O livro de hoje conta uma história forte. Alice Lee e Ruby Jones chegam no mesmo dia em Nova York. Ambas com um objetivo em comum: recomeçar. Alice tem 18 anos e chegou com apenas 600 dólares e uma câmera furtada. Ruby tem 36 e deseja tomar um novo rumo em sua vida depois de um relacionamento conturbado, para isso, atravessou o mundo em busca de paz e uma nova oportunidade.
Qual a ligação entre as duas pessoas? Ruby encontra o corpo de Alice às margens do rio Hudson. A partir desse encontro, ambas formam um vínculo inquebrável. Alice tem certeza de que Ruby é a chave para resolver o mistério sobre como tudo aconteceu. Ruby, lutando para esquecer a tragédia que presenciou, se recusa a deixar Alice ir... pelo menos até que ela tenha a oportunidade de contar a própria história.
Deu para perceber que o livro tem uma pegada sobrenatural, né? Já que quem narra a história é Alice, uma narradora póstuma. Ela foi morta após ser atacada e estuprada. Dessa forma, o leitor vai acompanhar a história através do seu espírito. Diferente, não?
A autora é ativista dos direitos das mulheres e em sua obra sabe evidenciar isso ao criar um thriller feminista. Não é nada forçado, mas nos faz pensar como muitas mulheres são tratadas e passam por situações semelhantes a que a Alice passou.
"(...) quando um homem descobre onde machucar você, a maneira como ele a toca muda. Ele não consegue se controlar e pressiona com força aquele local, não importa quantas vezes isso faça você chorar."
Achei a história bem tocante, principalmente por abordar temas que envolvem o meu trabalho. Lidar com vítimas de estupro não é fácil. Fiquei pensando quantas mulheres não têm a chance de se defender, de gritar por socorro e acabam como a personagem. Ainda, o fato de muitas delas nascerem num lar desprovido de amor e atenção.
Se você curte livros de suspense, pode ser uma ótima pedida. Mas não se enganem, o foco dele não é esse. Vamos descobrir os motivos que levaram Alice a fugir de Nova York e também a conhecer sobre o seu passado tão conturbado.
Uma situação interessante a ser abordada aqui na resenha, e que certamente rodeia a cabeça de muitas pessoas, é quando estamos comentando sobre uma mulher ter sido estuprada, assaltada, sequestrada... A primeira coisa que ouvimos não é se ela está bem, se saiu com vida e sim “por que ela estava sozinha na rua?” ou coisa do tipo “mas também, olha a roupa que ela estava usando!”. Parece que a culpa nunca é do autor do delito e sim da vítima. É um assunto que nos faz pensar a respeito de como é o comportamento alheio e como poderíamos fazer para melhorar isso.