Minhas expectativas para O Clube P.S. Eu Te Amo, lançamento de Cecelia Ahern no Brasil, eram mescladas ao receio. Por amar seu antecessor, P.S. Eu Te Amo, parte de mim queria muito retornar a uma história pela qual sou apaixonada; contudo, e se eu não gostasse da continuação? Felizmente, finalizei a leitura ainda mais encantada pela trajetória de Holly.
Antes de morrer, Gerry deixou para a esposa uma série de cartas que deveriam ser abertas mensalmente, de forma a ajudá-la a encarar o primeiro ano após sua partida. Agora, seis anos depois de Holly ter lido a última carta, ela é obrigada a reviver seu passado doloroso: ao participar de um podcast contando sua experiência com o luto, ela inspira um grupo de pacientes terminais a fundarem o Clube P.S. Eu Te Amo, a fim de prepararem mensagens para seus entes receberem-nas depois que eles morrerem. Eles pedem a ajuda de Holly, mas ela sente que, se aceitar, estará se arriscando a voltar para um lugar ao qual ela não mais pertence.
Diferentemente do primeiro livro, O Clube P.S. Eu Te Amo é narrado em primeira pessoa, fazendo com que eu me sentisse ainda mais próxima de Holly. Algo que me agrada nessa história é o fato da protagonista não ser idealizada, o que significa que ela nem sempre faz as melhores escolhas ou age da forma mais simpática. Ela sofre, erra, aprende e busca seguir em frente de acordo com o que é capaz de lidar em cada momento — e isso nos dá uma sensação de conforto enorme, já que é sempre positivo encontrar uma representação tão humana de alguém. Ainda, a autora mescla diversão e emoção na escrita com habilidade, trazendo passagens ora mais sensíveis, ora mais divertidas. O humor suaviza o tema do luto e torna a leitura mais leve, sem deixar de ser comovente e inspiradora.
“Ela vai sentir a perda e o luto, mas também vai sentir a conexão e o amor, força e escuridão, tristeza e raiva, felicidade e medo. Tudo misturado, um caleidoscópio de emoções que brilham e desaparecem de um momento para o outro.”
(página 331)
A morte é tratada em O Clube P.S. Eu Te Amo sob um olhar cuidadoso. Cecelia Ahern aborda, sim, as dificuldades e dores, mas, para além disso, faz da morte um estágio da vida a que todos nós estamos sujeitos. Eu adorei ver personagens diferentes lidando com o enfrentamento da morte a seu próprio modo. Dessa maneira, a autora conseguiu justificar a existência da continuação: a atitude de Gerry e, em consequência, a compreensão de sua morte, é ressignificada aos olhos de Holly. Com isso, temos também o outro tema do livro, ligado às constantes mudanças da vida. Estamos nos transformando e sujeitos às transformações o tempo todo e, para cada final de ciclo, há um novo começo.
E é claro que, como toda boa continuação, O Clube P.S. Eu Te Amo também proporciona reencontros. Além de matar as saudades de um dos meus casais favoritos, pude também me encantar ainda mais por ele, já que Cecelia Ahern nos presenteia com mais memórias da vida conjugal de Holly e Gerry, inclusive de momentos da adolescência de ambos. Foram passagens que me fizeram sorir, chorar e me sentir ainda mais apaixonada pela história dos dois. Também, adorei reencontrar os demais personagens, especialmente pela passagem de seis anos em relação ao fim do primeiro livro. Dessa forma, o núcleo principal é mais velho do que o comumente encontrado em livros de romance, o que possibilita que sejam demonstrados temas e problemáticas mais típicos de uma fase da vida mais amadurecida.
Por fim, vale dizer que O Clube P.S. Eu Te Amo tem, sim, sua dose de um novo romance, uma vez que Holly está em um relacionamento — e que é afetado por tudo aquilo que ela vive ao longo do enredo. Porém, o foco da história está na protagonista, em seu amadurecimento e constante processo de superação. Assim, virei a última página completamente emocionada. Além do livro ser delicioso de se ler, traz os ingredientes na medida certa para divertir e tocar, o que fez dessa uma das minhas leituras mais inspiradoras do ano.