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    As esganadas -

    Jô Soares

    Companhia das Letras
    2011
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-13: 9788535919752
    Português Brasileiro
    3.6
    6565 avaliações
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    Favoritos371Desejados3507Avaliaram6565

    Em As esganadas, o autor do best-seller O xangô de Baker Street explora mais uma vez tema que lhe é caro: os assassinatos em série. No entanto, tal como Alfred Hitchcock, que desprezava os romances policiais cujo objetivo se resume a descobrir quem é o criminoso (o famoso ''whodonit''), Jô Soares revela logo no início não somente quem é o desalmado como sua motivação psicológica (melhor dizer psicanalítica) para matar. O delicioso núcleo narrativo está nas tentativas aparvalhadas da polícia de encontrar um criminoso que, além de muito esperto e de não despertar suspeita nenhuma, possui uma rara característica física que dificulta sobremaneira a utilização dos novos ''métodos científicos'' da polícia carioca. Para investigar os crimes, o famigerado chefe de polícia Filinto Müller designa um delegado ranzinza, assessorado por um auxiliar obtuso e medroso, e que contará com a inestimável ajuda de um sofisticado e culto ex-inspetor. Na perseguição ao criminoso, os três investigadores ganham a desejável companhia de uma jovem linda, destemida, viajada e moderna, que é repórter e fotógrafa da principal revista ilustrada do país. O leitor também pode se fartar aqui com uma outra faceta constante da obra literária de Jô Soares: a escolha de um momento do passado para cenário de sua narrativa, o que lhe permite entrar em detalhes históricos curiosos enquanto desenvolve a trama. Desta vez, voltamos ao Rio de Janeiro do Estado Novo, tendo por pano de fundo mais amplo o avanço do nazismo e as primeiras nuvens ameaçadoras que anunciam a Segunda Guerra Mundial. Entre os eventos da época que Jô resgata estão uma corrida de automóveis no Circuito da Gávea (de que participam o cineasta Manoel de Oliveira e o lendário Chico Landi) e a transmissão pelo rádio da derrota do Brasil de Leônidas da Silva para a Itália na semifinal da Copa de 1938, na França. Com a verve que lhe é característica, Jô consegue, neste As esganadas, realizar a façanha de narrar uma série de crimes brutais, com requintes inimagináveis de crueldade, e deixar o leitor com um sorriso satisfeito nos lábios.

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    Régis Maz picture
    Régis Maz07/06/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Cômico, satírico e divertido

    Meu primeiro livro de Jô Soares, e acho que comecei com o pé direito. Ganhei As Esganadas há pouco tempo e fiquei encantada com a escrita do Jô. A narrativa bem-humorada, irônica, leve, caricatural, até cinematográfica e cheia de referências históricas casa totalmente com a reprodução que ele faz do Rio de Janeiro no final da década de 1930. Ele nos leva para passear de bonde, visitar um convento, andar pelas avenidas, sentar em cafés e restaurantes, ouvir a transmissão da Copa do Mundo, assistir a uma prova de automobilismo e até a uma ópera, enquanto nos apresenta a capital do país e o contexto histórico do Estado Novo e do governo ditatorial de Getúlio Vargas. Nos faz lembrar um pouco do cenário pré-guerra e discorre sobre o alinhamento do nosso ministro da Cultura com o nazismo, que inclusive ajudou na campanha dos nazistas na divulgação da cultura germânica na América do Sul. Também saltam aos olhos os anúncios de rádio do locutor Rodolpho d'Alencastro, sempre ligando, de forma cômica, notícias sérias a pseudo-remédios que causam riso pelas extensas listas de curas milagrosas que suas bulas alardeiam. Dito tudo isso, a narrativa de Jô cumpriu com seu propósito, fazendo-me sentir no Rio de Janeiro de 1938, através de acontecimentos históricos reais que o autor mescla com a ficção, tornando o livro palatável e imersivo. Quanto aos personagens, gostei muito de acompanhá-los, especialmente o delegado Mello Noronha, o mais bem desenvolvido. Já Steves, Diana e Calixto me pareceram mais superficiais e caricatos. Sobre o vilão: sua identidade é revelada nos primeiros capítulos, o que não me desagrada, considerando o tom cômico da história. Sei que o objetivo de Jô, ao criar Caronte, foi a sátira: um vilão caricato, simbólico e quase teatral. Ainda assim, acredito que o livro se beneficiaria de um maior realismo psicológico, com um vilão mais complexo e uma progressão que tornasse os crimes menos repetitivos. Mas, independentemente do que eu gostaria que fosse diferente, a história que Jô Soares entrega é totalmente divertida e imersiva. Os crimes chocam, a reconstrução de época convence, alguns trechos arrancam gargalhadas, e a mescla de fatos reais e ficcionais funciona e desperta curiosidade. Só posso terminar dizendo que essa não foi uma leitura perfeita, mas foi fluida, divertida e me entreteve bastante, além de despertar minha curiosidade para conhecer outros livros do autor.

    83 curtidas

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    3.6 / 6565
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas3%
    José Eugênio Soares profile picture

    José Eugênio Soares

    José Eugênio Soares, mais conhecido como Jô Soares, foi um humorista, apresentador de televisão, escritor, artista plástico, dramaturgo, diretor teatral, músico e ator brasileiro. Filho do empresário paraibano Orlando Soares e da dona de casa Mercedes Leal, Jô queria ser diplomata quando criança. Estudou no Colégio São Bento do Rio de Janeiro e em Lausanne na Suíça, no Lycée Jaccard, com este objetivo. Porém, percebeu que o senso de humor apurado e a criatividade inata o apontavam para outra direção.[1] Dono de um talento versátil, além de atuar, dirigir, escrever roteiros, livros e peças de teatro, Jô Soares também é apreciador de jazz e chegou a apresentar um programa de rádio na extinta Jornal do Brasil AM, no Rio de Janeiro, além de uma experiência na também extinta Antena 1.

    27 Livros
    714 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    José Eugênio Soares