Nesse enredo temos a detetive Karen Hornby, excelente profissional, mas que está enfrentando alguns problemas pessoais, o que a torna um pouco irritada, na dela, uma personagem que prefere ficar na sua, sem se relacionar muito com os que estão ao seu redor no cotidiano.
Karen ainda está tomando fôlego após tudo que ocorreu no livro anterior, e o enredo se passa no período das festas de fim de ano, o que a meu ver dá um ar nostálgico e sentimentos ficam mais aflorados que o normal. Ela ainda está afastada de suas atividades como detetive e tendo que lidar com sua família que está "acampada" em sua casa, algo que não seria um problema para a maioria das pessoas, mas Karen por ter uma natureza mais introspectiva, isso é perturbador, incômodo de diversas maneiras e super entendo ela, pois me identifico demais em alguns aspectos. Quando o seu chefe no departamento de polícia em Doggerland liga oferecendo um caso, ela não pensa duas vezes e aceita. É uma maneira de se afastar um pouco de sua realidade sufocante!
Sobre o caso:
Professor idoso encontrado morto em uma antiga pedreira em um povoado isolado. Tudo indicava para um acidente, mas aos poucos, mais uma vez, vamos vendo uma rede se mostrando e fios se ligando, segredos vindo a tona e quando percebemos já estamos cheios de suspeitos e muitas teorias e nos vemos submersos com Karen mais uma vez, em um emaranhado de mistérios a serem desvendados. Como sabemos, as coisas nunca são o que parecem e isso é só o começo!
E para complicar um pouco a situação, uma parte da família de Karen mora nesse povoado e sua própria conexão vai além do que Karen poderia querer naquele momento e assim, Karen terá seu julgamento pessoal tendo que ser bem certeiro e discernir em quem pode confiar, já que praticamente todos ao seu redor vão se tornando suspeitos.
O que eu achei:
Um enredo provocante, instigante, construído de maneira perspicaz para nos deixar ávidos a cada virada de página. Mais uma vez a autora não apenas nos desafia a desvendar os mistérios que assombram a história, mas a questionar muitas situações como confiança, atitudes, relações familiares e muito mais!
Karen é dessas personagens que carregamos conosco e nos vemos torcendo, gritando e dando aquela vontade de dar umas sacudidas para o perigo em que se coloca em determinadas situações. Uma personagem crível, palpável, com problemas reais, sentimentos reais.
Ver a personagem criando laços, algo que para ela não é comum com Sigrid, foi interessante, ela é filha de um personagem que aparece no livro anterior. Parando por aqui, para não dar spoilers!
Sei que esse livro se mostrou tão interessante quanto o anterior, sem contar que a ambientação da obra é um ponto alto, pois nos leva diretamente para dentro dessa história sombria e cria aquela sensação que gosto em enredos do gênero.
Em um todo, podem esperar mistérios a serem desvendados, emoções a flor da pele, amizades improváveis, recomeços, laços que se formam e tal como na vida, muitas mudanças, afinal, por mais que tenhamos uma zona de conforto ou venhamos a planejar nossa vida ou parte dela, o mundo é irônico e sempre mostra muitas maneiras de te surpreender, para o bem ou para o mal.