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    Expurgo -

    Sofi Oksanen

    Record
    2012
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-13: 9788501092472
    Português Brasileiro
    3.5
    96 avaliações
    Leram143Lendo12Querem193Relendo0Abandonos9Resenhas9
    Favoritos2Desejados193Avaliaram96

    Uma das maiores sensações literárias recentes na Europa, este belíssimo e fascinante romance de estréia de Sofi Oksanen destaca a jovem autora finlandesa de origem estoniana como uma das mais promissoras vozes de sua geração. Fenômeno de vendas nos países escandinavos, com mais de 200 mil exemplares vendidos na Finlândia, Expurgo alcançou os primeiros lugares de diversas listas na Europa, onde foi adaptado para o teatro e teve os direitos negociados para o cinema. Traduzido para mais de 40 países, foi o primeiro romance a conquistar os dois prêmios mais prestigiados da Finlândia ― o Finlandia Award (2008) e o Runeberg Prize (2009) ―, além do Nordic Council Literature Prize (2010), mais importante prêmio concedido pelos países nórdicos, e o Le Prix du Roman FNAC, prêmio francês que pela primeira vez contemplou um autor estrangeiro, entre outros. Aclamado por sua corajosa desconstrução da história, sua sensibilidade psicológica e pelo comovente retrato da mulher e da experiência feminina com a perda da liberdade, Expurgo é um drama repleto de tensão sobre duas mulheres de diferentes gerações unidas por suas próprias histórias de mentiras, desespero e medo e um passado trágico em uma região subjugada pelo terror soviético. No dia em que a velha e solitária Aliide encontra a jovem Zara encolhida no quintal de sua casa, em um vilarejo rural da Estônia, segredos inconfessáveis e tragédias pessoais emergem de seis décadas de história do país, da subjugação pelos nazistas e a ocupação soviética, até os caóticos anos que se seguiram ao colapso da URSS. Isolada, em meio a ervas secas e potes de conservas que produz, Aliide esconde um terrível segredo, que imaginava sepultado com o fim do comunismo. No entanto, o passado volta a confrontá-la com a chegada da amedrontada Zara. Em 1992, a jovem vive um drama típico de seu tempo. Vítima da violenta máfia russa da prostituição, ela consegue fugir de seus captores e, não por acaso, busca em Aliide proteção. Sob o mesmo teto, as duas mulheres precisam vencer o silêncio, o medo e a desconfiança mútua. Descortina-se aos poucos uma trágica saga familiar forjada tanto por histórias de vidas privadas quanto pela grande História do século XX na Europa. Com uma narrativa carregada de emoção e suspense, Sofi Oksanen nos conduz a um universo de paixões, culpas, vergonha, traições e escolhas radicais pela sobrevivência nos piores anos da opressão soviética. Ao mesmo tempo trágico e otimista, Expurgo é uma história de resistência. Uma dura batalha pela resistência individual e coletiva. Através das vidas cruzadas de Aliide e Zara, a autora repassa a trajetória de uma região sucessivamente subjugada e violentada, mas ao mesmo tempo em permanente luta para viver em paz e expurgar o passado.

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    Dulcinea Silva picture
    Dulcinea Silva10/05/2025Resenhou um livro
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    O passado nunca dorme, a circularidade da dor em Expurgo, de Sofi Oksanen

