Aníbal, considerado um dos maiores estrategistas militares de todos os tempos e retratado neste romance de Ross Leckie de uma forma que prende a atenção do leitor acostumado às guerras via satélite pela televisão. Numa mistura de ambição, violência e intrigas, o autor constrói de forma impressionante a personalidade desta figura notável, que derrotou os romanos algumas vezes nas chamadas guerras púnicas e desenvolveu estratégias militares que seriam seguidas por muitos séculos
Aníbal -
Ross Leckie
AQUI... É... CARTAGO!
Aníbal é um livro de ficção histórica, ambientado na época do império Romano e narrado em primeira pessoa pelo personagem homônimo, como se fosse um diário de memórias, lembrando uma biografia. Esse foi um dos livros mais violentos da minha vida, e, ao mesmo tempo, extremamente bem escrito, digno dos grandes mestres do gênero, o que tornou a minha experiência ainda mais interessante, em se tratando de um livro desconhecido, sem versão gratuita para kindle e só encontrado num sebo com vendas online. O livro narra as batalhas de Cartago, liderada por seu general Aníbal, contra seus inimigos, sendo o maior deles o império Romano, nas chamadas guerras púnicas. Ele começa com o general ainda menino em suas primeiras lutas, acompanhado por seu pai, Amílcar, que lhe transmite as táticas de guerra e o ódio aos romanos que o seguirão até o resto dos seus dias. As cenas de batalha são simplesmente eletrizantes; me senti obrigado a queimar páginas num piscar de olhos. A selvageria que imperava na humanidade era algo sem precedentes, não havia perdão aos inimigos derrotados no campo de batalha; a crueldade do vencedor se alinhava às mais criativas maneiras de trucidar corpos, numa tentativa de intimidação aos que se candidatassem ao enfrentamento. Apesar do teor bélico, o livro também tem relacionamentos amorosos e familiares, conflitos psicológicos e demonstrações de amizade, além de uma provocação filosófica sobre autoconhecimento e sobre saber onde se quer chegar, suas motivações e o que acontece quando se chega ao topo da cadeia alimentar. Um capítulo magistralmente escrito narra o casamento de Aníbal com Silmice, filha de um chefe de tribo espanhol. Aníbal, então com 28 anos e já general do exército cartaginês, se apaixona após vê-la dançando numa festa, e a pede em casamento ao seu pai. Depois da lua de mel, Silmice resolve seguir o marido no campo de batalha, e com sua inteligência logística, o exército se torna ainda mais imbatível. Respeitei. O ápice acontece quando o exército de Aníbal consegue atravessar as montanhas geladas dos Alpes durante o outono, para então chegar à Itália e assim surpreender as legiões romanas, impondo derrotas esmagadoras a um inimigo até então invicto. Contudo, certas passagens desse capítulo são tão brutais e tristes que afetaram meu espírito. Tive que parar, respirar fundo e seguir em frente, já que faltava tão pouco para o final. E, no fim de tudo, o livro se manteve fiel à história, com a queda de Cartago, já exaustivamente registrada em livros, no wikipedia e nas séries de tv. Enfim, um livro que me prendeu até a última página, e, se há alguma coisa do que se queixar, é que eu gostaria que tivesse umas cem páginas a mais. Até aqui, foi a surpresa literária de 2021, num ano cheio de altos e baixos.
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