Esse foi meu primeiro contato com a escrita da Luly trigo e foi uma experiência bem gostosinha, apesar de, durante a leitura, chegar a conclusão de que realmente não me encaixo no público alvo do livro ou no grupo de pessoas por quem ele será mais bem aproveitado. Isso, porém, não tirou o prazer de conhecer a história e por isso resolvi compartilhar minha opinião com vocês.
No mesmo estilo de escrita de Kiera Cass, em sua construção da trilogia A Seleção, temos aqui uma história leve, com uma protagonista jovem, triângulo amoroso, amigos inseparáveis e, a parte que diferencia a narrativa de todas as outras no estilo, um contexto político familiar. O reino é Galdino, mas se o Brasil vivesse uma monarquia, seria bem aqui que a trama se passaria.
Se você é adulto ou adolescente, espero eu, está inteirado com a situação complicada em que estamos metidos. Corrupção pra todo lado, desvio de dinheiro, novas leis trabalhistas, aumento de impostos… Pois bem, Luly Trigo pega tudo isso e coloca no colo de Zália pra resolver, já que vai ter que assumir o poder.
Tirando a parte ilusória onde tudo parece muito fácil, de forma geral, achei que a inserção desses elementos dentro de uma trama que deve conversar melhor com um público saindo do infantojuvenil e adentrando o young adult, tem muito a agregar, pois trará uma percepção “indolor” de algo que precisamos estar atentos e que, na maioria das vezes, não chega a ser assunto dentro da faixa etária, que cresce alheia aos problemas que os cercam, ou são levamos a acreditar nas mesmas crenças políticas de seus familiares, sem a oportunidade de descobrir pelo que realmente quer lutar.
Como eu falei, é uma ilusão achar que na vida real as coisas vão se revolver tão fácil, mas vale a mensagem de esperança que Zália propõe no livro, como alguém disposta a mudar, a consertar e a fazer melhor. Afinal, isso é o que gostaríamos de ter em nossos políticos.
Em paralelo com isso, temos essa jovem buscando a aprovação do pai, ainda rei, dos amigos que vão ajudá-la como podem e, claro, o triângulo amoroso que, para uma leitora calejada que nem eu, o problema estava estampado na primeira linha. Entretanto, como muitas vezes comento quanto vou ler um livro mais jovem, ao perceber que é essa a situação, eu visto a minha “capinha imaginária” de uma Tamirez de 15/16 anos, que estaria lendo a história em uma outra época.
Dada a minha experiência divertida com A Seleção, que fora o estilo de narrativa não compartilha mais muita coisa com a trama de Trigo (não tem uma seleção de garotas pra ver quem vai ser a princesa, ok? nem um príncipe bonitão, porém talvez tenha um guarda – ohhh), e o sucesso que a série fez por aqui, acho que a autora vai atingir um público interessante, desde que o direcionamento da história seja feito de forma correta, já que não acho que surpreenderá leitores mais adultos, pela simplicidade e clichês presentes na história.
A autora também dá uma arriscada nas questões de diversidade, mas é bem raso, assim como toda a questão da Resistência. Não há profundidade em nenhum âmbito da trama. Em contra partida, temos muitas personagens femininas que tem papel importante no livro, o que é sempre bom de se ver, principalmente em uma “monarquia”. E, vale dizer, que de “fantasia” o livro tem só o cenário inventado, porque não há nenhum elemento mágico ou realmente fantástico.
Mas, me surpreendi positivamente com a sutileza com que a autora inseriu as questões que marcam o nosso cenário, entre os problemas que Zália vai enfrentar. É de certa forma educativo e isso é sempre algo bacana, mesmo que disfarçado entre outras questões. Por isso, mesmo não tendo encontrado nada novo em relação ao arco ou grandes plot twists, tive uma experiência positiva e acho que é uma boa leitura para os jovens que ainda estão adentrando o mundo da literatura ou ainda não querem se aventurar em histórias mais complexas. Pra quem procura um livro ao estilo conto de fadas que tem algo a acrescentar fica aqui a opção nacional, nessa nova aventura da autora.