A Moradora de Wildfell Hall

A Moradora de Wildfell Hall Anne Brontë




Resenhas - A moradora de Wildfell Hall


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Claire Scorzi 03/02/2009

Resposta a O Morro dos Ventos Uivantes?
Dizem que esse romance é uma resposta de Anne ao livro de sua irmã Emily, O Morro dos Ventos Uivantes. Ou "o que teria acontecido a Cathy se ela se casasse com Heathcliff". Se assim é, trata-se de uma predição assustadora.
O romance é tão gótico quanto os de suas irmãs (Charlotte com "Jane Eyre"), feito de atmosfera e uma capacidade espantosa de segurar o leitor à página em se tratando de um livro antigo. Intenso, sombrio, de um feminismo prático porém não ostensivo, servindo ainda como um protesto às leis inglesas de sua época (começo do século XIX).
Goldenlion85 18/12/2009minha estante
Então vou le-lo gostei de O Morro dos Ventos Uivantes, mas vou seguir sua dicas,

e está na minha lista vou le-los.


Ricardo Rocha 25/02/2015minha estante
até onde eu li - "Há momentos quando, com uma pontada momentânea ? um rompante de intenso terror, eu me pergunto, ?Helen, o que você fez?? Mas repreendo o ìntimo inquisidor e repilo os intrometidos pensamentos que se acumulam sobre mim; pois, fosse ele dez vezes mais sensual e impenetrável aos bons e altivos pensamentos, eu bem sei que não teria motivos para reclamar. E não reclamo, não reclamarei. Eu o amo e ainda o amarei; e não me arrependo, nem me arrependerei, de ter juntado meu destino ao dele." se vivesse essa menina escreveria um blog rebelde - mas nem tanto... (talvez pelos empecilhos da época)


Apolo 03/03/2015minha estante
Acabei de adquirir esse livro, com Jane Eyre e O Morro dos Ventos Uivantes, pretendo lê-los no mês das mulheres (março)
A moradora de Wildfell Hall será o ultimo, qual você recomenda primeiro das irmãs Bronte? Jane Eyre ou O Morro... da Emily? Quase comprei Villete da Charlotte, mas estava caro pra caramba...
já estou prolixo, pararei por aqui kkkk :D


Tíci David 04/04/2015minha estante
Muito interessante essa visão de "resposta" ao Morro dos Ventos Uivantes


camila 11/04/2015minha estante
Acabei de ler mas nao foi preciso chegar até o final pra discordar; nao acho que a descricao do Senhor Huntington seja semelhante a de Heathcliff nem por um momento, na verdade ele foi inspirado do no irmao da Anne, Branwell que inspirou a Emily para fazer o Hindley, que eu acho mais verssimil a comparacao.


Nany 07/08/2017minha estante
Claire, eu já acho que, se fosse responder a algum livro, seria aos da Jane Austen, não enxergo Cathy tão inocente e apaixonada quanto Helen foi, Cathy é perniciosa como Heathcliff. Eu vejo que a vida de Fanny Price com o Henry Crawford seria dessa maneira, até mesmo ares Jane Fairfax com Frank Churchill e porque não dizer a propria Marianne Dashwood com o John Willoughby. Não consigo encontrar as palavras, mas ambos se enquadram no perfil do Sr. Huntington.
Cathy e Heathcliff, ambos se provocam e são conscientes de tudo. Não me parece que ela seria levada "ao erro" tão facilmente.
O romance em si, de todos que li até o momento, é mais rebelde e sensato, porem ainda com seu lado delicado e esperançoso. Recomendo muito!!!




Sandra de Oliveira 20/04/2012

Anne Brontë tem uma escrita bastante diferenciada de suas duas irmãs. Enquanto Emily é sombria e obscura, Charlotte mais romântica e passional, Anne nos mostra através de sua Helen, uma mulher submissa, recatada ao extremo, religiosa, mas que, no momento em que viu sua vida esvair num casamento de ilusões e máscaras, decidiu mudar os rumos de sua história.

Tudo isso é perfeitamente normal nos dias de hoje, e não constituiria em surpresa, não fosse o fato de estarmos situados nos anos 1820, que exigiam da mulher silêncio, recato, compostura, submissão em prol da chamada felicidade através de casamentos arranjados, que visavam antes de mais nada situação financeira em detrimento do amor.

