Em O Ano da Graça temos a história de Tierney James, uma jovem de 16 anos que vive no Condado de Garner, onde todas as mulheres são consideradas "bruxas". Assim, quando as jovens da comunidade atingem a "maturidade" elas são obrigadas a sair de suas casas e passar o "ano da graça" em um lugar considerado sagrado, para purificar e expulsar a bruxaria e seus poderes lascivos de seus corpos, e aquelas que conseguem retornar são proibidas de contar o que aconteceu nesse período. Porém Tierney é diferente, ela é contra as regras de Garner e quer mudar essa situação, ela anseia por uma vida melhor, por um tempo em que as mulheres seriam tratadas de forma diferente.
Como uma narrativa requintada e ao mesmo tempo brutal a autora entrega uma história agridoce, distópica, pungente e raivosa, onde você se vê em uma sociedade misógina, patriarcal, opressora e desigual, onde os homens governam com punhos de ferro e as mulheres são tratadas como meras criaturas.
É uma leitura necessária, intensa, cruel e chocante e leva o leitor a refletir e pensar em quão próximo da realidade essa história está. Sinceramente espero que o filme seja tão bom quanto o livro.
P.S.: A trama contém violência, tortura, assassinato, abuso físico e psicológico.
"Eu achava que esta era a minha magia – o poder de ver o que os outros não viam, o que não queriam admitir nem para si próprios. Mas, para isso, é preciso apenas abrir os olhos."
"Seus sonhos... — ela diz, acariciando meu rosto cuidadosamente. — ...são o único lugar todo seu. Lá, ninguém pode te tocar. Agarre-se a isso pelo tempo que puder. Porque, logo, seus sonhos se tornarão pesadelos. — Ela se aproxima para me beijar na bochecha. — Não confie em ninguém — sussurra —, nem em você mesma."
"Mas mesmo neste lugar amaldiçoado, com raiva, medo e ressentimento borbulhando dentro de mim, ainda não me sinto mágica. Ainda não me sinto poderosa. Eu me sinto abandonada."
"Eu sei o que vi. Sei o que senti. Elas podem chamar de magia. Eu posso chamar de loucura. Mas uma coisa é certa. Não há graça alguma aqui."
"Só me sinto cansada. Cansada de nos odiarmos. Cansada de me sentir pequena. Cansada de ser usada. Cansada de homens decidirem nosso destino."
"É assim que eles nos destroem. Tiram tudo de nós, até nossa dignidade, para que qualquer coisa que nos devolvam pareça um presente."
"A magia é real. Talvez não da forma como acreditam, mas se estivermos dispostos a abrir os olhos, abrir o coração, poderemos ver que ela está ao nosso redor, dentro de nós, esperando para ser reconhecida."