Se você gosta de histórias mágicas, inteligentes e com um ar cômico esperto, considerará o livro de Diana Wynne Jones tão maravilhoso quanto eu o achei.
Com pouco menos de 200 páginas, é uma leitura fluída e bem atrativa, em terceira pessoa e que narra os acontecimentos de forma suficientemente detalhada, acrescentado características dos lugares e pessoas sem exagerar. O tom da história é tão bom que você vê os personagens ganhando vida na sua imaginação, cada um com seu jeito próprio de ser e isso foi feito pela autora de maneira tão aprofundada que, apesar de todos os personagens focarem no que acontece em torno do lugar principal, eles têm personalidades incrivelmente fortes, mas de um jeito leve, afinal, é um livro infanto-juvenil, sobre aventura e magia.
Assim que passei da primeira página me vi encantada pela história de Andrew, um acadêmico de história de uma Universidade que acaba herdando a antiga propriedade misteriosa de seu avô após encontrar o fantasma dele na estrada. Curioso quanto ao estranho envelope dourado que ele segurava, Andrew decide ir morar na casa onde o avô morava e começa a relembrar coisas peculiares de sua infância, as quais havia esquecido.
"Andrew sentiu-se ficando mais alto que Groil. Era um tronco poderoso, imensos galhos retorcidos, ramos de raios e milhares de folhas crepitando com força. Sua mente trovejava. Ele lutou para encontrar uma voz que as pessoas compreendessem. Lutou para encontrar o próprio cérebro. Era um frágil vestígio de uma mente humana, mas ele o encontrou e agarrou-se a ele. Então apontou um dedo, ou talvez um galho, para o Sr. Brown, agora quase ao seu lado na plataforma
- Rei errante - trovejou ele."
Também temos Aiden na história, um menino cuja avó também morreu, está um tanto perdido pelo mundo, exceto pela certeza de que deve ir até a casa de Jocelyn Brandon, o avô de Andrew e pedir por ajuda. É através dele que Andrew começa a rever o que tinha esquecido e se lembrar do quanto a propriedade é especial e do quanto é importante que ele a mantenha protegida e principal, o colorido e chamativo vitral que fica na porta da cozinha.
"Aidan desceu o morro e seguiu na direção do bosque, pensando que, para ser justo, Stashe não tivera pena dele. Na verdade, tampouco Andrew. Ambos haviam compreendido como ele se sentia, e tomaram o cuidado de não aborrecê-lo. Aidan ansiava por alguém que não compreendesse."
Acontece que, a tarefa de cuidar de tudo passou para ele assim que Jocelyn morreu, pois ele era um mago muito poderoso e conhecido, com uma área mágica de proteção tão extensa que abrange até os dias atuais da história uma grande área ao redor da antiga casa, incluindo a pequena cidadezinha onde ela se encontra e com isso, é capaz de dar mais vida à região, seja aos seus moradores, seja às habilidades que eles possuem, deixando a cidade e a área ao redor com uma atmosfera de paz e magia. Assim, o avô de Andrew ela considerado o protetor disso tudo, assim como os outros Brandons antes dele e para isso, dependiam do extremo cuidado àquele vitral mágico que mais tarde, mostrou-se muito mais importante do que à primeira vista.
Assim, Aiden ao chegar no lugar encontra Andrew ao invés de Jocelyn, que assim como seu avô, se vê no dever de protegê-lo das forças estranhas e misteriosas que rondam a vida do garoto e agora, a propriedade. Muito além do que imaginavam, os dois entram em uma reviravolta cheia de magia, criaturas estranhas e um rei arrogante e poderoso. Tudo isso é fantástico e tudo isso acontece na casa do avô e dos ancestrais de Andrew, o que só torna as coisas mais interessantes, pois cada partezinha colocada no enredo tem uma história significativa.
A narrativa flui rápida e foi difícil deixar o livro de lado por muito tempo. É um livro leve e encantador, mas com um tom adulto e maduro que só esse tipo de história é capaz de ter. Fiquei fascinada com a maneira como Diana Wynne Jones criou e conduziu tudo, ainda não havia conhecido seu trabalho, mas depois de O Vitral Encantado, com certeza virei uma grande fã.