Meus começos e meu fim -

    Nirlando Beirão

    Companhia das Letras
    2019
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788535932300
    Português Brasileiro

    Confrontado com uma grave doença degenerativa, o experiente jornalista registra seu processo de debilitação física e ao mesmo tempo revisita a história de um grande segredo familiar. Uma prosa corajosa e pungente, sem concessões, um testemunho de fidelidade ao humor e de amor à vida. Em julho de 2016, Nirlando Beirão foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). O ímpeto de registrar em prosa a rápida evolução da doença avivou no jornalista o antigo projeto de escrever a história do amor secreto de seus avós paternos. Nascido em Portugal, António Beirão formou-se padre no seminário de Viseu, onde teve como colega um xará de sobrenome Salazar. Beirão se mudou para o Brasil no início do século passado, e tornou-se pároco numa pacata cidade no interior de Minas Gerais. Encantado pela jovem Esméria de Miranda, o vigário trocou o amor divino pela paixão terrena. O casal fugiu de Oliveira, deixando para trás sua história, um segredo que pairaria como uma sombra sobre as futuras gerações. Em Meus começos e meu fim, o passado familiar se mescla aos duros desafios das vivências do momento. Como se falar de um amor proibido e corajoso pudesse impedir qualquer acesso de autocomiseração. Os textos de Nirlando Beirão sempre estiveram entre os melhores do jornalismo brasileiro. Neste livro, ele reúne histórias do passado para confrontá-las com as adversidades enfrentadas por alguém com uma doença que impõe debilidade muscular progressiva, com graves limitações físicas. O resultado é uma reflexão profunda sobre o significado e a fragilidade da existência humana. ― Drauzio Varella

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    Mariana Bricio12/07/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Infâncias

    Conheço Nirlando Beirão desde menina. Na infância, Nirlando era apenas um querido amigo de meus pais. Quando cresci e decidi estudar Jornalismo é que fui, realmente, conhecer mais o Nirlando. É daqueles maravilhosos jornalistas, que são talhados, na melancolia e nas montanhas azuis das Gerais. De escrita precisa e texto requintado, Nirlando faz parte da egrégora dos grandes jornalistas brasileiros. Infelizmente, espécie que parece em extinção. Ler seu livro, nos faz alternar entre os sabores portugueses e das alterosas. Memórias de infância, segredos guardados, maldições transgeracionais e um presente duro, sofrido da descrição do convívio com um corpo que não responde como antes. Quem relata seu processo de adoecimento e perda faz a expiação de demônios internos. Joga na cara de qualquer um o que nos limita e define. Nossa mortalidade.

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