Irmãos Pretos -

    Hannes Binder, Liza Tetzner

    Edições SM
    2006
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A história se passa em 1838. Conta a saga do menino Giorgio, vendido pelo pai a um estranho que o venderá a outros estranhos, já na Itália, e que viverá aventuras e desventuras emocionantes, até retornar ao seu país, a Suíça. Na Milão daquele tempo, as lareiras eram a lenha. E as chaminés necessitavam de periódicas limpezas. Aí entra o nosso herói, ou melhor, os nossos heroizinhos (que a função de limpadores exerciam-na milhares de garotos, todos maltratados, descalços, negros de fuligem. Nenhum direito lhes cabia. Nada recebiam pelos seus serviços sujos, pois o agenciador já pagara por eles a seus pais, camponeses famintos dos cantões da Suíça. Aliás, recebiam sim: pancadas, insultos, sarcasmo, humilhações, o favor de um prato diário de comida, às vezes um colchão para dormir, encarceramento à noite... Recebiam sim: um manto de invisibilidade das autoridades de um e outro país, o "status" de fugitivos da lei quando escapavam das garras de seus senhores, os chamados artesãos; sovas públicas, na rua, ao mínimo deslize, com "direito" a apoios e aplausos ao carrasco sovador... O livro choca porque fundeado em fatos: de 1800 a 1920, famílias pobres do Cantão de Ticino comerciavam seus meninos de 12, 13 anos a agenciadores, que os conduziam à Itália, onde eram revendidos com incrível ágio, aos mestres artesãos, que percorriam as ruas de cidades como Milão alugando-os para limpar chaminés. A tarefa lhes era adequada por serem magrinhos e pequenos. Sob o sol, a chuva, a neve, os tapas, os empurrões, as ordens absurdas, os garotos suportavam o calor dos fornos e os riscos de lá entalarem ou de escorregarem, estatelando-se nas lareiras. Visitavam mansões, casas luxuosas, lares comuns, cujos moradores - políticos, juízes, cidadãos notáveis e gente comum - jamais questionaram na natureza ou o aspecto legal daquele trabalho tão duro. Só os mais fortes sobreviviam. Então criaram uma Irmandade secreta, com juramentos, regras, senhas, códigos e rituais: os Irmãos pretos. Essa confraria solidária, comandada com jovens mãos de ferro, objetivava protegê-los, defendê-los de outro grupo, o dos meninos da cidade, que vivia escarnecendo deles, espancando-os quando sozinhos, e maquinando perversidades mil. Nome desse grupo: os Lobos.

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    Alice Campos21/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Irmãos pretos

    É uma história que se passa na Itália do século XIX, onde a pobreza e fome se faziam presentes. Uma família precisa vender o filho mais velho, Giogio de 13 anos, para um golpista, ele então teve enfrentar um árduo e insalubre caminho até Milão, viu todas as outras crianças morrerem, exceto o seu amigo que sobreviveu. Ao chegar em Milão se tornaram limpadores de chaminé, situação que não sobreviveriam muito pois seus compradores não lhes pagavam, os alimentavam mal e os deixavam viver com roupas rasgadas e descalços, mesmo no inverno rigoroso, além de dormirem no chão. A cada tenpo que passava ele ficava com saudade de casa e desmotivado, a família que lhe comprou o tratava mal e o filho deles sempre aprontava e colocava a culpa nele. Sua salvação foi a filha doente que acreditava e o defendia. Um dia ele descobriu que as crianças limpadores de chaminé se agrupavam, os Irmãos Pretos, onde se apoiavam e planejavam a fuga. Um dia Giogio ficou muito doente em uma casa que limpava e conheceu o médico que transformou sua vida. Sem mais detalhes, é uma história que conta como a história das crianças e pobres se repete em cada canto do mundo, como várias realidades existiam e ainda estão aqui. Mas em algumas história, há outros caminhos e a "sorte" pode também cruzar o seu caminho.

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