É certo que Helen confrontou essa regra e casou-se com Arthur Huntingdon por amar um personagem, e não o homem que ele realmente era.

O romance tem uma estrutura muito interessante, da qual gostei muito, ao dividir-se em três partes: a primeira narrando a história através de cartas; a segunda através do diário de Helen; e por fim, a terceira retorna às cartas.

Isso deixou a leitura mais ágil, o que foi um presente, pois a narrativa transcorre de forma bem lenta se compararmos à outros livros, portanto essa divisão trouxe um pouco mais de dinamismo ao livro.

Após ter lidos romances das três irmãs Brontë, ainda prefiro Charlotte e Emily, mas sem desmerecer de forma alguma o talento de Anne para confrontar as dúvidas, temores e a realidade de submissão das mulheres numa sociedade machista e moralista, que prega virtudes e as defende, muitas vezes sem praticá-las. Uma ótima leitura a ser apreciada, especialmente aos fãs dos romances de época.
Cris Flessak 23/04/2012minha estante
Oi amiga! Concordo com cada palavra que tu mencionaste na tua resenha e tive exatamente a mesma impressão do livro!

A obra é realmente um clássico vitoriano, que nos transpõe a um período completamente diferente de tudo que hoje em dia vivenciamos.

Uma época que como tu mencionou, retrata a completa submissão e aceitação por parte da mulher; um casamento ruim significava praticamente uma sentença de prisão, pois a mera menção de divórcio representava a desgraça completa.

Quanto a narrativa, também concordo que ela foi bem dividida entre cartas e diário, mas achei algumas partes um pouco cansativa - dava muitas voltas no mesmo assunto.

Apesar de minha preferência ter permanecido por Charlotte e seu maravilhoso "Jane Eyre" (insuperável!) a obra prima de Anne Brontë merece muitos elogios e talvez tenha uma profundidade maior que a das irmãs, pois retrata pura e simplesmente a realidade da época, sem mascará-la com romantismo.

E claro, foi um prazer compartilharmos a leitura novamente! :)




Daniela Tiemi 01/04/2009

Um caminho sem volta
Anne Brontë (1820 - 1849), a caçula da família, escreveu "A moradora de Wildfell Hall" pouco antes de sua morte por tuberculose em 1848 (também o ano de sua publicação), sobre o pseudônimo de Acton Bell. Em uma época que escrever era inopropriado para uma mulher, Anne e suas irmãs escreveram verdadeiros clássicos da literatura inglesa.
Após recusar alguns pretendes, Helen - uma mulher de grande senso moral e religioso - decide se casar com aquele que se sua tia, por quem foi criada, se opõe. Depois de casada com Arthur Huntingdon, aos poucos Helen enxerga o erro cometido por sua cega paixão. Arthur é um egoísta pois só visa o próprio prazer e o prazer momentâneo sem se preocupar com as consequências de seus atos. Uma pessoa que não possui o mínimo de empatia para com os outros, sejam eles familiares ou "amigos". Nunca assume seus erros, ao contrário, culpa sua esposa por toda sua bebedeira e infidelidade.
Helen entra em desespero ao ver o marido ensinar ao filho toda essa sua má conduta e resolve fugir.
Este livro foi considerado um dos primeiros exemplares feminista. Realmente uma mulher naquela época não podia errar na hora de escolher o marido, pois só havia duas alternativas, fugir e ser assim difamada pela sociedade da época, ou esperar pela morte do marido para reconstruir sua vida. Era um caminho sem volta.
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Talita 29/01/2018

A Senhora de Wildfell Hall
Uma mulher se apaixona por um homem bonito, radiante e impulsivo. Parece uma linda história de amor, mas em pouco tempo tudo vira um pesadelo. A impulsividade do homem vira escárnio: ele não se importa com nada e ninguém, bebe, trai a esposa e só sabe tratá-la com desdém em seus modos egoístas. Isso é o tema de um livro na era vitoriana, em 1848. Ousado, não? Parece que cada irmã Brontë tinha um papel na literatura e, se Anne Brontë tivesse conseguido viver um pouco mais, teria ocupado já em vida o papel de transgressora da família.

