O clube Dumas

O clube Dumas Arturo Pérez-Reverte




Resenhas - O Clube Dumas


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Egídio Pizarro 18/09/2012

Muito bem escrito, mas um pouco complicado demais. Para mim, o ápice do livro foi a genial descrição de uma brochada.
Mari Sabathela 09/07/2017minha estante
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Coruja 24/01/2012

A Tábata, do Happy Batatinha, que é membro do nosso Clube do Livro, sugeriu pelo final do ano passado que organizássemos entre os membros da trupe um booktour. O primeiro livro escolhido foi O Clube Dumas, de Arturo Pérez-Reverte, que já viajou de Santa Catarina para Ceará, para Pernambuco e para Bahia, com próxima parada em Minas Gerais.

Claro que depois de passar pela minha mão, ele foi com um peso extra, cheio de post-its. Mas como não poderia? O Clube Dumas é um prato cheio para qualquer bibliófilo - especialmente para alguém que gosta de folhetins, Dumas e... Umberto Eco XD

Sim, porque esse livro me parece uma grande, enorme homenagem ao Umberto Eco - e metade da graça de lê-lo talvez seja perdida para quem não conheça a obra do italiano.

Para começar, o clima dele me fez pensar constantemente em O Pêndulo de Foucault - teorias da conspiração; mentiras, livros e baboseiras (ao menos para os protagonistas) místicas são a receita dos dois e ambos terminam de forma parecida também: com uma interpretação errada.

Este é o cerne do livro. Toda a história de O Clube Dumas pode se resumir nas interpretações que Lucas Corso faz dos fatos que estão ocorrendo ao seu redor. Ele relaciona o manuscrito que supostamente seria de Os Três Mosqueteiros com todo o mistério por trás do Nove Portas. Ora, eu poderia escrever um mini-tratado sobre como suas conclusões etsão intimamente relacionadas às idéias de interpretação e superinterpretação do Eco.

Segundo Eco, todo texto tem três 'intenções': a do autor, a do leitor e a do próprio texto. O leitor pode ultrapassar os limites das intenções do autor sem grandes problemas - suas experiências pessoais é que vão ditar a forma como se relaciona com o livro e influenciar em sua interpretação final. Mas o leitor não pode ultrapassar as intenções do próprio texto. Ele pode ver uma placa de "não pise na grama" e atravessar o gramado rolando ou de joelhos - e estará dentro dos limites de interpretação do texto (mas muito além dos limites de interpretação interpostos pelo autor, no caso, o legislador). No entanto, não há como ler um artigo sobre economia como uma declaração de amor. A partir do momento em que o leitor ultrapassa as intenções do texto, ele está fazendo uma superinterpretação.

Deu para entender?

O que o Corso faz um superinterpretação dos fatos - ele relaciona o manuscrito de Dumas com o Nove Portas e assim entende duas histórias que correm paralelas como uma única história entrelaçada - quando tudo o que elas têm em comum é a sua própria presença nelas.

A forma como Pérez-Reverte utilizou esse conceito foi genial. Não gostei muito do estilo pesado dele, excessivamente adjetivesco, mas a inteligência, as roldanas, os mecanismos que ele utiliza para fazer funcionar a história fizeram com que eu perdoasse esse pecadillo, que, ao final das contas, é uma questão puramente de estilo.

Isso para não falar das inúmeras citações diretas - você tem uma biblioteca incendiada, a busca de um livro proibido, Guilherme de Baskerville, uma série de mortes nos rastros de um livro... quer dizer, OLÁ, O Nome da Rosa!

Na verdade, o próprio Eco aparece. Gente, eu quase caí da cama rindo quando vi isso!

Pág. 383 - "Olhe quem está chegando. Conhece-o, não é?... Professor de semiótica em Bolonha..."
Resumo da história... eu gostei. Algumas partes me deixaram um pouco com pé atrás - como as explicações mais sobrenaturais da coisa... - mas de uma forma geral, o livro se sustenta. E tem a homenagem a Eco, então não é como se eu pudesse reclamar.

Há também um filme do inspirado no livro, chamado Nove Portas, com o Johnny Depp fazendo o papel de Lucas Corso e que até tive uma vontade inicial de ver.... Mas aí li uma sinopse dele e acho que o Polanski - que é o diretor - não se dignou a ler o livro, porque numa sinopse de umas dez linhas eu achei umas duzentas contradições com o livro. A começar do fato de que o mistério da história é justamente a ligação do manuscrito de Dumas com o livro medieval que supostamente tem encantos e rituais para chamar o diabo.

Vou pensar no caso... se chegar a assistir o filme, dou notícias por aqui.

(resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)
FlavioCE 30/06/2016minha estante
Olá, o filme chegou no Brasil como A Nona Porta ou O Último Portal.


Daniel Roberto 02/09/2018minha estante
Aliás, O Último Portal é um baita filme!




