Resenha publicada originalmente no blog http://conjuntodaobra.blogspot.com
"- Está vendo aquela estrela? - Joe me perguntou, apontando para o astro mais luminoso do céu, depois da lua, respondi que sim. - Ela é a mais brilhante entre todas as outras, que só fazem seu trabalho de maneira apática e tradicional. Ela é especial e se destaca porque é diferente de todas, é a que mais acredita em seu potencial. E isso a faz irradiar.
Aquelas palavras mexeram comigo. Eu estava enfeitiçada pelo discurso poético dele, algo que nunca vira ninguém mais fazendo.
- Vou chamá-la de Eliza."
Eliza sempre teve visões sobre o futuro, mas as visões a haviam abandonado por algum tempo. Quando voltam, vêm assolá-la de uma maneira ainda mais assustadora: um rapaz, de quem ela não se lembra, é sequestrado dentro de um trem... A visão é atordoante e pela primeira vez Eliza não pode ajudar aquele com quem sonhou, já que não sabe quem é, muito menos onde pode estar. Ao menos é o que ela pensa.
Em uma aula de educação física Eliza desmaia, e "sonha" com um lugar diferente, onde está junto ao mesmo rapaz do sonho: Joe. Ele pede sua ajuda, mas diz que não pode revelar nada sobre sua própria vida. Um misto de evidências levam Eliza a descobrir a verdade sobre Joe: Isaac Joseph Carter, seu amigo de infância, seu primeiro amor. Com um motivo a mais para salvar a vida daquele garoto, Eliza deixa a casa onde vivia com sua mãe e sua irmã nos Estados Unidos, vai a casa de seu avô, onde talvez descubra mais sobre Joe, e parte para Bolonha, na Itália, atrás da última chance de ter aquele que ama ao seu lado.
E ela, que parte sozinha para essa aventura, não fica assim por muito tempo: está sempre acompanhada pelos amigos que faz e é auxiliada por seus sonhos e visões, que a guiam em sua missão.
A Destinada, de Paula Ottoni, livro fofo e romântico, parece revelar de cara a personalidade de sua autora, a quem eu descreveria exatamente com as mesmas palavras. Mesmo não conhecendo a Paula, percebe-se que tais características são intrínsecas nela, pois não parece que conseguiu ficar indiferente ao que escreveu na obra. Com um vocabulário rico e uma escrita fluida, a história decorre maravilhosamente bem, e é incontrolável a torcida para que dê tudo certo. Adorei o modo de escrever e desenvolver os pensamentos da Paula, aprofundando-se naquilo que era mais importante e deixando de lado algumas coisas supérfluas.
Todos os pontos tiveram alguma explicação, ainda que não sejam integralmente satisfatórias; soluções que são apenas suposições sem muitas lógicas ou evidências acabam deixando ainda mais perguntas. Como, por exemplo, a forma como Joe sabia as "regras" dos sonhos, ou o porquê de um "estar vidente" para Eliza, entre outras coisas que poderiam ser melhor desenvolvidas. Outra coisa que ficou um tanto estranha foi a questão da divisão da herança após o desenrolar dos acontecimentos, já que os aspectos penais, pelo menos no Brasil, não influenciam nas questões civis de sucessão (coisa de estudante de direito).
Os personagens foram bem construídos em sua essência, física e psicológicamente. Adorei principalmente vovô Robert e Vicky, que lembram detalhes de minha própria vida. Queria ter conhecido um pouco mais de Joe no presente; o que fazia, como pensava. Sobre ele, o foco ficou apenas na relação com Eliza, mas não em sua própria vida. Tal aspecto pode ter se desenvolvido dessa forma em virtude da narração em primeira pessoa. Sobre a protagonista, é perceptível sua evolução durante a trama, já que no começo parecia uma adolescente reclamona, mas que se tornou uma mulher decidida e forte.
Afora os poucos detalhes que ficaram vagos, a leitura foi divertida e relaxante, romântica na medida certa e ótima companhia para os momentos de lazer.