Confesso que fantasia não é um gênero que eu leio muito. Também não leio muitos livros infantis e adolescentes, estou tentando me abrir para isso através da caixa mensal do Turista Literário, um projeto YA que visa dar um sentido mais completo à leitura, estimulando os cinco sentidos. Escrevo sobre o projeto porque, sendo tão bem feitinho, me aproximou do universo jovem adulto e também me fez ser mais receptiva a livros infantojuvenis e este da Elaine Samuel, que morava na minha estante há um ano, teve a sua vez.
Fiquei muito surpresa: a narrativa da autora me encantou tanto, que li 10 capítulos direto e só parei porque era hora do jantar! Adoro capítulos curtos e a linguagem direta e simples da Elaine, longe de ser boba - coisa que vejo em alguns livros destinados ao público jovem - é divertida e entusiasmada. A ambientação é descrita na medida certa: suficiente para que se possa imaginar o cenário, mas não descritiva em excesso a ponto de ser cansativa. A personalidade dos personagens principais é bem definida; quando eles se manifestam já dá pra saber quem é quem pelo jeito de se expressar. É um ponto muito positivo no livro, pois os aproxima ao máximo de pessoas reais. E os elementos da história, embora não sejam novidade na fantasia, são colocados de forma harmoniosa na trama.
Também me surpreendeu que um livro independente tenha sido tão bem revisado: achei dois ínfimos erros.
Um dia eu manifestei, numa discussão em grupo sobre literatura nacional, que nem todos que publicavam livros eram escritores. Elaine Samuel é, não só uma escritora, mas uma grande contadora de histórias. "Em busca do amuleto de Aloni" é daquelas narrativas para se ouvir numa roda com toda a família.