Há livros que trazem ensinamentos. Outros que meramente contam uma história sem qualquer compromisso. Há livros que cativam, ou que fazem o leitor derramar muitas lágrimas. Porém, até nossos dias, tão poucos livros foram capazes de remodelar a visão dos seres humanos a respeito das múltiplas faces do universo. Sr. Segunda-Feira cumpre essa missão. A partir da primeira página é possível construir uma grande espectativa para os segredos da trama. Ou melhor, a capa em si já desperta a curiosidade, afinal o autor inovou ao utilizar um título tão incomum e efeitos visuais interessantes. Este é um livro misterioso, pois página após página as dúvidas apenas aumentam, e nem mesmo o final é capaz de esclarecê-las. Este é um convite à leitura dos outros volumes da série (de fato, todos os dias da semana estão incluídos). Para quem já teve a experiência de ler os sete de Harry Potter, esta coleção pode parecer cansativa, mas há pouco mais de 200 páginas em cada um.
O universo é regido por sete entidades, chamadas Curadores, que administram a Casa e suas imediações e guardam o Testamento da Arquiteta, criadora de tudo. Sete Curadores, sete chaves de poder. E sete pecados. As virtudes foram aprisionadas, e a negligência dos Curadores fez da Criação uma desordem. Mas eles não governam de acordo com as determinações da lei. Os Curadores tomaram o poder que deveria ser do herdeiro legítimo, e por isso temem que este apareça para reclamar seus direitos. Até que, certo dia, uma das chaves chega às mãos do jovem Artur. E o garoto terá que lutar por sangue e ossos para fazer cumprir o Testamento.
Sr. Segunda-Feira é enigmático e fantasmagórico. A Casa de centenas de andares, as asas de papel usadas por pessoas de sangue literalmente azul, a sociedade que parece uma grande biblioteca autossuficiente, o menino asmático que de repente se torna senhor do universo e um sapo feito de palavras de tinta são elementos de uma literatura fantástica e inédita, que pode assustar o leitor e deixá-lo confuso, mas que certamente o conquistará. Em um estilo tão misterioso quanto o de Sabriel, Garth Nix deu vida a personagens impressionantes e psicologicamente profundos. Este livro me ensinou a deixar as janelas bem lacradas à noite, para que nenhum Buscador com cara de cachorro tente me raptar enquanto durmo.