Como uma jovem que nunca viveu um romance e que viveu tão pouco tempo consegue contar uma história com desdobramentos tão reais? Dizem que ela queria dar uma resposta a O morro dos ventos uivantes, romance da irmã mais velha; além disso, havia inspirações na história da família: o irmão era alcoólatra e morreu em consequência disso, ainda jovem, depois de gastar boa parte do dinheiro da família. Deixando as especulações de lado, Anne Bronte conseguiu escrever um texto feminista numa época em que a palavra mal engatinhava.

A senhora de Wildfell Hall começa com as cartas de um homem (Gilbert) que se surpreende com a chegada de uma nova moradora na vizinhança. Ela é Helen, uma viúva que se mudou para o casarão com o filho. Helen é estranha para o padrão dos moradores da região. Ela é arredia e não faz questão de ser sociável com a vizinhança. Gilbert, em um primeiro momento, também se sente como os outros e censura Helen, mas com o passar do tempo ele se vê cada vez mais atraído pela estranha moradora de Wildfell Hall. Em poucas semanas a amizade deles engata e o homem não entende por que Helen é tão prudente em querer casar de novo.

O livro pode ser dividido em três momentos: as cartas de Gilbert narrando como conheceu Helen; o diário de Helen, com a protagonista narrando os eventos principais; e a volta de Gilbert para finalizar a história. Helen precisa explicar por que não pode se envolver romanticamente mais uma vez e entrega o diário em que conta toda sua história antes de chegar a Wildfell Hall: ela se apaixonou perdidamente por um jovem alegre, mas inconsequente. Uma tia a alertou, mas Helen achava charmoso o jeito imprudente de viver de Arthur. Eles se casam e vivem uma boa vida até os sinais de que Arthur ainda pretende levar sua rotina desregrada mesmo casado. Por vários meses ele viaja para Londres e continua sua vida de solteiro, deixando Helen sozinha com o filho recém-nascido. Helen se agarra na religião para tentar melhorar o comportamento do marido, mas a situação só piora. Ela vê que seu filho cresce e tenta imitar as atitudes do pai, então uma decisão é tomada. Uma decisão que não é a que se espera de nenhuma mulher daquela classe social, naquele lugar, naquele tempo.

Anne Brontë propõe uma reflexão feita por não muitas mulheres célebres de sua época: qual é o papel da mulher na sociedade? Até que ponto a submissão feminina vai ser aceitável? Essas questões não foram bem aceitas, lá atrás, nem mesmo pela família da autora. Charlotte Brontë foi a irmã que ficou responsável pelas obras de Emily e Anne Brontë depois de suas mortes precoces, e não demorou para tirar de circulação A senhora de Wildfell Hall, proibindo sua reedição enquanto viveu. A coragem de Anne Brontë em denunciar a servidão feminina e a dependência financeira na era vitoriana é motivo suficiente para a mais jovem das irmãs Brontë ser lida com entusiasmo nos dias de hoje. O romance ganhou duas edições brasileiras quase simultaneamente, o que prova que seus temas não são anacrônicos nem foram esgotados com o passar dos anos.

site: https://ninguemdeixababydelado.wordpress.com/2018/01/29/a-senhora-de-wildfell-hall-de-anne-bronte/
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Luciane 11/07/2017

Romances britânicos sempre tiveram um lugar especial em minha estante. Apesar de bastante dramáticos, os ingleses sabem contar uma boa história de amor. Por isso, estava muito ansiosa pela leitura de A Senhora De Wildfell Hall, de Anne Brontë, a caçula das irmãs literárias - juntamente com Charlotte e Emily.

É importante lembrar que, assim como suas irmãs, Anne viveu pouco. Enquanto Charlotte conseguiu gozar de quase quatro décadas, Anne e Emily mal alcançaram os 30 anos. Isso nos faz refletir sobre a importância das três irmãs na literatura britânica, pois, mesmo com poucas obras no repertório, cada uma conseguiu desenvolver sua magnum opus, deixando um legado de boas referências para qualquer leitor.

A Senhora De Wildfell Hall é o segundo romance de Anne, publicado na metade do século XIX. Na época, o romance foi considerado ousado, já que os homens foram retratados da forma mais real possível, mostrando suas fraquezas e idiotices perante uma sociedade que engrandecia o homem e subestimava a mulher (não muito diferente dos dias atuais).

