A história é narrada em terceira pessoa e traz lições maravilhosas sobre a humanidade. Tudo começa com Max, um astronauta que se encontra em órbita, em uma missão para colonizar a lua com robôs que ele mesmo projetou.
“Dentro da sua cabeça, entretanto, Maxon se pegou pensando em seu lar. Com seus longos pés flutuando atrás de si, segurou a janela arredondada com as mãos e se firmou nela. Olhou para a Terra. Lá longe, a quilômetros gelados de distância, a Terra fervia coberta de nuvens. Todos os países formavam um só borrão embaixo daquela faixa branca. Sob a camada tempestuosa, as cidades daquele mundo se moviam de forma barulhenta e ardiam, conectadas por estradas, por cabos. Na Virgínia, Sunny, sua esposa, caminhava, vivia e respirava. Ao seu lado, o pequeno filho dele. Dentro, a pequena filha dele. Maxon não conseguia vê-los, mas sabia que estavam lá.”
Em seguida, o leitor é convidado a acompanhar a vida de Sunny, do seu nascimento até a vida de esposa. Conforme a sinopse explica, Sunny é careca e essa condição a acompanha desde sempre. Vemos como a personagem cresce com esse estigma e a necessidade de ocultar tão característica. Afinal, ela foi criada para ser a filha perfeita e depois, a mulher perfeita e a mãe perfeita.
Sunny casou-se com Max e enquanto o marido está em órbita, ela é a responsável por criar seu adorável filho, que é autista e também sua mãe, que está doente. Como se isso não bastasse, Sunny está grávida novamente.
Então, de certa forma, a trama trabalha duas esferas: o cotidiano na Terra, onde temos Sunny e seus obstáculos e a esfera mais filosófica, trabalhada do ponto de vista do astronauta. Na Terra, vemos Sunny equilibrar tudo sozinha e lutar diariamente para manter tudo em ordem. Para os demais, ela é a esposa perfeita, que consegue lidar com tudo e ainda por cima apoiar a missão do marido. Mas quando um dia, a peruca que usa para ocultar sua calvície cai em público, Sunny começa a ser vista de forma diferente e precisa aprender que às vezes, se colocar em primeiro lugar não é uma má ideia. E também que não é errado não ser perfeita e que viver rodeada de imperfeições é muito mais gratificante.
“Esta é a história de um astronauta que se perdeu no espaço — e da mulher que deixou para trás. Ou esta é a história de um homem corajoso que sobreviveu à catástrofe do primeiro foguete enviado ao espaço com a intenção de colonizar a Lua. Esta é a história da raça humana, que enviou um pequeno estilhaço insano de metal e algumas células pulsantes aos negros confins do universo na esperança de que esse estilhaço atingisse alguma coisa e se firmasse ali, de que as pequenas células pulsantes conseguissem sobreviver. Esta é a história de uma protuberância, um broto, da maneira como a raça humana tentou se subdividir, do broto que lançou ao universo, do que aconteceu a ele e do que aconteceu com a Terra também — a mãe Terra — depois que esse broto se rompeu.”