O Inverno que não acabou e outros contos

    Adriano de Andrade

    Novo Século
    2015
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788542806601
    Português Brasileiro

    Um homem lutando contra as suas – amargas – lembranças; um psicopata oculto perturbando sua vítima em um cenário obscuro; dois mundos distintos que seguem caminhos paralelos e quase se cruzam; um erotismo imaginário preenchido com sofrimento alheio; o sonho perdido de uma criança e o vício na vida de um gênio. Elementos que compõem as narrativas curtas deste livro; uma seleção de contos para colocar suas sensações à flor da pele. Em um universo que percorre diferentes cenários relacionados às aflições que cercam o indivíduo, O inverno que não acabou e outros contos revela a eterna alternância dos sentimentos que resumem a esperança e a descrença na atitude humana.

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    Daiane Moura picture
    Daiane Moura13/12/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A beleza e obscuridade do cotidiano são descritos nos contos deste livro.

    Esta obra é a tradução da vida humana, dos sentimentos que acompanham nossos dias, fatos que nos deparamos. Nela é possível observar a dinâmica dos relacionamentos amorosos e familiares, o desespero, a ganância e muitos outros. Escrito de forma clara e agradável as situações mais comuns são retratadas, escavando as emoções humanas e expondo a forma como elas afetam as pessoas. O livro não é focado em polemizar, embora alguns assuntos tratados possam ser considerados polêmicos, mas sim nos momentos mais corriqueiros, tanto bons, como ruins. Violência doméstica, ciúmes, decepções, escuridão, pobreza, vícios, loucura, sedução, abandono, nostalgia, reencontros são alguns assuntos tratados nestas páginas. A linguagem leve possibilita uma leitura diferente. Posso afirmar que de todos os livros de contos que já li este foi o que mais me cativou. Atribuo isso ao equilíbrio entre humor e descontração para tratar de assuntos sérios, e mesmo nos contos mais sombrios, a linguagem ainda se sobressai, engrandecendo a experiência do leitor. O autor soube mostrar todas as belezas do dia-a-dia que acabam se perdendo na correria diária. E também o quanto a mente humana pode ser sombria e assustadora em determinados momentos. A vida corrida, quase sempre na busca pela materialidade, nos atinge com uma cegueira temporária seletiva. Enxergamos o que fazemos e vivemos, mas não o que tudo isso significa. Perdemos o tato de apreciar a obra de arte que é a nossa jornada na terra. Não deixamos tempo para observar a verdadeira beleza ao redor. E é isso que Adriano nos traz: que podemos tirar algo interessante desses momentos que passam despercebidos. Os meus contos favoritos foram: Conversa de asfalto, que usa seres inanimados para ilustrar os ciclos da vida, e Roda de amigos, que fala sobre reencontros e aceitação. Sobre a importância de respeitar os semelhantes. A capa dá uma ideia de um livro sombrio, e embora alguns contos possam ser considerados perturbadores, não há apenas este formato, logo irá agradar um público mais vasto. Recomendo a leitura. Aproveitem a leveza e beleza dessa obra e reflitam sobre aquelas pequenas coisas que nos esquecemos de pensar no dia-a-dia, mas são extremamente importantes. Quote: “As marcas que você carrega revelam o quanto você foi útil na vida de muita gente.”

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