Memórias de uma moça bem-comportada

Memórias de uma moça bem-comportada Simone de Beauvoir




Resenhas - Memórias de uma Moça Bem-Comportada


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Mariana 31/07/2013

Estava em um cartório com o livro de Simone de Beauvoir nas mãos,quando um homem desconhecido, que estava sendo atendido ao meu lado, perguntou o que eu estava lendo. Quando leu o título do livro, "Memórias de uma môça bem comportada" (a edição é antiga e ainda tem o acento em "moça"), comentou que era muito importante que as moças como eu fossem comportadas - o atendente do cartório completou - "existem poucas hoje em dia, parabéns!". O episódio serve para ilustrar o quando o conteúdo do livro é atual, ainda que sua história se passe no século passado.
O primeiro livro de memórias de Simone de Beauvoir compreende o período entre 1908 e 1929,com narrativas que se iniciam a partir seu nascimento até a conquista da sua agrégracion em filosofia na Sorbonne.
A autora, nascida em uma família católica e de valores burgueses, reflete sobre sua própria história, proporcionando aos leitores a compreensão sobre como uma forte educação moral e religiosa formava as mulheres de sua geração, além de recontar as experiências vividas, em alguns momentos dolorosas e muitas vezes acompanhadas de complexos dilemas morais, quando decide romper com uma série normas as quais estava submetida enquanto mulher.
Beauvoir descreve também sua inserção no campo intelectual, construída a através da interação com personagens como Jean-Paul Sarte, Merleau-Ponty e Lévi-Strauss. No entanto são marcantes as lembranças sobre sua amizade com Zazá, outra moça burguesa e inquieta que conheceu no curso católico Désir, que teve uma morte trágica, descrita de forma densa e carregada de sentidos simbólicos, revelando, mais uma vez, consequências da forte opressão de uma educação moral e religiosa que as mulheres de sua geração estavam submetidas.
Lara 12/08/2013minha estante
Excelente resenha, deu vontade de ler o livro. O evento do cartório mostra a necessidade de se estar atenta e perceber que, embora seja assustador, ainda vivemos numa sociedade extremamente machista, que exige de nós, mulheres, que sejamos "moças bem comportadas", moças contidas nas amarras de uma sociedade feita pelo e para os homens. Embora existam diversos avanços, ler Simone de Beauvoir abre os olhos e mostra que muita coisa ainda precisa evoluir no que se refere aos direitos das mulheres e aos papéis de gênero.


Isabella 09/01/2014minha estante
Me interessei bastante pelo livro mas ñ to achando nenhum link pra baixar...


Nessa 03/05/2018minha estante
O livro é muito bom. Contudo, tenho certas críticas sobre a tradução feita. Há certas sentenças traduzidas que não fazem sentido na forma como foram colocadas em português.
No mais, um livro inspirador, deu vontade de me aventurar mais no mundo intelectual das "moças bem comportadas"




carolyamate 01/09/2010

"life changing".
"Juntas [Simone e Zaza] havíamos lutado contra o destino abjeto que nos espreitava, e pensei durante muito tempo que pagara minha liberdade com a sua morte."

Particularmente não sei dizer se todas que concluíram esse livro sofreram da mesma angústia que eu. Sinto que a minha própria liberdade foi paga com a morte da adorável e instigante Zazá - ou uma visão mais assutadora ainda, que eu poderia ter um desfecho tão trágico quanto.

Lendo "A força da idade" notei que a Simone passou por diversas obras tentando contar a história de Zaza e a sua própria: como se libertou de todos os moldes que a cercavam, e encontrou para ela mesma seu próprio jeito de viver e ser feliz. No entanto, sem dar a história o brilho certo da realidade, não parece convicente. Posso dizer com total certeza (se é que a Simone se importaria :)...) que a compreendi completamente.
Mariana 30/07/2013minha estante
Nossa Carol, a morte de Zazá para mim também foi muito angustiante e trágica! Fico pensando na escolha de Simone em finalizar o livro com esse relato... muito simbólico para retratar o sofrimento das mulheres com uma educação moral extremamente opressora.




Bianca 03/01/2010

Romântico!
Neste livro, Simone foca sua infância e adolescência. Os relatos de sua convivência com Elizabeth Mabille, a eterna Zaza, são comoventes.
Dentre todas as obras autobiográficas da autora, esta se destaca. Extremamente poético e emocionante, Simone cria uma atmosfera romântica ao descrever seus primeiros passos como escritora.
Obra fundamental para quem quer conhecer melhor uma das feministas mais famosas da literatura.
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Cacá 07/09/2016

Memórias
Me identifiquei tanto com algumas passagens que é até dificil de falar. As memórias de Simone neste livro nos parece uma amiga que nos conta sua história. Me fez querer também escrever as minhas memórias, me fez refletir as coisas maravilhosas e os aprendizados que nossas memórias nos trazem. Encantador, forte e tocante, como foi Simone.
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Ruh Dias 13/07/2017

Já Li
"Memórias de uma Moça Bem Comportada" é um livro autobiográfico de Simone, dividido em três partes: infância, adolescência e vida adulta. O tom de crítica à sociedade burguesa e aos valores impostos às mulheres começa logo no título, pois a "moça bem comportada" é exatamente o que Simone não conseguiu ser.

Na primeira parte da autobiografia, o leitor se aproxima da infância de Simone, vinda de uma família rica e influente da França. Ela conta que, quando criança, era bastante temperamental e sensível, chorando e reclamando ao menor sinal de adversidade. Naquela época, no entanto, sua família se desdobrava em atender aos seus caprichos, coisa que parou de acontecer quando ela entrou na adolescência. Simone também descreve a proximidade de sua mãe e de sua irmã, mas a ausência de seu pai. Ela se esforçava em atender as expectativas de sua família.