Entre os personagens principais, temos Helen Graham, Arthur Hutingdon e Gilbert Markham. Antes que você imagine que isso se trata de um triângulo amoroso, eu precisarei acabar com seus pensamentos. Aqui, temos uma narrativa em forma de cartas e/ou sempre em primeira pessoa, mostrando o ponto de vista de cada um.

Helen é uma mulher que, assim como muitas, ainda acredita em príncipes encantados. Ao se casar com Arthur, descobre que o marido não é nada daquilo que imaginava. Após sofrer uma traição, se vê obrigada a fugir com o filho e viver escondida de tudo e todos, mostrando que o fato de ser uma mulher casada não a impedia de lutar pelos seus direitos e de correr atrás da felicidade.

No caminho, conhece Gilbert e finalmente descobre o que é o amor. O que eles não sabiam é que teriam que enfrentar uma sociedade opressora e preconceituosa. Por muitas vezes, cheguei a me colocar no lugar de Helen e, mesmo achando algumas atitudes infantis, percebo que a personagem ainda é um símbolo da mulher do século XXI, que se vê obrigada a perdoar, chorar escondido, negar afeto e muitas outras coisas que nos fazem, diariamente, desistir do amor.

Mesmo sem nenhuma inspiração para opinar de forma inteligente sobre a obra, devo confessar que A Senhora de Wildfell Hall é um romance de tirar o fôlego. E se você espera um final feliz para a história de Helen Graham, vai ter que pagar para ver. Garanto que vai valer a pena! ;)
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Carla Valle 25/03/2010

Tal como sua irmã Emily, Anne Brontë tem personagens masculinos com capacidade de revirar o estômago, Arthur Hunthingdon e tão perverso quanto Heathcliff. Gostei do livro, passa uma mensagem interessante, o final é meio chatinho, explicadinho... mas gostei.
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Jossi 07/02/2015

Grande e bonito...
Adoro Emily Brontë e o Morro dos Ventos Uivantes é um dos maiores e melhores romances que li, em toda minha vida. E não foram poucos os romances que li! Fica à frente até de ícones da literatura romântica, como 'O Doutor Jivago' (Boris Pasternak) e 'Orgulho e Preconceito', de Jane Austen. Mas estou começando agora com "A moradora de Wildfell Hall" e acho um pouco exagerado quando dizem, na introdução, que é "o primeiro romance feminista" da literatura inglesa... Primeiro, porque a palavra 'feminismo' como é entendida hoje, passa muitíssimo longe das reivindicações femininas da época. Segundo, porque o intento de Anne, ao escrever seu romance, foi o desejo legítimo e correto de afirmar a posição da mulher, não como as 'militantes feministas' de hoje, apenas como mulher, como ser humano. E no fundo desse cenário de intrigas, afetos e desafetos, o livro é mais do que tudo, um belíssimo romance de época. Um retrato fiel de uma sociedade que, boa ou má, ainda hoje nos surpreende e encanta. Assim como havia preconceito e descaso, também havia amor, paixões intensas e um exacerbado desejo de ser feliz e ser aceito, tanto por homens, quanto por mulheres.
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Raquel Lima 15/03/2010

Um ensaio feminista do início do Séc. XIX
O que me foi contado é que este livro é uma resposta, ou sua versão, do livro O Morro dos Ventos Uivantes, escrito por sua irmã. Mas confesso não concordo com ela. Não acredito que o amor de Heaticliff ( é assim que escreve ? )seria como o amor de Artur. Apesar de achar que ele também teria um amor egoista, de veneração, sem respeito ao outro, somente querendo-a como um instrumento de sua satisfação...não sei se ele seria capaz de trai-la. Acredito que seu amor seria único, se a fizesse sofrer, seria por não deixa-la nem um minuto, a sufocaria.



A sua versão com a Helen, é surpreendente, quando vemos sua não aceitação da vida e do amor que ele a impôe. Sua fuga, sua vontade de viver uma outra vida, ganhando seu próprio sustento é com certeza uma visão feminista e independente para a época. No entanto, o seu retorno ao lar, para cuidar do marido moribundo, perdoando ou enfrentando seu "designo" de cuidar dele até a morte, como uma missão divina demonstra o quanto suas atitudes a confrontavam com a vida que era "natural" para as mulheres, é um retorno para um padrão cultural que ela não consegue fugir sempre. Mas ela se dar o Amor de Gilbert! Como se após o pecado, existisse, enfim, uma salvação. Fica um pouco cansativo em algumas partes...mas em momento nenhum conseguimos deixar de querer ver o final da história e sempre na torcida pela Helen e Gilbert, esperando que o final não seja trágico como o outro livro.
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Bruno Marukesu 29/11/2017

