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    Futuro ancestral -

    Ailton Krenak

    Companhia das Letras
    2022
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9786559211548
    Português Brasileiro
    4.5
    2417 avaliações
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    Favoritos171Desejados2158Avaliaram2417

    Nesta nova coleção de textos, Ailton Krenak nos provoca com a radicalidade de seu pensamento insurgente, que demove o senso comum e invoca o maravilhamento. A ideia de futuro por vezes nos assombra com cenários apocalípticos. Por outras, ela se apresenta como possibilidade de redenção, como se todos os problemas do presente pudessem ser magicamente resolvidos depois. Em ambos os casos, as ilusões nos afastam do que está ao nosso redor. Nesta nova coleção de textos, produzidos entre 2020 e 2021, Ailton Krenak nos provoca com a radicalidade de seu pensamento insurgente, que demove o senso comum e invoca o maravilhamento. Diz ele: "Os rios, esses seres que sempre habitaram os mundos em diferentes formas, são quem me sugerem que, se há futuro a ser cogitado, esse futuro é ancestral, porque já estava aqui." "Ailton Krenak é um filósofo originário: desentranha do pensamento indígena uma forma que os ocidentais se habituaram a reconhecer como filosofia e a confronta, à medida que também a aproxima, com os modos especulativos europeus e outras cosmovisões tradicionais." – Muniz Sodré

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    Resenhas (480)Ver mais
    Berttoni Licarião picture
    Berttoni Licarião16/03/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Leituras de 2022 | Cortesia da editora Futuro ancestral [2022] Ailton Krenak (MG, 1953-) Cia. das Letras, 2022, 128 pág. Num primeiro momento, a leitura de “Futuro ancestral” pode parecer algo repetitiva para aqueles e aquelas que já passaram por “Ideias para adiar o fim do mundo” e “A vida não é útil”, do Krenak. Além de não considerar este um defeito do livro, advirto leitores e leitoras que não se deixem levar pelo pensamento utilitarista de uma leitura que “traga algo novo”. Como o próprio título indica, a proposta filosófica aqui presente se volta precisamente à ideia de uma educação que valorize a construção coletiva, a experiência do sujeito como parte de uma comunidade, e que não seja capaz de dissociar o futuro (uma abstração) de nossa ancestralidade (um fato concreto, ligado à terra e à vida simbiótica). É contra a cultura produzida por uma sociedade abusiva (fruto da empresa colonial, depois capitalista, agora neoliberal) e que começa nas salas de aula dos grandes centros urbanos, sempre preocupados em “moldar” consumidores e produzir adultos exaustos obcecados por símbolos materiais de sucesso e riqueza, que podemos pensar o risco provocativo dos cinco ensaios presentes neste livro. Para Krenak, “ao focarmos nesse futuro prospectivo acabamos construindo justamente aquilo que Chimamanda Ngozi nos recomenda evitar: um mundo com uma única narrativa. [...] Olhar sempre para o futuro, e não para o que está ao nosso redor, está diretamente associado ao sofrimento mental que tem assolado tanta gente, inclusive os jovens.” Vivemos uma crise ambiental provocada pelo capitaloceno e fomentada pela arrogância das epistemologias do Norte global (sempre prontas a se colocarem como berço civilizacional e da cultura, em oposição à sabedoria “primitiva" dos povos originários). O desafio, a cada dia mais premente, é não nos rendermos “à narrativa de fim de mundo que tem nos assombrado, porque ela serve para nos fazer desistir dos nossos sonhos, e dentro dos nossos sonhos estão as memórias da Terra e de nossos ancestrais.” Já que nós adultos somos insensíveis irremediáveis, que ao menos as crianças sejam livres para compreender e criar novos mundos possíveis.

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    Ailton Krenak profile picture

    Ailton Krenak

    Ailton Krenak nasceu no Vale do rio Doce, Minas Gerais, em 1954. Os Krenak registravam uma população de cinco mil pessoas no início do século XX, número que se reduziu a 600 na década de 1920 e a 130 indivíduos em 1989. Na época, Ailton pressagiou: "se continuar nesse passo, nós vamos entrar no ano 2000 com umas três pessoas". Felizmente isso não aconteceu. Contando com esforços também do próprio Ailton, os Krenak fecharam o século com 150 pessoas. Com 17 anos Ailton migrou com seus parentes para o estado do Paraná. Alfabetizou-se aos 18 anos, tornando-se a seguir produtor gráfico e jornalista. Na década de 1980 passou a se dedicar exclusivamente à articulação do moviemnto indígena. Em 1987, no contexto das discussões da Assembléia Constituinte, Ailton Krenak foi autor de um gesto marcante, logo captado pela imprensa e que comoveu a opinião pública: pintou o rosto de preto com pasta de jenipapo enquanto discursava no plenário do Congresso Nacional, em sinal de luto pelo retrocesso na tramitação dos direitos indígenas. Em 1988 participou da fundação da União das Nações Indígenas (UNI), fórum intertribal interessado em estabelecer uma representação do movimento indígena em nível nacional, participando em 1989 do movimento Aliança dos Povos da Floresta, que reúnia povos indígenas e seringueiros em torno da proposta da criação das reservas extrativistas, visando a proteção da floresta e da população nativa que nela vive. Nos últimos anos, Ailton se recolheu de volta à Minas Gerais e mais perto do seu povo.

    9 Livros
    448 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Ailton Krenak