A maioria das séries de livros, quando possuem um grande começo, podem seguir por dois caminhos distintos: no primeiro caminho, o segundo livro da série não se mostra nem um pouco tão bom quanto o primeiro, o que leva a um desgosto total pelo autor, pela história e pela série; já no segundo caminho, o segundo livro se mostra incrível e tão bom quanto o primeiro, fazendo com que nós leitores tenhamos um interesse ainda maior pela série. As Vidas de Christopher Chant com certeza passou pelo último caminho.
Este segundo livro da série Os Mundos de Crestomanci, segue Vida Encantada tão bem quanto podia, com personagens marcantes, carismáticos e diferentes. Diana Wynne Jones faz cada vez mais com que eu me apaixone pelos seus livros, sendo difícil não ocorrer tal coisa. Quem já leu o livro entende o que eu digo, pois é difícil não se apaixonar com um livro tão mágico.
Em As Vidas de Christopher Chant, acompanhamos a vida do grande Crestomanci, que primeiramente foi apresentado em Vida Encantada. Porém, o livro se passa numa época anterior ao primeiro livro, numa época onde o Crestomanci era uma pequena criança indefesa e ainda não havia se tornado esse poderoso mago que iria ser no futuro. Se antes ele era o mestre, neste livro ele se torna o aluno. A autora vem mostrar que por trás de toda grande pessoa, por mais famosa e forte que seja, existe um passado infantil. Todas as pessoas, sejam pobres ou ricas, famosas ou desconhecidas, corajosas ou medrosas, foram criança algum dia. Quem diria que aquele estranho e poderoso Crestomanci, que usava espalhafatosos roupões em Vida Encantada, foi uma criança? Possivelmente ninguém. Mas é exatamente esse ponto que a autora aborda, um ponto que parece fasciná-la muito.
Um fato que me inquieta nos livros de Diana Wynne Jones é que a autora não se incomoda em falar a idade das pessoas. Para muitos pode ser uma coisa insignificante, mas para mim, que adoro detalhes ínfimos, é uma grande coisa. E a autora também não fornece grandes informações sobre a vida das pessoas. O que ela deveria saber é que são os detalhes que enriquem um livro, e eles são essenciais em qualquer obra. Mas mesmo assim, o livro é magistralmente narrado, e a Diana está desculpada :)
Muitas pessoas se mostraram insatisfeitas pelo fato de Os Mundos de Crestomanci não seguir uma ordem cronológica, e possuir um intervalo de tempo entre as histórias dos livros, o que os leva a ter também personagens diferentes. Mas quanto mais vamos lendo os livros da série, mais vamos percebendo que isso não implica nem um pouco com a narração e a história. Mesmo os personagens sendo diferentes, tudo é incrível como se seguisse uma ordem. Por isso, mesmo tendo uma história, personagens e narração diferente, que venham os outros livros da série!