[RESENHA] A SENHORA DE WILDFELL HALL
A SENHORA DE WILDFELL HALL nos apresenta uma personagem que ao primeiro contato é reservada e demonstra não dar a minha para os seus novos vizinhos.
O nosso protagonista é o jovem Gilbert Markham, mas fica claro logo nos primeiros capítulos que quem rouba a cena, e o coração de nosso jovem fazendeiro, é a misteriosa Helen Graham que na surdina se instala na mansão Wildfell Hall que para muitos era um lugar abandonado e um tanto misterioso. Dona de uma personagem forte e que não se deixa intimidar pela opinião alheia ela demonstrar querer somente viver para cuidar do seu pequeno filho chamado Arthur.
Minha agonia no decorrer da leitura foi tentar desvendar as cicatrizes da Helen e o porquê de ser tão reservada e zelosa com o aventureiro Arthur chegando a me assustar a sua proteção demasiada, a mulher não deixa o filho se afastar muito dos seus olhos, tem que estar sempre a uma distancia segura e brincando com objetos que não tragam risco
Mas eis que a medida que o romance começa a brotar delicadamente entre Gilbert e Helen somos agraciados com a história em detalhes da nossa viúva através do seu diário que é compartilhado para o amado ver e conhecer de fato a mulher por quem nutre sentimentos.
No início do enredo não me vi muito envolvido pois temos um jovem que vive num ambiente cercado de pessoas frívolas. Logo, não se tem ingredientes que despertem aquela vontade de se manter na história, mas quando chega Helen e nos apresenta a muitos custo sua vida é impossível não devorar as páginas e torcer para que o diário com o relato da protagonista nunca acabe.
Com uma postura corajosa, conhecemos uma jovem que se rebelou contra um sistema familiar tradicionalista e fugiu para salvar o filho da perversidade paterna. A história da Srª. Graham mexe com corações emotivos e só posso exaltar a força de vontade dessa mulher que faz de tudo para manter em segurança aqueles a quem ama.
A SENHORA DE HILDFELL HALL é um livro para ler com calma, é preciso saborear cada página e respirar todo o enredo profundamente. Posso afirmar que no final você irá colher bons frutos dessa jornada de 504 páginas. É uma linda história de amor tentando vencer os obstáculos de um tempo onde adultério era proibido e o amor devia ser encarcerado em nome da religiosidade e família.
A autora consegue tratar com maestria assuntos que em sua época não eram comentados. Mesmo se escondendo através de um pseudônimo Anne Brontë reuniu forças para apresentar a realidade das mulheres de seu tempo que não podiam escolher os seus maridos, que eram prendidas em casamentos infelizmente pelo resto da vida e que divórcio era algo inconcebível seja socialmente como religiosamente.
Com impecável construção de personagem e histórico pessoal, a autora soube dosar e apresentar ainda por cima a história de personagem secundários que trazem prazer e ódio tornando o enredo rico em todas as escalas da ficção.
Claro que tenho algumas ressalvas (traduzindo: desprazer) em certas atitudes dos personagens, mas que numa reflexão profunda é compreensível. Afinal, eles refletem uma sociedade de outro século onde o livre arbítrio não existia e o julgamento familiar era um peso colossal em cima da vida de alguém.
Com uma capa muito bela, a obra possui páginas amareladas, fonte das letras em tamanho relativamente pequeno e capítulos medianos. A narrativa é em primeira pessoa alternando orca com o Gilbert ora com a Helen.
É uma ótima leitura para aqueles que buscam clássicos que enfrentaram o seu tempo, que buscaram trazer reflexão sobre assuntos tradicionalistas que moldavam o mundo em que foram criados e que tiveram sua parcela de ajuda na concepção de nossa sociedade atual.

site: http://www.refugioliterario.com.br/2017/11/resenha-senhora-de-wildfell-hall.html
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Nataly.Almeida 01/04/2018

