O mestre dos abraços - Um olhar humano sobre o sofrimento

    Celso Traub

    Batel
    2020
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9786587133010
    Português Brasileiro

    O título dá uma boa pista do livro. Há frases que são como abraços. Curtos e intensos. Há parágrafos que acolhem como longos abraços. Das lembranças de Miguel, o pai que partiu precocemente, personagem empático que permeia todo o livro com seu olhar luminoso, sorriso largo e gestos incalculados, temos passagens inesperadas para a sala do consultório do psicanalista. Ali, as pessoas no divã trazem os dilemas humanos, e o leitor pode realizar a fantasia de ser uma formiguinha, ouvir as confissões dos pacientes e ainda ler o que se passa na cabeça do terapeuta. Ao mesclar esse conteúdo a suas memórias, Celso Traub narra sua trajetória pessoal, criando um mosaico de pessoas importantes em sua linha do tempo. São histórias repletas de imagens, sons, aromas, através das quais o autor nos conduz a uma viagem pelos sentidos e o sentir.

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    Alexandre Kovacs22/11/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Celso Traub - O Mestre dos Abraços

    Editora Batel - 272 Páginas - Lançamento: 31/07/2020. O gaúcho Celso Traub, experiente psicoterapeuta, nos apresenta um livro pouco comum ao alternar suas memórias afetivas – em passagens típicas de um romance de formação – com as histórias emocionantes de superação que vivenciou em seu consultório. A abordagem clínica é sempre profissional, mas sem descuidar do olhar humano, fazendo com que o leitor tenha uma rara oportunidade de conhecer de perto as reações de um terapeuta ao lidar com os dramas de seus pacientes. Particularmente emocionantes são as partes nas quais Celso relembra os momentos com o pai, homem sensível e amoroso, o grande "Mestre dos Abraços" da sua infância e juventude, que morreu precocemente. O terapeuta, portanto, utiliza a sua própria experiência de vida para nos ensinar como "A dor pode ser terrivelmente cruel e destruidora, do mesmo modo que pode tornar-se uma companheira valiosa, se soubermos como tratá-la." E também um pensamento que todos nós conhecemos muito bem: "Esquecer é uma droga tentadora." "Há muitos anos recebo e extraio o pior das pessoas, suas dores mais profundas, como se essa fosse uma ocupação natural. De alguma forma me apaixono por suas penas, pela solidão que elas desconheciam. Apresento essas pessoas a si mesmas e fico muito próximo delas. Uma proximidade que assusta. Ao mesmo tempo que abro a porta, eu me introduzo. [...] Cuidadosamente desrespeito as barreiras do que era inacessível para elas. Sinto-me estimulado como um garoto e, ao mesmo tempo, cauteloso como um navegador. Vasculho os desejos suprimidos e as dores intoleráveis em busca de um fragmento que mereça viver na luz da consciência do seu portador. Um caminho não trilhado. Faço isso, mas deixo os meus rastros. Eu fico nesse lugar, ao mesmo tempo que resgato partes do outro em sofrimento." O grande mérito de Celso Traub nesta obra é o de tratar questões complexas de forma leve e direta, mas sem descuidar da empatia e deixando a emoção conduzir a narrativa. Cada capítulo funciona como uma parte independente, alternando as experiências com pacientes e as memórias afetivas do autor em uma constante mudança do tempo narrativo. O estilo lembra de Irvin Yalom, também filho de imigrantes russos e autor de Quando Nietzsche Chorou​ (1992) e Mentiras no Divã​ (1996), entre outros. "Nos intervalos, os poucos meninos se reuniam para correr atrás de uma bola, levantando uma nuvem de poeira do piso de areia sólida avermelhada. Não era exatamente minha ideia de divertimento. Restavam as meninas, que não se mostravam propensas a confraternizar com meninos. Possivelmente eu era uma das raras crianças que detestavam o recreio. Até descobrir uma sala que ficava no fim do longo e largo corredor adornado com grandes luminárias: a biblioteca. [...] Era uma sala modesta, com estantes de ferro e poucos livros, mas o suficiente para me alegrar. A bibliotecária, acostumada a ficar só, estranhou a obstinada presença daquele menino. Sem alternativa, foi se familiarizando comigo e com minhas perguntas. Foi nesse ambiente que me senti aceito nos meus primeiros anos escolares." Nem sempre é fácil descobrir quem somos verdadeiramente e, principalmente, assumir sem restrições essa pessoa estranha para nós mesmos, para isso existem profissionais como Celso Traub que podem ajudar na arriscada aventura. Um livro que emociona e faz pensar sobre os desafios da condição humana, não há como não se identificar. Sobre o autor: Celso Traub nasceu em 1959 no bairro Bom Fim em Porto Alegre. É filho e neto de refugiados russos que se estabeleceram no sul do Brasil em busca de uma vida melhor. Desde criança foi um apaixonado pelos livros e pela ativa cena cultural da sua cidade. Formou-se médico na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde conheceu a Psiquiatria e grandes professores. Nas últimas duas décadas é Psicoterapeuta em seu consultório privado na Lagoa da Conceição, na turística ilha de Florianópolis.

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