Mais do que escrever com um olhar imparcial ou ligado aos fatos e apenas aos fatos, observando tudo em termos técnicos, táticos e esportivos, Nelson aproveita o esporte como um pano de fundo, com suas influências "emocionais e extraterrenas", onde é possível analisar os personagens, os detalhes, as situações e até mesmo o brasileiro. O resultado é essa mistura única entre conto e crônica.
A coletânea pega um período bem interessante, de 55 a 59, saindo da dor de cotovelo das Copas de 50 e 54, passando pelo surgimento do Pelé (que já é chamado de Rei pelo Nelson), com a tímida percepção nacional de que vencer a Copa não era impossível e, finalmente, a vitória em 58. Fora o futebol de clubes (ninguém mudará a minha opinião de que o Nelson era um flamenguista disfarçado de tricolor), com amistosos, o Torneio Rio-SP e o Campeonato Carioca.
E apesar de focar no futebol, a coleção passa também pelo boxe, maratonismo, remo, basquete e até os Jogos Infantis e Jogos da Primavera.
Vale muito a leitura!