Triste retrato de violência doméstica...
Seria bom se fosse adstrito à sua época - mas a devoção religiosa de Helen, os vícios e agressões de seu primeiro marido, a opressão social do seu meio de convivência; estão todos ainda presentes em muitos relacionamentos contemporâneos e, por isso, sinto certa dificuldade de me afastar emocionalmente dessa obra com os olhos históricos que eu deveria. Me causou profunda dor a narração do relacionamento primeiro de Helen, e não sei se conseguiria reler tudo sem pular muitas partes que doem muito perto do meu coração, como mulher.
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Emanuelle Najjar 01/12/2012

Uma resposta?
Ler algo escrito por Anne Brontë é algo que eu queria há muito tempo. Ainda preciso ler "A Preceptora", mas quis as entidades editoriais que eu começasse por seu último livro, editado e publicado no ano de sua morte, visto que "A preceptora" só é encontrado em sebos atualmente. Mas, apesar de eu querer muito, ler esse livro foi uma missão impossível.

Eu li o livro, mas sofri com a tradução que me obrigava a voltar passagens inteiras para entender do que se tratava. Sofri com a diagramação do livro, com letras miúdas e pouco espaçamento que certamente devem me obrigar a usar óculos mais cedo. Continuei porque era Anne Brontë e uma história que eu queria mesmo ler.

O primeiro livro feminista vitoriano e um livro que é tido como a resposta para sua irmã Emily caso seus protagonistas de "O morro dos ventos uivantes" tivessem se casado. Bom, eu não consegui interpretar o livro dessa forma de resposta ao livro da irmã. Não consegui enxergar Heatcliff em Arthur. Desse modo preferi me concentrar nos demais itens fundamentais: personagens e suas narrativas, no formato de cartas e de diário. E devo dizer que gostei bastante do que li.

Por vezes a Hellen me irritou com tanta obstinação, mas isso era superado rapidamente a medida que seus motivos vinham a tona. Da mesma forma sua narrativa (embora muito atrapalhada pela tradução) foi levando sua história de uma forma muito interessante e até leve. Gostei bastante do livro. Uma pena que ela não tenha tido o mesmo reconhecimento de suas irmãs, mas talvez ainda esteja em tempo para lhe fazer jus.
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Dani | @aliteratar 21/05/2019

Experiência muito boa.
Esse foi um livro um tanto complexo e profundo enquanto eu estava a ler. Somos introduzidos em um universo da Era Vitoriana, em plena Inglaterra, sob o ponto de vista da mulher inglesa. Anne Brontë nos conta a história de Helen na juventude, quando se apaixona perdidamente por Arthur Huntingdon ‒ um cavalheiro da alta sociedade ‒, mas que não possui um bom histórico em relacionamentos amorosos (sejamos mais claros: era um típico libertino).

Como se não bastasse, Arthur também tinha seus “vícios masculinos”, como bebidas, mulheres e jogos. Ao contrário do que se pensava, esses atributos imorais não o tornava menos atraente e requisitado ao meio social e feminino: Arthur conseguia mexer com qualquer mulher. Após seus interesses ser claros em conquistar Helen, a mesma começa a enxergar um futuro feliz e familiar ao lado do escolhido. Uma vez que seus sentimentos e atitudes demonstravam que Helen deseja um enlace com Arthur, sua família e amigas mais próximas, se objetavam fortemente contra esse relacionamento impróprio.

A partir daqui, não poderei mais prolongar com a história, pois poderia ser considerado um spoiler (e não quero estragar a experiência de ninguém). Mas posso afirmar que os segredos por trás de Helen e até Arthur vai muito mais além do que possamos imaginar! Vamos descobrindo as consequências de uma escolha não pensada e o que isso acarretou na vida e futuro de Helen. Em decorrência disso, hoje, nossa protagonista vive afastada da sociedade, escondendo-se em suas mágoas e mistérios. Todavia após ter uma vida no anonimato e sem conhecidos, Helen conhece uma pessoa que pode mudar totalmente sua concepção sobre o amor, ensinando-a que nem sempre o sofrimento é encontrado em um relacionamento. Entretanto o que aconteceu entre Helen e Arthur no passado? Por que atualmente ela se esconde de quem foi e quais foram os seus motivos para isso? E quem será essa pessoa que despertará um sentimento novo e único em nossa protagonista?



