Para quem não sabe, Lightlark aparentemente se tornou um fenômeno antes mesmo de ser lançado, e recebeu diversos elogios de autores renomados no gênero fantasia, mas ao que tudo indica, a família da autora pagou que o livro fosse publicado, assim como parece pagado por tantos elogios, acusações essas baseadas no fato de que o livro é ruim, e por enquanto não encontrei uma única alma que tenha gostado. Lightlark é uma grande colcha de retalhos com recortes de vários livros que deram certo, mas não houve a preocupação de amarrar as informações expostas e ter coerência. Vou confessar, não achei tudo ruim, por isso dei 2 estrelas, o universo é interessante e o plot twist tem potencial, o problema foi a autora, se esse livro tivesse por volta de 800 páginas e tivesse sido escrito pela Sarah J. Mass, teria sido uma fantasia memorável e maravilhosa. Mas mão foi. No universo do livro, somos jogados em um mundo com várias ilhas, cada uma com a própria forma de governo, e a cada 100 anos ocorre uma mistura de Jogos Vorazes e Caraval a fim de acabar com alguma maldição que não ficou muito clara qual é. Cada um desses reinos tem suas magias e histórias ancestrais, e se amarram por um evento em comum que ocorreu há 500 anos, e de novo, imaginem o que a autora de Acotar faria com uma premissa dessas. Mas o problema é que esaas magias não são exploradas, a ancestralidade acontece como um jorro de informações no fim do livro, o que deixa apenas o leitor confuso, ao invés de surpreso. Sobre os personagens, a protagonista, ao mesmo tempo que é descrita como uma Bryce (Crescent City), não passa de uma Clary (em Cidade dos Ossos), sendo jogada de um lado pro outro e manipulada o tempo inteiro, mas pior que isso é o relacionamento dela com os outros personagens, que são tão misteriosos que o leitor não consegue entender nem se importar com nenhum deles. Os diálogos são tão estranhos e são tem explicações que eu parecia estar assistir uma sitcom, com frases ensaiadas para causar efeito, mas que só torna tudo absurdamente artificial. Além disso, metade das situações que acontecem no livro, especialmente nos primeiros 40%, não tem o menor objetivo. Acredito que a pretensão da autora era criar cenas que mostrassem como a protagonista é destemida e tentar deixar transparecer algo parecido com tensão sexual entre os personagens, mas não deu certo. Como um exemplo, vou mencionar a cena (não é spoiler, por que não tem importância gelral) em que o rei Oro toca a mesa de jantar e a transforma em ouro, o que seria um ato muito impressionante e que deixaria o leitor apreensivo com tamanha demonstração de poder, caso soubéssemos previamente que esse é uma raro tipo de magia e se soubéssemos como o sistema de magia funciona, mas como só foi informado que bancar o rei Midas era algo poderoso após o acontecimento, se tornou apenas mais uma cena sem nenhum propósito. Enfim, não é um bom livro, eu definitivamente não recomendo, seria ótimo se outra pessoa tivesse escrito, e tenho medo de como a Universal vai adaptar esse livro.