"A verdade é que todos nós sobrevivemos ao caos, sabendo muito bem que há pessoas morrendo, sendo espancadas, violentadas, mas nossas vidas seguem como se não nos importássemos."
Resenha:
Bem escrito, bastante semelhante a casos policiais que vemos nas séries de TV. Em alguns momentos previsível e outros, nem tanto.
Um assassino em série está solto na cidade de Othonville (cidade brasileira fictícia) e isso tem mobilizado todos os moradores. A cada corpo, um sinal deixado a números, uma pista direta do assassino tentando se comunicar com alguém. Quem seria?
John Alexander é professor de matemática na faculdade de Othon e quando finalmente se dá por curioso em relação ao que acontece, descobre que as diversas pistas apontavam diretamente para uma pessoa: ele. Uma possível vítima futura.
Da primeira vítima, encontrou-se inicialmente somente a cabeça. Da segunda, o corpo com sangue parcialmente drenado. O terceiro, morto com uma pancada forte na cabeça. Todos com uma série de símbolos cravados no peito por algum objeto pontiagudo.
As equipes de investigação entram em ação. Sempre sendo questionadas pela população. Todos os atos do assassino eram alimentados pelo sensacionalismo da imprensa e a ideia de se tornar mais uma vítima deixa John cada vez mais eufórico. Um telefonema direto do assassino piora ainda mais as coisas. Sua vida tinha data de validade e o prazo seria até o final do mês.
Charles é chefe da perícia e trabalha diretamente com as pistas do assassino e, assim que descobre a quem se relacionam, entra em contato direto com John, que acaba por se tornar um possível suspeito dos assassinatos.
Quando o rapaz consegue provar sua inocência, ambos começam a trabalhar quase secretamente juntos na tentativa de tentar decifrar o ocorrido e quem seria a pessoa por trás do logo "Number", jeito "carinhoso" de nomear o assassino dos números.
O livro varia entre a primeira pessoa, do ponto de vista de John, e a terceira, mostrando como as coisas se desenvolvem na delegacia. Sendo assim, a escrita é bastante simples e cotidiana, tornando a leitura bastante rápida.
Em alguns momentos é possível estabelecer possíveis suspeitos e até mesmo desvendar quais sejam as pistas, logo que as três últimas eu cheguei a algo bem próximo do que foi de fato proposto pelo assassino. Devido as várias temporadas de séries criminais? Talvez, contudo o assassino sempre está a um passo a frente.
A reviravolta que a história trás é muito legal, o que eu poderia comparar, em vulgo, ao filme "Truque de Mestre". Abri sem querer o livro uma hora na página errada e podia jurar ter pego um baita spoiler. Sim, eu peguei, mas tinha ainda um algo a mais depois daquilo.
O livro faz uma analogia bem interessante quanto aos crimes e a impunidade, o modo como o alto poder aquisitivo pesa na balança e pode não só cegar a polícia como amarrar as mãos da justiça.
Como já dizia George Orwell (A revolução dos bichos): "A massa mantém a marca. A marca mantém a mídia. A mídia controla a massa."