O que falar dessa maravilha? Lu Piras, você conseguiu, mais uma vez! Acabei esse livro com uma emoção tão enorme que estou até agora deitada no chão com o ipad na mão, digitando freneticamente porque a necessidade de contar e falar para todo mundo o quanto esse livro é bom e o quanto a história de Benjamin é surpreendente, é imensa. Impossível largar, impossível não entrar de cabeça nessa história e impossível não se emocionar.
Benjamin González Delamy, nome em homenagem ao seu avô materno, nasceu em 1976 e aos três anos de idade teve poliomielite espinhal e, em decorrência da doença, acabou sofrendo paralisia. As consequências agora eram irreversíveis. O prognóstico que recebeu do médico era que o seu futuro seria tornar-se cada vez mais incapaz de administrar a deficiência.
"Sete minutos era o tempo que um desconhecido levava para satisfazer sua curiosidade sobre mim. A má-formação dos meus pés sempre causou dó, constrangimento, espanto, repugnância e, principalmente, medo nas pessoas"
Aos 12 anos de idade, já cansado de se sentir um lixo tóxico, já que era assim que as pessoas o viam e, com o intuito de se livrar do dano psicológico que estava sofrendo com essa constante repulsa, Ben decide que a melhor forma de fazer isso era se livrando dos seus membros.
"Não estava decidido a corrigir a minha assimetria para viver melhor no futuro. Estava decidido a eliminar a minha deformidade porque ela era horripilante, a ponto de não permitir às pessoas aproximarem-se de mim"
Foi um choque total a reação de seus pais. Eles sempre apoiavam o filho e nunca o deixava desistir, porém, achavam que aquela decisão era muito importante para ser tomada naquele momento, pois afinal de contas, ela era muito importante e ele podia se arrepender mais tarde. Assim eles firmam um trato:
"Se prometer que irá conosco fazer a matrícula naquele colégio, nós prometeremos pensar mais na autorização para esse ato de coragem que quer fazer"
As consequências desse acordo não apenas modificou a vida de Benjamim, como determinou o seu futuro.
Ben nunca tinha frequentado uma escola e foi muito difícil para ele ser aceito pelos alunos do Colégio Santa Maria Imaculada inicialmente. As crianças reagiam como se ele ainda carregasse um vírus contagioso que só de toca-lo iriam contrair a doença. Além de sofrer esse bullying, Ben não podia participar das aulas de educação física já que, por natureza, devia ser excluído, mas, também era a única matéria na qual podia se superar. Sua única saída era passar o tempo das aulas na biblioteca, onde ele acabou fazendo uma amizade enorme com a irmã Luzia e descobre os livros científicos.
Em uma dessas tardes na biblioteca, Ben aprende sobre a teoria da relatividade de Einstein, chegando a conclusão de que não podia mais ficar parado naquela cadeira de rodas, simplesmente esperado o tempo passar por ele. Ele precisava disputar com ele, tentar ser mais rápido que ele, atingir a velocidade da luz, fazer o tempo parar. É nesse momento que Ben decide que quer se tornar um corredor profissional.
"Eu quero ser tão rápido que o tempo seja lento!Não quero que o tempo passe por mim, quero passar por ele e só...correr, correr, correr..."
A vida de Ben muda mais um pouquinho quando em um certo dia, decide não descer para o intervalo já que todo o processo de chamar o elevador e se locomover tomaria muito tempo. Ao deliciar o seu sanduíche de frango Ben leva um susto quando alguém entra correndo na sala de aula que estava.
"Ela tinha sardas no alto das bochechas, que se tornaram rosadas quando sorriu pra mim. Era a primeira vez que uma garota sorria sem demonstrar nervosismo, compaixão ou mera simpatia."
Seu nome era, Angelina Schmidt. Ela se tornou a sua fiel amiga e protetora.
Depois de ser incluído na aula de educação física com a ajudinha da irmã Luzia, Ben passa a ser ajudante do professor Marcos para treinar o time de futebol. Aos poucos Ben é aceito pelos alunos e vai conquistando cada vez mais amigos.
A sua felicidade não poderia ser maior quando os seus pais ficam convencidos de que a sua amputação traria muito mais benefícios do que sacrifícios a ele e que ele poderia viajar com os seus amigos para Paraty na excursão escolar.
Tudo ia bem até Ben receber uma notícia ruim durante a excursão: Angelina teria que se mudar para a Alemanha. Seu pai conseguiu a sua guarda já que a mãe tinha problemas com o álcool. Entre todos os seus amigos, Angelina era a única pessoa que Ben não conseguia classificar, mas ele sabia que ela era uma pessoa especial e não queria que ela fosse embora.
"Para mim, tudo o que eu e Angelina vivemos fora para lá de especial,pois éramos duas crianças para lá de especiais. E, se uma irmã havia me dito isso, era para acreditar."
Após Angelina ir embora, Ben faz a cirurgia e finalmente poderia calçar o tão sonhado All Star. Logo depois o leitor é levado para alguns anos mais tarde onde Ben já esta com 22 anos, cursando o curso de Agronomia na faculdade e batalhando para atingir o seu sonho de se tornar não só um corredor profissional mas também o campeão das Olimpíadas. O pingente que havia ganhando de Angelina anos atrás era uma das suas maiores motivações.
"Quanto mais a ciência e a tecnologia me aproximavam da minha metade cibernética, mais eu me convencia da ideia de que poderia me tornar invencível"
Olha preciso confessar que eu quase tive um treco com as reviravoltas! Os últimos capítulos então... nem se fala, rsrs. Mesmo a Lu Piras dividindo o seu livro em 3 partes com diferença de 10 anos entre eles (1988, 1998 e 2008), não houve perda nenhuma em relação ao conteúdo e muito menos uma quebra na história, muito pelo contrário. A impressão que eu tive era que o livro ganhava uma nova intensidade, fazendo minha curiosidade ficar cada vez maior, virando página após página 'sofrendo' junto com o protagonista. Super... pera, deixar eu repetir para enfatizar... SUPER recomendo esse livro!!
Obrigada, Lu Piras, por mais uma história maravilhosa