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    Memórias sentimentais de João Miramar -

    Oswald de Andrade

    Companhia das Letras
    2016
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788535927412
    Português Brasileiro
    3.5
    97 avaliações
    Leram147Lendo7Querem101Relendo0Abandonos3Resenhas15
    Favoritos3Desejados101Avaliaram97

    Marco do modernismo, o romance de Oswald de Andrade não envelheceu uma vírgula e continua sendo objeto de culto entre leitores e escritores contemporâneos. Desde sua publicação, em 1924, Memórias sentimentais de João Miramar vem sendo saudado como um dos textos mais instigantes da prosa brasileira. Construído a partir de 163 fragmentos de gêneros diversos, o romance de Oswald de Andrade é um dos abre-alas do modernismo e um precursor das poéticas contemporâneas. O romance retraça a vida de João Miramar, uma espécie de caricatura do homem das classes mais favorecidas - herdeiro da cultura do café, fascinado pelas coisas estrangeiras, distante do cotidiano brasileiro. É uma sátira, selvagem e por vezes melancólica, do veio memorialista da literatura brasileira, em que os filhos das famílias mais abastadas reescrevem sua própria trajetória.

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    Izabel de Rohan picture
    Izabel de Rohan14/12/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Vale muito a pena

    Um marco - e, na minha opinião, o melhor - de sua época modernista, Memórias Sentimentais de João Miramar A história da ficção brasileira começa no romantismo, por volta de 1840, em um momento decisivo na história do país, em nosso primeiro momento moderno, sobretudo no Rio de Janeiro, cidade da monarquia portuguesa, que recebeu muitas novidades da Europa. O nosso romance é principalmente importado. Os romances vendidos eram importados, assim como o modelo. Claro que criamos nossa literatura, ela se desenvolveu, isto é, tivemos uma transgressão à norma, mas verdadeira transgressão ruidosa foi o movimento modernista. O movimento modernista veio como uma forma de provocar o estranhamento, o choque, um contraste ridículo com o folhetim, literatura anterior e que visava, sobretudo, o lucro. O modernista não buscava vender, Mário de Andrade imprimiu seu próprio livro e o entregou a críticos e pessoas da área. Não era para o grande público. A verdade é que Memórias Sentimentais de João Miramar e Macunaíma - clássicos do modernismo - não são simples, não são fáceis, não possuem frases compreensivas e quebram muitas regras dos cursos de escrita como “descreva o local e os sentimentos, não diga”, afinal “nos mudamos para a sala do quintal onde tinha uma figueira na janela” (p. 34) mal descreve e, ao mesmo tempo, descreve perfeitamente a simplicidade de uma criança, que é quem narra essa passagem. Além disso, esses livros dificílimos, em sua época, não foram best sellers, não eram o que o leitor queria. Com sua linguagem nada oral, mas ainda uma obra aberta. Com muitas elipses, João Miramar conta sua história, a história de um homem não-nobre, o que faz questionar o romantismo se ele merece ter suas memórias escritas. Enquanto Macunaíma é excesso, Memórias Sentimentais de João Miramar busca a velocidade através da falta de excesso, pela quase escassez. Sua filha nasce em um capítulo de quatro palavras: “Minha sogra ficou avó”. É necessário que o leitor preencha as elipses, interprete além da conta. Além disso, muitas vezes o autor suprime a pontuação, aumentando a velocidade das orações. Oswald de Andrade escreve em convites, anúncios, diálogos, cartas, poemas, citações, relatos de viagem e discursos. Também adiciona brincadeiras fonéticas que são interessantes, como: “A noite/O sapo o cachorro o galo e o grilo/Triste tris-tris-tris-te/Uberaba aba-aba/Ataque e o relógio taque-taque/Saias gordas e cigarros”, fazendo ficção com algo muito diferente dos moldes.

    6 curtidas

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    Avaliações

    3.5 / 97
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas30%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas8%
    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira  profile picture

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira

    Articulador e ativo participante do modernismo lançado em 1922, Oswald de Andrade foi o escritor mais rebelde de todo o movimento e o que mais tendeu, em sua prática, à formulação de utopias. Assumindo posturas radicais de esquerda, quis revolucionar não só a arte, mas também os costumes, as instituições e a vida social como um todo. De família rica, José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São Paulo SP em 11 de janeiro de 1890. Iniciando-se no jornalismo em 1909, como crítico teatral, em 1912 viajou pela primeira vez à Europa, de onde voltou com uma estudante francesa, Kamiá, a primeira de suas várias mulheres, e novidades de vanguarda como o "Manifesto futurista" de Marinetti. Bacharel em direito (1918), tornou-se amigo de Mário de Andrade, a quem lançou pelo Jornal do Comércio através do artigo "O meu poeta futurista". Em 1923, passou nova temporada na Europa, vivendo com a pintora Tarsila do Amaral, com quem mais tarde formalizaria o casamento. Lá conheceu importantes renovadores das linguagens artísticas, como Picasso, Blaise Cendrars, Erik Satie, Léger, Cocteau e Brancusi. Em 1924, publicou Memórias Sentimentais de João Miramar, um de seus livros mais conhecidos, e o "Manifesto da poesia pau-brasil", de ampla repercussão. Em Paris publicou Poesia pau-brasil (1925). Após viajar pelo Oriente Médio, retomou em São Paulo a atividade jornalística e lançou A estrela de absinto (1927; um dos romances da Trilogia do exílio). Colaborador assíduo dos principais veículos da pregação modernista, como as revistas Klaxon e Verde, fundou em 1928, com Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado, a Revista de Antropofagia, que já em seu número inicial divulgou um dos textos mais polêmicos de Oswald, o "Manifesto antropófago". Dissidente, a essa altura, do grupo mais ligado a Mário de Andrade, lançou nesse texto, "contra todos os importadores de consciência enlatada", um de seus lemas de maior futuro: "Tupy or not tupy, that is the question." Em 1931, ingressou no Partido Comunista Brasileiro e começou a escrever sobre política. Separado de Tarsila e vivendo com Patrícia Galvão (Pagu), precursora do feminismo, fundou com ela O homem do povo, periódico de curta duração que pregava a luta operária. Casou-se outras duas vezes, candidatou-se em vão à Academia Brasileira de Letras e publicou intensamente: Serafim Ponte Grande (1933), O homem e o cavalo (1934), A escada vermelha (1934), A morta (1937), O rei da vela (1937), Marco Zero: a revolução melancólica (1943). Sempre rebelde e contestado por seus contemporâneos, Oswald de Andrade morreu em São Paulo em 22 de outubro de 1954, ano da publicação de suas memórias, Um homem sem profissão, sob as ordens de mamãe. Cerca de dez anos depois, sua obra nada canônica começou a ser revalorizada pelos intelectuais concretistas e pelos movimentos de poesia jovem

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    São Paulo, Brasil

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira