"– O amor é um jogo engraçado, mi amor. Não existem regras e, por mais que a gente se esforce para ganhar, de um jeito ou de outro nosso coração está sempre em risco."
Faz tempo que não resenho nada, não sei se ainda sei fazer isso, mas eu precisava falar um pouquinho sobre esse livro.
Eu adoro os livros da Elena, li os dois primeiros que ela lançou e que me fizeram me apaixonar pela escrita da autora, são romances bem água com açúcar para gente ler quando estiver a fim de esfriar a cabeça. Esse em específico, é um livro rápido, leve e muito gostosinho para passar o tempo, mas não se deixe enganar pela capa fofa. 👀
"Bom, tenho uma novidade pra vocês, garotas. A vida não é mole. É difícil. Às vezes a gente ganha, e muitas outras a gente perde."
A história se passa bem no interior, numa cidade pequena, com uma miséria de população, é muito aconchegante, eu adoro quando o livro passa essa vibe.
Tudo começa com a Adalyn sendo "exilada" de Miami, onde ela trabalhava com um time de futebol que era sua paixão. Ada foi enviada para uma cidade minúscula, com pouquíssimos habitantes, para cuidar de um time de liga infantil formada por garotinhas. Tudo que ela estava acostumada muda de repente, como ela mesmo repete várias vezes, Adalyn acaba no fundo do poço, morando em uma cabana pequena demais e um tanto... rústica e duvidosa. Mas com um vizinho gato.
Assim que ela chega a cidade, Adalyn conhece seu vizinho Cameron, um ex goleiro famoso, de uma maneira inusitada, o acertando com o carro. Logo de cara os dois se desentendem, muito mesmo. Grande parte da troca de interações deles no começo são cheias de farpas. Adoro Slow Burn com um pouco de ranço to lovers, ou algo assim, porque não sei se chega ser um enemies to lovers, mas ainda sim é muito bom.
Os dois terão que, além de conviver como vizinhos, trabalhar juntos. Ele como treinador das garotas e ela como diretora de comunicação do time.
"Eu estava começando a entender o quanto estava exausta de questionar cada detalhezinho da vida."
Adalyn de início é um pouco chata, está sempre reclamando de tudo, porém entendo que era porque a personagem era muito tensa, ligada demais ao trabalho. Mas no decorrer da história vamos aprendendo a gostar dela, e ela vai melhorando conforme passa a conviver ali naquela cidadezinha interagindo com aquelas pessoas. Conhecendo mais a história dela, entendemos porque ela é assim. Ah e uma curiosidade sobre Ada é que ela adora ouvir podcast de true crime enquanto dirige ou quando precisa espairecer, me identifiquei, confesso. No final ela acabou me conquistando. Gosto muito da amizade que ela cria com a Josie, que aliás, é uma excelente personagem, divertidíssima, e bem alegre, totalmente o aposto de Adalyn.
"– Quer jogar, amor? – Havia um toque sombrio em sua voz. Seus dedos se contraíram. – Quer um homem que não vai sair correndo, assustado? Um homem que dê o sangue no jogo?
Meu coração disparou, e ele disse:
– Então eu vou ser esse homem pra você."
Sobre o Cam (insira um suspiro aqui), eu nem sei por onde começar a falar dele.
De início, o Sr. Camarão é um homem um pouquinho turrão. Ele só queria paz e tranquilidade, longe de qualquer coisa relacionada ao futebol, porém acabou como treinador de um bando de garotinhas de 9 anos e uma de 7 que usa tutu. Ele também é um pouco egoísta e orgulhoso, mas isso vai mudando aos poucos no decorrer da história. Eu gostei que a autora não fez o Sr. Camomila ser um homem perfeito, mas ainda sim totalmente apaixonável. Os capítulos narrados por ele foram os meus favoritos, só acho que poderia ter tido mais capítulos dele.
Eu estava precisando de um livro com um personagem masculino como o Treinador Camuflagem, nem era comigo e ele me deixou vermelha várias vezes, inclusive uma das minhas cenas favoritas foi a aula de cerâmica, clássico e nostálgico para quem já foi apaixonada no filme "Ghost - do outro lado da vida" quando era adolescente.
Entretanto minha personagem favorita foi a garotinha María, ela é inteligente e adorável, me diverti demais com as interações dela com o Cam e com a Adalyn, e a garotinha ainda tem uma cabra cega e ansiosa, não tem como não amar.
Todas as garotas na verdade são adoráveis, a que faz balé e usa tutu em todo jogo também é tão fofa, e ver Adalyn se apegando às garotas foi muito lindinho, ela precisava de tudo isso.
"– O amor nunca é o problema. O amor é fácil, como nos filmes. A gente é que complica."
Enfim, gosto muito do primeiro livro que li da Elena, "Uma farsa de amor na Espanha", mas esse aqui ganhou meu coração todinho.
Eu até mesmo enrolei para terminar esse livro apenas porque eu não queria que acabasse, queria continuar dentro dessa história, ele traz uma ambientação muito gostosinha de interiorzão. E ver o amor desses dois crescer aos pouquinhos foi incrível, é por isso que sou apaixonada por Slow Burn.