    Uma mulher estoniana idosa, Aliide Truu, vive isolada em uma casa decadente no campo, cercada por ervas daninhas e fantasmas. Um dia, encontra uma jovem descalça e ferida no jardim, Zara, uma russa em fuga. Esse encontro, que poderia parecer acidental, desvela uma teia profunda de violências, memórias e segredos enterrados. À medida que Expurgo se desenrola, somos conduzidos por uma narrativa de camadas, marcada por duas linhas do tempo que se entrelaçam: a Estônia sob domínio soviético e a Estônia pós-independência, ainda marcada pelas feridas da ocupação. Oksanen não nos entrega uma história simples; ela nos arrasta para um labirinto de opressões históricas e íntimas, onde o corpo feminino é território invadido, e a dor é legado. Cheguei nesse livro por conta do desafio MundAfora em 198 livros. Na época de escolher uma leitura para a Finlândia de deparei com a escritora finlandesa-estoniana Sofi Oksanen. Entretanto, como suas histórias são muito arreigadas na Estônia, deixei para ler fora do desafio. E aqui tenho uma aula sobre a Estônia, sua história e seus traumas. Ao contar a história de Aliide e Zara, a autora ilumina o conflito histórico entre a Rússia e a Estônia, um país que viveu sob o domínio soviético por quase meio século. A ocupação da Estônia foi mais do que uma perda de soberania: foi uma devastação cultural, familiar e subjetiva. O passado imperialista da Rússia e sua política repressiva emergem como força modeladora do destino de duas mulheres separadas por gerações, mas unidas por um ciclo de violência. Zara, vítima do tráfico sexual contemporâneo vindo da Rússia, encontra em Aliide, que colaborou com a KGB durante a ocupação, um reflexo distorcido de si mesma. Ambas foram abusadas, silenciadas, violadas. Ambas carregam as marcas de um poder que transcende o tempo e atua como fantasma. Quando decidimos que um livro deve ser abandonado? Confesso que a primeira parte , esse encontro entre as duas, parece arrastada, mas a partir do momento que o mistério vai se desvendando e entramos no passado de Aliide, a trama avança. Porque o mais perturbador em Expurgo é perceber que, apesar das décadas entre elas, Aliide e Zara enfrentam o mesmo inimigo: o autoritarismo russo em suas várias formas. A opressão muda de vestes, mas mantém o mesmo olhar de dominação. Oksanen estrutura sua narrativa por meio de saltos temporais, entre os anos 1940 e a década de 1990, compondo um mosaico em que o leitor precisa juntar as peças como quem vasculha um porão escuro em busca de ossos. A alternância entre os períodos não apenas constrói tensão, como explicita o caráter cíclico do sofrimento: o que foi vivido sob o regime stalinista ressurge, com outras formas, nos becos do tráfico humano pós-soviético. A Estônia independente ainda carrega os escombros do império, e suas mulheres, como Aliide e Zara, continuam a pagar o preço de uma história escrita com violência, submetidas aos homens russos. Aliide, em sua juventude, viveu sob a constante ameaça do regime soviético. Irmã de Ingel, casada com Hans, um resistente ao regime comunista. Ela foi testemunha da perseguição que desintegrou sua família. Mas Aliide também foi agente de sua própria tragédia: por amor, por inveja, por medo, ela colaborou. Tornou-se delatora, assinou documentos, sobreviveu. Sua cumplicidade com os soviéticos não apagou sua própria humilhação: ela também foi vítima de tortura, de estupro, de controle. O que Oksanen propõe aqui não é o maniqueísmo, mas uma dolorosa zona cinzenta. Aliide não é apenas vilã nem mártir. É um retrato fabuloso complexidade humana sob regimes de opressão. Zara, por sua vez, é o corpo jovem marcado pela violência mais contemporânea: o tráfico sexual. Seduzida por promessas de trabalho na Alemanha, acaba prisioneira de uma rede de prostituição comandada por russos. Ela sobrevive, foge, carrega cicatrizes visíveis e invisíveis, e um segredo. As duas mulheres, separadas por cinquenta anos, compartilham a mesma prisão emocional, a mesma herança de dor. A linguagem de Sofi Oksanen é precisa e cortante. Em muitos momentos, a narrativa soa como um testemunho íntimo, um murmúrio que se transforma em grito. A autora evita o sentimentalismo, mas não economiza na crueza. Ela escreve com a coragem de quem sabe que não se pode suavizar o horror. Sofi Oksanen oferece, também, por meio de sua escrita, uma crítica à romantização da resistência. O heroísmo, quando posto sob a luz do cotidiano, ganha contornos mais sombrios. Hans, por exemplo, é um símbolo da resistência estoniana, um homem que escolheu se esconder mas sua escolha de se esconder exige que os outros, especialmente as mulheres, arquem com as consequências. A coragem de uns pode significar o martírio de outros. Ninguém sai ileso de uma guerra, sobretudo as mulheres que vivem nas entrelinhas dos discursos patrióticos. A crítica que emerge do romance não é apenas à ocupação soviética, mas também à omissão e ao conformismo. Aliide sobreviveu, mas a que custo? E essa sobrevivência foi um ato de resistência ou de submissão? Ao mesmo tempo, Zara, ao fugir de seus captores, desafia uma estrutura criminosa global. Ambas são sobreviventes, mas também cúmplices, em diferentes graus, de um sistema que as violentou. Expurgo não oferece redenção fácil. Ele oferece o desconforto esse sentimento necessário para que a literatura cumpra seu papel de questionar. Ler Expurgo hoje é também pensar sobre o retorno das tensões geopolíticas entre Rússia e seus vizinhos, sobre a fragilidade das democracias e o corpo feminino como território político. A atualidade do romance não está apenas em sua denúncia histórica, mas em sua capacidade de revelar os mecanismos pelos quais a violência se perpetua. Não é por acaso que a protagonista vive cercada por plantas, ela tenta, desesperadamente, enraizar-se em uma terra que sempre a expulsou. No fim, Expurgo é um livro sobre a memória – e sobre o que fazemos com ela. Esquecer, fingir, recordar? A casa de Aliide é uma metáfora para a própria Estônia: um lugar cheio de compartimentos escondidos, de documentos enterrados, de dores abafadas. Zara é o presente que exige explicações. O encontro entre elas é um convite para revisitar o passado com coragem, ainda que isso signifique encarar os próprios fantasmas. Apesar do final abrupto (acho que caberia um desenvolvimento nesse ato), é um livro de uma beleza sombria e necessária. Sofi Oksanen nos mostra que as fronteiras da história não são fixas, elas atravessam gerações, corpos, silêncios. E é na escuta desses silêncios que talvez possamos começar, finalmente, a entender, não para perdoar, mas para não repetir. Expurgo de Sofi Oksanen; tradução de Julián Fuks. Rio de Janeiro: Record, 2012. 346p. Leitura de Maio 2025.

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    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas30%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas8%
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    Sofi Oksanen

    Sofi Oksanen é uma das mais importantes revelações da literatura mundial. Um fenômeno de vendas nos países escandinavos, Expurgo, sua mais premiada obra, foi o primeiro romance a ganhar os dois prêmios mais prestigiados da Finlândia — o Finlandia Award (2008) e o Runeberg Prize (2009). Em 2010 ganhou o Nordic Council Literature Prize e o Le Prix Du Roman FNAC, prêmio francês que pela primeira vez contemplou um autor estrangeiro.

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    Sofi Oksanen