O fio que nos une é o lançamento de Deborah Strougo pela editora V&R. Através de uma escrita envolvente, a autora entrega uma história com características tipicamente de suas obras, mas com um toque novo: uma pitada de fantasia.
Após a morte do noivo em um acidente, Letícia se fechou para o amor, focando no trabalho para não ter que lidar com a dor do luto. Depois de visitar um festival japonês, ela passa a enxergar fios vermelhos amarrados no mindinho das pessoas. É quando Letícia descobre que assumiu uma missão: a de juntar almas gêmeas, que devem se conectar através dos fios invisíveis em seus dedos.
O fio que nos une é baseado na lenda Akai Ito, originária da China e que, ao passar das gerações, foi se modificando e se popularizou também no Japão, de onde Deborah Strougo se inspirou. Embora essa premissa fantástica seja inédita nas obras da autora, que até então não tinha publicado nada ligado à fantasia, o romance é bastante característico de seus outros títulos: traz uma comédia romântica leve e divertida, apesar de algumas passagens mais sensíveis por conta do tema do luto.
Em uma escrita rápida e envolvente, O fio que nos une é narrado em primeira pessoa, de maneira a aproximar o leitor dos pensamentos e emoções de Letícia. Foi uma leitura que devorei, sem nem sentir o virar de páginas. Mesmo que a protagonista lide com o passado, o foco da história não está no aprofundamento dessa dor, mas sim em sua reabertura para o amor, de maneira que vemos o surgimento de uma nova relação bem aos moldes da autora: uma construção bem-humorada e apaixonante do casal. Também por isso, a premissa fantástica, embora presente, não é central. Letícia se vê envolvida em juntar alguns casais, mas não de maneira a ser o foco do enredo. Aliás, a preocupação maior está na compreensão do porquê de ela ter passado a enxergar o fio do que na execução da missão em si.
Paralelamente ao casal principal, as relações com personagens secundários torna a trama mais interessante. A amizade de Letícia com a melhor amiga confere emoções positivas ao enredo, assim como a busca da protagonista por entender o mistério de sua nova missão dá a ele um toque de mistério, tornando-o mais instigante.
No resumo, O fio que nos une foi uma leitura gostosa, sobretudo por sua agilidade e capacidade de envolvimento. Não foi um livro que me arrebatou, mas que cumpriu sua função de me entreter e me deixar com o coração aquecido ao finalizá-lo.