Úrsula -

    Maria Firmina dos Reis

    Principis
    2020
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9786555521351
    Português Brasileiro

    A narrativa se articula a partir de um triângulo amoroso formado por Adelaide, Tancredo e seu pai. Esse triângulo é desfeito com a derrota de Tancredo. Cria-se, então, um segundo triângulo formado por Tancredo, Úrsula e seu tio. Mas há, também, uma tríade, formada por três personagens negros, que vão aparecendo ao longo da narrativa, cuja importância vai tomando proporções cada vez maiores: Túlio, Mãe Susana e Antero que, juntamente com o jovem Tancredo, dão o tom diferente à narrativa. Esses personagens armam uma trama incrível nos tempos de um Brasil escravocrata.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo04/10/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A ficção que não se apaga

    O romance necessário. Creio que essa seja a melhor definição para quem pergunta por que se deve ler Maria Firmina dos Reis. Pelo menos foi assim que pensei quando terminei a última página do livro. Não é à toa que “Úrsula” tem hoje a posição que lhe foi negada em seu tempo. Maria Firmina, mulher, negra e educadora, não teve vez no mundo literário - e na sociedade - extremamente racista e machista em que viveu. Entrou no portal do esquecimento e de lá foi resgatada muitos anos depois por um bibliófilo e por pesquisadores que lhe devolveram o devido lugar histórico. Seu livro, é preciso lembrar, respira a plenos pulmões o romantismo em cada linha escrita. No entanto, não é no estilo ou na forma que reside sua força, pois ela está presente na inovação que trouxe consigo, aquela que ninguém queria saber: a de dar voz às minorias, aos marginalizados. A professora Maria Firmina possuía uma consciência plena dos objetivos que pretendia alcançar. Engana-se quem busca na leitura deste livro uma joia rara da prosa brasileira. E nem era essa a intenção. A história em si é bem quadradinha e às vezes tortuosa devido aos encontros entre a princesa prometida e o príncipe benevolente. O que salta aos olhos é a impressionante coragem da autora em ser abertamente abolicionista e entregar ao leitor escravos humanos, não escravos objetos, como gostavam (gostam) de ler os homens brancos com poder. Para não fugir do clichê, “Úrsula” foi, é e será um romance de resistência, ainda que artisticamente seja imperfeito, nada pode tirar a bravura de seu pioneirismo. Apesar da minha atenção ser desviada em alguns momentos pela quantidade de mesóclises que remetem ao nosso recente ex-presidente vampiresco, ou dos melosos encontros entre nossa personagem título e o mancebo Tancredo, casal condutor do romance, a leitura de “Úrsula” é extremamente satisfatória. Isso, é claro, pode ser potencializado pela edição que você escolher ler, como foi meu caso ao optar pelo e-book disponibilizado temporariamente pela Companhia das Letras, que trouxe uma quantidade de informações auxiliares importantes. Portanto, leia Maria Firmina dos Reis e faça mais do que isso: leia mulheres, leia mulheres negras.

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