:: Foi um livro com uma leitura fluída, interessante e inesperada. Embora eu tenha gostado da obra, senti uma falta de profundidade no final que talvez poderia ter sido melhorada. Mas nada que estraga em todo a história. Vocês já leram ou conhecem pelo menos “A Moradora de Wildfell Hall“?
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Nay Moura 01/08/2017

[RESENHA]: A Senhora de Wildfell Hall, Anne Brontë
Se me pedissem para resumir esse livro em uma frase, seria: O Relato de um Relacionamento Abusivo na era Vitoriana. Embora na época que foi escrito o conceito não fosse conhecido dessa forma.

Anne Brontë desafia as convenções sociais do século XIX, com uma protagonista que toma decisões e trilha caminhos que quebram paradigmas de seu tempo. E apesar de ter princípios religiosos muito severos, a personalidade dela se mostra um pouco a parte do ideal da mulher da Era Vitoriana.

Há uma visível crítica da autora sobre essa diferença entre os gêneros, levantando a discussão de como as mulheres eram tratadas, em especial quando inserida no contexto doméstico. Não existia divórcio e quem ousasse abandonar o marido era rechaçada pela sociedade, ainda que sofresse maus tratos e vivendo em total infelicidade. (O verbo no passado pode facilmente ser trocado pelo do presente, pois essas questões ainda são bem atuais, infelizmente). Mas preciso dizer que, pra mim, todos os personagens são odiosos. Da Sra. Granham ao mesmo tempo que senti empatia pelo abuso que sofria, ela me fez revirar os olhos com toda essa religiosidade exagerada e isso me distanciou dela. O sr. Gilbert, algumas é até cativante mas parece uma criança mimada sempre que contrariado, e o Sr. Huntingdon é um escroque. O único que salvo é Sr.Lawrence, por se mostrar o mais sensato, mas também não morri de amores.

Porém, como a própria Anne disse: "Meu propósito ao escrever as páginas seguintes não foi para divertir o leitor; tampouco satisfazer meu próprio gosto ou ganhar as boas graças da imprensa ou do público: meu desejo era relatar a verdade, pois a verdade  sempre comunica sua própria moral para quem é capaz de absorvê-la". Ou seja, o que ela pretende é expor a essência dos seus personagens e as consequências das atitudes e julgamentos. Aconteceu o mesmo quando li Madame Bovary, por exemplo, odiei todos os personagens, mas amei e respeito tudo que a obra aborda.

Indico para os amantes de Literatura Inglesa, e pra quem quer ler algo atemporal e refletir sobre os mais diversos assuntos ligados a condição feminina, essa é uma boa opção.
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Luh Monteiro 07/05/2019

Força e coragem descreve esse livro.
Anne é a mais nova das irmãs Brontë, e sinceramente gostei mais da escrita dela do que de Emily (eu tentei gostar do Morro dos ventos Uivantes, mas não deu 🤷‍♀️).
Anne nos traz a Sra Graham uma jovem viúva que vira dona da própria vida ao se mudar a Windfell Hall, gerando especulações e comentários dos vizinhos, e despertando interesse do jovem Gilbert Markham, criando uma amizade com a moça e seu filho. Mas seu temperamento arredio faz com que o jovem tenha dúvidas sobre a conduta da moça. Ao permitir que ele leia seu diário, o jovem passa a entender os fantasmas e tormentos enfrentados pela mulher.

💬O livro é contado em primeira parte pelas cartas de Gilbert, mostrando uma viúva discreta, séria e uma mãe protetora. A segunda parte é contada pelo diário de Helen, mostrando uma jovem apaixonada que se casa, porém seus sonhos são destruídos por um marido alcoólatra, de conduta abominável (Sim, muitas vezes xinguei-o em pensamentos, na vdd nem sempre em pensamento, meu marido que o diga 🙈), e humilhando-a a cada dia. E a última parte voltamos com as cartas de Gilbert contanto o desfecho da história.
Mais uma irmã Brontë nos traz personagens femininas fortes, onde na sociedade em que viviam ou a mulher aguentava o sofrimento e aguardava a viuves ou ela fugia, nesse caso tbm era sofrimento. Outra questão abordada é a religião e sua consciência quanto a seus deveres perante as leis de Deus, e novamente a força feminina e donas de si, o empodeiramento femino pode ser pouco comparado a hoje, mas para o século XIX já era um grande avanço.
Jane Eyre ainda continua sendo o meu favorito, mas com certeza Anne entrou para a lista das minhas escritoras clássicas favoritas. E quem ama literatura inglesa não pode fica sem le-lo. 😘

site: https://www.instagram.com/p/BxKsKi4gdsu/
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Chris Oliveira 20/07/2017

Uma viagem no tempo.
A senhora de Wildfell Hall é um romance epistolar escrito por Anne Brontë sob o pseudônimo de Acton Bell, publicado em 1848. O romance recebeu duras críticas por conta da descrição de suas personagens femininas, sempre mulheres com opiniões fortes e atitudes muito progressistas para a época. É considerado o primeiro romance feminista.