Ana 04/05/2010

'O Clube Dumas' é um livro complicado. A premissa, a princípio simples e direta, esconde idéias, personagens e sugestões que se entrelaçam e aumentam, gradativamente, o nível de complexidade e mistério que envolve a missão do personagem principal, Lucas Corso, um perspicaz “detetive de livros”. Logo no início acontece o suicídio de Enrique Taillefer e a venda de um manuscrito chamado 'Lê Vin D’Anjou' (o vinho de Anjou), capítulo 42 de 'Os Três Mosqueteiros' (Dumas, 1844) a Flávio La Ponte, vendedor de livros raros e amigo do personagem principal. O capítulo é assim confiado à Corso, que aceita a tarefa de pesquisar sua autenticidade. No entanto, o misterioso/fantástico entra na história a partir do momento em que outro livro, chamado 'As Nove Portas para o Reino das Sombras' (De Umbrarum Regni Novem Portis), é apresentando por Varo Borja, um riquísimo colecionador de obras sobre o oculto. A história que cerca o livro é das mais bizarras; Aristide de Torchia , seu autor, foi queimado por publicá-lo, em 1666, baseando-se num manual de como invocar as trevas, chamado 'Delomelanicon', que, teoricamente, teria sido escrito pelo próprio Lúcifer. Corso, então, é contratado para comparar o livro com as outras duas cópias sobreviventes localizadas em Paris, numa fundação pública, e em Sintra, numa coleção particular.

A partir do momento em que Lucas Corso começa sua aventura pelos cantos empoeirados dos colecionadores de livros raros, as duas obras, que inicialmente não sustentam relação nenhuma, revelam-se problemas muito maiores do que o esperado. Personagens saídos diretos das páginas de Alexandre Dumas, assassinatos, traições, perseguições, lembranças e fantasmas passam a povoar o enredo principal, isso sem falar na misteriosa garota que se apresenta como Irene Adler (aquela mesmo de 'Um Escândalo na Boêmia'), e sugere sua natureza sobre-humana várias vezes. Tanto o leitor quanto o personagem são soltos dentro de um jogo louco de referências e levados a aceitar alguns acontecimentos como inexplicáveis, até chegar ao ponto onde ambos questionam a sanidade do personagem principal. Corso não está só na busca de informações sobre as obras que carrega como bagagem; à medida que vai se envolvendo na trama, seu passado se faz cada vez mais presente e ele é obrigado a lidar com suas escolhas.Entendemos, depois, que há sim um jogo em evolução, um jogo de interpretações perigosas, comandado pelo autor; Arturo Pérez-Reverte, bibliófilo dos mais diligentes, brincando de Alexandre Dumas e dispondo de seus personagens como num romance de cavalaria. E é aí que conseguimos ter a idéia clara de que, na verdade, 'O Clube Dumas' funciona como uma colagem de fórmulas e estilos já conhecidos e referências a autores consagrados, amarrados pela corda da imaginação fértil do autor.

O narrador, revelado desde o início, é Boris Balkan, empresário e acadêmico, especialista em Dumas, conhecido e consultado várias vezes pelo personagem principal. Dividido em dezesseis capítulos, o livro traz citações no início dos mesmos (de Stendhal à A. Christie), que revelam um pouquinho do tom do que está por vir, e, ao mesmo tempo, servem como estímulo ao leitor. São mostradas também as estranhíssimas nove gravuras de 'As Nove Portas', bem como mencionados muitos livros fictícios de ocultismo (tão convincentes que vc chega a pesquisar na Wikipédia); tudo para dar um ar duplamente sombrio à obra.

O livro serviu de inspiração pro filme 'O Último Portal' (The Ninth Gate, 1999), do diretor Roman Polanski, com Jhonny Depp no papel de Dean Corso (sim, ele mudou o nome), Frank Langella como Boris Balkan e Emmanuelle Seigner como ‘The Girl’. Trilha sonora impactante, fotorafia super escura e lugares macabros no interior da França dão um toque surreal especial, como uma cereja em cima do bolo. A película, no entanto, se concentra totalmente no livro 'As Nove Portas' (que no filme vira ‘Os Nove Portais’), deixando de lado toda a parte sobre Alexandre Dumas; o que, na minha opinião, foi uma escolha 100% feliz.
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Luciana Fátima 01/09/2009

Para quem adora livros...
Este livro trata da história de dois outros livros. O primeiro, o manuscrito de um capítulo de Os Três Mosqueteiros, escrito pelo próprio Dumas e por um de seus ajudantes, que até tentou – inutilmente – provar que criava as histórias do famoso escritor. O segundo, o Livro das Nove Portas do Reino das Sombras, uma espécie de manual para invocar o diabo, que levou seu impressor – Aristide Torchia – à fogueira, por volta do século XVII, e que ficou perdido durante muito tempo.

Qual a relação entre os dois volumes? Aparentemente nenhuma, a não ser por um especialista em livros que tenta investigar a autenticidade de ambos os escritos. Lucas Corso “era um mercenário da bibliofilia, um caçador de livros por conta de outros. Isso inclui os dedos sujos e o verbo fácil, bons reflexos, paciência e muita sorte. Também uma memória prodigiosa, capaz de recordar em que canto poeirento de um sebo dorme aquele exemplar pelo qual pagam uma fortuna. Sua clientela era seleta e reduzida [...]; aristocratas do incunábulo, para os quais pergaminho em lugar de velino, ou três centímetros a mais da margem da página, supõem milhares de dólares. Chacais de Gutenberg, piranhas das feiras de antigüidades, sanguessugas de leilões, são capazes de vender a mãe por uma edição príncipe.”

Ocorre que durante a investigação, muita coisa estranha começa a acontecer. Pessoas inocentes são assassinadas, e até uma (segundo ela) enviada do diabo cruza o caminho de Corso, para seduzi-lo e protegê-lo.

Tudo fica ainda mais complicado quando todos começam a agir como se estivessem interpretando papéis do romance Os Três Mosqueteiros.

Esta perigosa aventura, de tão exóticas personagens, leva o leitor para o mundo dos livros raros e das loucuras que os bibliófilos podem cometer na busca de um incunábulo ou de um livro proibido.
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