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    Lugares Distantes - Como Viajar Pode Mudar o Mundo

    Andrew Solomon

    Companhia das Letras
    2018
    582 páginas
    19h 24m
    ISBN-13: 9788535929270
    Português Brasileiro
    4
    68 avaliações
    Leram87Lendo32Querem486Relendo1Abandonos21Resenhas5
    Favoritos10Desejados486Avaliaram68

    Andrew Solomon — um dos pensadores mais originais de nossa época — reúne neste livro escritos sobre lugares que passaram por abalos sísmicos culturais, políticos ou espirituais. Passando por lugares tão diversos quanto África do Sul, Brasil, China, Romênia, Ilhas Salomão, Equador, Taiwan, Mongólia, Antártica e Líbia — foram sete continentes e 83 países —, esta coletânea traz uma janela única sobre a própria ideia de transformação social, vista sobretudo pelos olhos das pessoas comuns. Figuras como ex-prisioneiros políticos, vítimas de estupro, garçonetes trans, xamãs e outros excluídos da sociedade são boa parte das fontes do autor. Com seu brilhantismo e compaixão característicos, Solomon demonstra tanto como a história é alterada por indivíduos quanto como as identidades pessoais são alteradas quando governos mudam.

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    Suzani07/12/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Lugares distantes, mas nem tanto…

    Iniciei a leitura desse livro imaginando uma divertida empreitada com a mistura da narrativa fluida de Solomon e de amenidades de viagens, o que certamente me proporcionaria bons momentos, como apreciadora de uma boa viagem. Surpreendentemente, me vi cercada de muita história geral, mergulhando em conhecimento bem estruturado através de vivências e reflexões das quais o autor nos convida a participar. Da ação de transitar pelo mundo para o entendimento de que trata-se de um ato político - essa ponte foi o que, semi-consciente, sempre me motivou a vagar por aí - e cuja expressão consciente essa obra tem o mérito de trazer à tona. Ilustro um pouco do raciocínio que, a meu ver, subjaz à construção do livro por meio desses trechos pinçados do posfácio: “O tipo de tirania contra o qual muitos dos povos aqui mencionados lutaram — Afeganistão, Líbia, Rússia, África do Sul, Camboja, Ruanda e muitos outros — agora ameaça partes do mundo nas quais isso parecia impensável. Suas histórias são prova de que resistência e coragem podem ser aprendidas, e assim deve ser. Se pretendemos sobreviver à autocracia que floresce no Ocidente, devemos estudar a história recente dos países castigados e ouvir as pessoas que dentro desses países defenderam a liberdade, apesar da perseguição implacável. Alexander von Humboldt, o grande naturalista do século XIX, disse: ‘Não há visão de mundo tão perigosa quanto a daqueles que não viram o mundo’. Cada vez mais, as reviravoltas políticas recentes vêm depositando o poder em mãos de pessoas que abertamente se abstêm de ver o mundo, incluindo aqueles que viajam sem ver”. “Mas o internacionalismo não é um projeto de caridade pensado para salvar hordas sujas no estrangeiro; é o reconhecimento pragmático de que o destino das nações tornou-se cada vez mais inexoravelmente entrelaçado e que a exclusão atinge os exclusores tanto quanto os excluídos. No mundo globalizado, nem a Grã-Bretanha é uma ilha, completa em si mesma.” “A identificação com um grupo, seja de esquerda ou de direita, não é desculpa para a falta de compaixão para com os que estão fora do grupo. Mas a solução não é o abandono da identidade; é ampliá-la e torná-la inclusiva, deixando que as pessoas definam as particularidades de seus relacionamentos. Enquanto as identidades individuais podem ser extremamente específicas, a autorrealização radicada na política identitária é praticamente universal. Todas as identidades se enriquecem com contatos externos ao grupo. O “Ulysses” de Tennyson diz: ‘Sou uma parte de tudo que conheci’. Tudo que ele conheceu era parte dele também; Tennyson sabia que cruzar fronteiras constitui uma língua. E está se tornando uma língua ameaçada de extinção.” “Continuar chocado [referindo-se à Era Trump] exige que você resista à dessensibilização provocada pela repetição. Tem a ver com a capacidade de permanecer alerta ao valor da conectividade, e não assumir o que Sebastian Haffner, em seu memorial de Hitler, chamou de ‘transe hipnótico em que seu público embarca, sucumbindo com resistência cada vez menor aos atrativos da depravação e ao êxtase do mal’. Escrevi nestas páginas a respeito de viagens que fiz para entender a depressão, mas na verdade viajar é o oposto de depressão. A depressão é um enroscar-se para dentro, e viajar é abrir-se para fora. Assistir a um mundo global é um meio de fazer um mundo global”. Amo o texto e visão de mundo de Solomon e me sinto privilegiada por ter chegado a essa narrativa, favoritada!

    12 curtidas

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    Avaliações

    4 / 68
    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas4%
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    Andrew Solomon

    Andrew Solomon é um escritor nova-iorquino que escreve sobre política, cultura e psiquiatria. Ele já escreveu para publicações como The New York Times, The New Yorker e Artforum. Tornou-se bastante conhecido após publicar <i>O Demônio do Meio-Dia</i>, uma obra sobre depressão - doença enfrentada pelo próprio autor. O livro tornou-se mundialmente reconhecido, vencendo o National Book Award de 2001 e se tornando o finalista do Pulitzer Prize de 2002. Atualmente, a obra já foi traduzida para mais de 24 idiomas. Solomon vive em Nova York/Londres e frequentemente ministra palestras sobre doença mental em universidades. Ele também é ativista e filantropo nas áreas de direitos de LGBT e saúde mental.

    8 Livros
    67 Seguidores
    New York, EUA

    Andrew Solomon