"Eu me metamorfoseara definitivamente em menina bem-com-portada. No início, criara artificialmente a personagem: valera-me tantos elogios, de que tirei tão grandes satisfações, que acabei me identificando com ela: tornou-se minha única verdade." (Memórias de uma Moça Bem Comportada, de Simone de Beauvoir)

Simone estudou em uma escola católica exclusiva para meninas, que pregava que as meninas serviam para casar ou para ir a um convento. Não tardou para que Simone começasse a questionar estes valores e tal questionamento foi sufocado pela sua mãe, que acreditava nestes mesmos paradigmas. Assim, Simone voltou-se para Zsa Zsa, amiga de infância que a acompanhou no início da adolescência e, diz-se, foi seu primeiro amor. Na vida adulta, Simone teve diversas relações com mulheres, com o consentimento de seu então amante Jean-Paul Sartre.

Na segunda parte do livro, Simone começa a relatar diversos pensamentos e acontecimentos que a tornaram a filósofa feminista que hoje conhecemos. Tudo parece começar com o afastamento forçoso de Zsa Zsa, tanto pela sua família como pela escola, que consideraram Zsa Zsa - geniosa e de opiniões fortes - uma péssima influência ao caráter de Simone. Ela também começa a perceber uma série de falhas na sua família, falhas estas que ela não percebia quando criança, e que a fazem se afastar de sua mãe e irmã. Sozinha, Simone busca conforto no estudo e na leitura de livros "proibidos a moças comportadas" - sobretudo Filosofia.

"No presente e no futuro, eu me gabava assim de reinar sozinha sobre minha própria vida. Entretanto, a religião, a história, as mitologias sugeriam-me outro papel. Imaginava muitas vezes que era Maria Madalena e enxugava os pés de Cristo com meus cabelos compridos. A maior parte das heroínas reais ou lendárias — Santa Blandina, Joana D’Arc na fogueira, Grisélidis, Geneviève de Brabant — só alcançavam a glória e a felicidade, neste mundo ou no outro, através de provações dolorosas infligidas pelos homens." (Memórias de uma Moça Bem Comportada, de Simone de Beauvoir)

Na última parte, que relata o início de sua vida adulta, Simone justifica suas escolhas por estudar Línguas, Matemática e Filosofia. Ela opta, predominantemente, por campos de atuação que irão "ferir" os valores de sua família, por serem contrários aos paradigmas de "uma moça bem comportada". Estes ataques à família e à sociedade burguesa alternam-se em inconscientes e propositais.

"Se a burrice vencesse, não teríamos mais o direito de pensar, de zombar, de sentir desejos autênticos, prazeres verdadeiros. Era preciso combatê-la, ou renunciar a viver." (Memórias de uma Moça Bem Comportada, de Simone de Beauvoir)

Comparando este livro ao "Segundo Sexo", prefiro este último. A autobiografia de Simone não me foi tão interessante como eu imaginava que seria, tanto pela forma arrastada e parcial que ela conta os eventos, quanto pela falta de aprofundamento nas questões pessoais realmente relevantes de sua vida. Acredito que este livro seja uma leitura interessante para admiradores de Simone que já estejam familiarizados com suas idéias e suas outras obras mas, para quem acabou de conhecê-la e deseja saber mais sobre sua filosofia, não é um livro recomendado.

site: http://perplexidadesilencio.blogspot.com.br/2017/07/rory-gilmore-book-challenge-memorias-de.html
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Lacerda 12/02/2012

Incrível conhcer Simone criança, que com seus 3 anos já sabia manipular os adultos a sua volta e conseguir o que queria. Seus devaneios, indignações; sua revolta com deus e descrença. As amizades que a formaram e pessoas que ela formou. A Simone, moça simples, objetiva, discreta, imperativa,andrógina, mulher, amiga, filósofa, sonhadora. E a história de uma grande amizade que mudou Simone e influenciou seu trabalho.
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Marcel 16/11/2018

Cultura!!!
No cenário sócio politico atual, há a necessidade de nós homens, sermos feministas e nos juntamos para um mundo melhor.

Essa leitura me ensinou muito, praticamente pouca coisa mudou do passado jovem da autora para os dias de hoje, mas ela com certeza se sobressaiu e muito em uma época que a modalidade patriarcal ditava as regras do jogo.

Simone provavelmente, ajudou as mulheres se fortalecerem, bem como ajuda aos homens a desconstruirem o machismo enraizado em nossa sociedade.

Zaza e Sartre S2

Vale a leitura!
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Vanessa - @livrices 20/06/2019

Favorito da vida
Nesse livro, conhecemos o início da trajetória de Beauvoir, sua infância e adolescência, abrangendo suas relações familiares, sociais, escolares, amorosas e o começo de sua formação intelectual filosófica.
É incrível acompanhar os raciocínios traçados pela menina Simone e como cada um deles formou sua personalidade e desaguou em teorias riquíssimas até hoje por nós estudadas. Aqui estão as bases do pensamento filosófico de Beauvoir (com várias menções às obras em que se debruçava), e ao mesmo tempo o grande amor à literatura e sua ânsia em se transcender como escritora.

Já no início da vida, Beauvoir reconhecia sua situação como mulher (burguesa), manifestando, nas memórias, sua inconformidade com os privilégios masculinos de seus familiares e colegas e criticando as atitudes passivas das mulheres ao seu redor.
Além disso, é maravilhoso acompanhar suas amizades, principalmente com a melhor amiga Zaza, suas primeiras saídas noturnas escondida dos pais e, ao final, seus primeiros contatos, já intensos, com Sartre.

Me identifiquei muito e não queria que a leitura acabasse!

site: https://www.instagram.com/p/By8zVvqja1N/
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