitor, claramente conseguiu. Li Entropia inteiro morrendo de gastura daquilo e infelizmente meus olhos não conseguiram se acostumar. Creio que o livro em si foi feito para incomodar o leitor, tirá-lo de sua zona de conforto. O sexo está tão presente que acabou se tornando personagem principal do livro. Algumas cenas são tão impactantes que me tiraram do eixo, alguns pensamentos e vontades dos personagens são tão desconcertantes que acho até desnecessário falar sobre eles aqui. E por falar em pensamentos e vontades, para mim, o ponto alto do livro foi o tipo de narração escolhida, sob o ponto de vista dos três — ou quatro — personagens principais, que como já sabemos, nos dá a chance de pelo menos tentar entender a história como um todo por meio de variados sentimentos. Infelizmente, Entropia não conseguiu me agradar. Fiquei tão confusa com a história, com o enredo, com os personagens que, quando por fim terminei de ler, fiquei me perguntando se realmente entendi alguma coisa. É claro que não descarto a informação de o problema estar comigo, ou simplesmente de o desejo do autor ser realmente causar essa confusão, mas a verdade é que eu não gostei nem um pouco.

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