“Meu propósito ao escrever as páginas seguintes não foi apenas divertir o leitor; tampouco satisfazer meu próprio gosto ou ganhar as boas graças da imprensa ou do público: meu desejo era relatar a verdade, pois a verdade sempre comunica sua própria moral para quem é capaz de absorvê-la. Mas, como esse tesouro precioso com frequência se esconde no fundo de um poço, é preciso coragem para mergulhar em busca dele, principalmente porque é provável que quem o fizer vá despertar mais desdém e desaprovação pela lama e água onde ousou se misturar do que gratidão pela joia que obteve; pe possível comparar isso com a situação de uma mulher que se prontifica a limpar os aposentos de um homem solteiro e descuidado, ouvindo mais reclamações pela poeira que levantou do que elogios pela limpeza que fez.”.
Houve bastante especulação, na época, sobre a autoria do romance, ao que respondeu Anne:

“Irei interpretar essa dedução como um elogio à boa delineação de meus personagens femininos; e, embora não possa deixar de atribuir boa parte da severidade de meus censores a essa suspeita, não farei esforços para refutá-la, pois, para mim, se o livro é bom, o sexo de seu autor não é significativo.”
Mas vamos à história.

Gilbert Markham é um jovem apaixonado que escreve cartas ao amigo Halford, contando a história de Helen Graham, uma mulher misteriosa que se muda para a mansão abandonada Wildfell Hall com seu filho Arthur e sua criada Rachel, vivendo reclusa e despertando curiosidade na vizinhança por conta de suas fortes opiniões e todo mistério que a cerca. Todos acreditam que Helen é uma viúva solitária, mas sua forte amizade com Lawrence causa um falatório na comunidade, que a julga vulgar para os padrões da época. Gilbert insiste em cortejar a jovem, que se esquiva de suas intenções e resolve lhe contar sua história, entregando-lhe seu diário que contém relatos sobre o relacionamento abusivo que sofreu por seu marido, o odiável Arthur Huntingdon .

Desta forma, temos duas vozes no romance: a de Gilbert, que escreve cartas a Halford confessando seus sentimentos e contando a história de Helen sob seu ponto de vista, e a voz de Helen por meio de seu diário que começou a ser escrito cinco anos antes.

Gostei muito da forma como as personagens femininas são retratadas, mas confesso que não consegui sentir empatia por Helen. Não estou dizendo que ela mereceu os abusos que sofreu, longe disto, mas a personagem é irritantemente enfadonha, uma fanática religiosa rabugenta que não causa grande empatia no leitor. Gilbert, por sua vez, é inocente e muito bondoso, mas seu orgulho e covardia chegam a irritar. Contudo, são dois personagens perfeitamente verossímeis, e aí está a perspicácia da autora, em trazer um retrato tão fiel da sociedade da época que se comunica facilmente com nossos dias atuais.

O que mais mexeu comigo, sem dúvida, foi o relato minucioso sobre a personalidade de Arthur Huntingdon, um narcisista perverso que, após conquistar o coração de Helen e levá-la ao altar, passa a maltratá-la, desprezá-la e torturá-la com seus vícios e sua crueldade, levando-a à depressão e ao desespero, ao ponto de fugir com seu filho para protegê-lo dos abusos do pai. É, sem dúvida, uma figura detestável que merecia um destino muito pior ao que Anne lhe deu.

A história é muito interessante sob o ponto de vista dos relatos sobre a vida cotidiana, das relações íntimas e familiares, o que nos prende facilmente, mas aconselho a não ler com pressa porque é riquíssima em detalhes e merece um verdadeiro mergulho e toda a atenção do leitor.

Pegue um chá, sente-se confortavelmente e aprecia a vista. Boa viagem!

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