É impossível negar as belezas e o encanto do Rio de Janeiro, essa cidade única que encanta a todos. De uma beleza indescritível, esse é o Rio de Janeiro, um dos berços culturais do nosso país. Neste ano, o RJ completou quatrocentos e cinquenta anos e recebeu uma linda homenagem feita pelo escritor Alexandre Kostolias.
O escritor A. Kostolias escreveu uma coletânea seis contos que invocam e retratam o melhor do estilo carioca de viver e sentir. A maioria desses contos foi baseada em fatos reais, que o próprio autor presenciou e personagens que teve a sorte de conhecer, e outros inspirados em histórias compartilhadas por sua mãe, à quem dedica o livro.
Kostolias fez um excelente trabalho ao escrever esses contos que funcionam como uma linha do tempo do RJ, juntando passado, presente e futuro sem perder a essência do estilo carioca. Com uma riqueza enorme de detalhes, o autor descreve o Rio de maneira impar e encanta o leitor. Ressalto também o capricho do autor, em relação aos personagens, que foram muito bem construídos e elaborados.
Não vou me atentar e analisar os contos contidos nesta obra. Todos são excelentes e eu não me sentiria bem em dar atenção a um conto especifico. Cada conto tem as peculiaridades, seu clímax, seus personagens marcantes, por isso é impossível falar somente de um.
Se vocês querem uma leitura gostosa, leve, divertida e que te faça viajar, o livro “Rio em seis tempos” é a pedida certa. Você vai se encantar e terá um prazer indescritível ao ler esta obra. E não tenham receio de ler esse pelo autor não ser muito conhecido. Ele fez um excelente trabalho e uma belíssima homenagem ao Rio de Janeiro.
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Rio em Flor de Janeiro
Carlos Drummond de Andrade
A gente passa, a gente olha, a gente pára
e se extasia.
Que aconteceu com esta cidade
da noite para o dia?
O Rio de Janeiro virou flor
nas praças, nos jardins dos edifícios,
no Parque do Flamengo nem se fala:
é flor é flor é flor,
uma soberba flor por sobre todas,
e a ela rendo meu tributo apaixonado.
Pergunto o nome, ninguém sabe. Quem responde
é Baby Vignoli, é Léa Távora.
(Homem nenhum sabe nomes vegetais,
porém mulher se liga à natureza
em raízes, semente, fruto e ninho.)
Iúca! Iúca, meu amor deste verão
que melhor se chamara primavera.
Yucca gloriosa, mexicana
dádiva aos canteiros cariocas.
Em toda parte a vejo. Em Botafogo,
Tijuca, Centro, Ipanema, Paquetá,
a ostentar panículas de pérola,
eretos lampadários, urnas santas,
de majestade simples. Tão rainha,
deixa-se florir no alto, coroando
folhas pontiagudas e pungentes.
A gente olha, a gente estaca
e logo uma porção de nomes populares
brota da ignorância de nós todos.
Essa gorda baiana me sorri:
– Círio de Nossa Senhora… (ou de Iemanjá?)
– Vela de pureza, outra acrescenta.
– Lanceta é que se chama. – Não, baioneta.
– Baioneta espanhola, não sabia?
E a flor, que era anônima em sua glória,
toda se entreflora de etiquetas.
Deixemo-la reinar. Sua presença
é mel e pão de sonho para os olhos.
Não esqueçamos, gente, os flamboyants
que em toda sua pompa se engalanam
aqui, ali, no Rio flóreo.
Nem a dourada acácia,
nem a mimosa nívea ou rósea espirradeira,
esse adágio lilás do manacá,
esse luxo do ipê que nem-te-conto,
mais a vermelha aparição
dos brincos-de-princesa nos jardins
onde a banida cor volta a imperar.
Isto é janeiro e é Rio de Janeiro
janeiramente flor por todo lado.
Você já viu? Você já reparou?
Andou mais devagar para curtir
essa inefável fonte de prazer:
a forma organizada
rigorosa
esculpintura da natureza em festa, puro agrado
da Terra para os homens e mulheres
que faz do mundo obra de arte
total universal, para quem sabe
(e é tão simples)
ver?