Os donos do poder - volume 2

Os donos do poder - volume 2 Raymundo Faoro




Resenhas - Os donos do poder - volume 2


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Rafael.Said 01/11/2017

Desde sempre, nada mudou na política brasileira
"Sobre a sociedade, acima das classes, o aparelhamento político - uma camada social, comunitária embora nem sempre articulada - impera, rege e governa, em nome próprio, num círculo impermeável de comando. Esta camada, que não representa a nação, quando forçada pela lei do tempo, renova-se e substitui velhos por moços, inaptos por aptos, num processo que cunha e nobilita os recém-vindos, imprimindo-lhes os seus valores" (p. 737).

O Brasil herdou de Portugal seu sistema político estamental, algo que pode ser comparado ao sistema de castas indiano, e não mais conseguiu se desvencilhar desse passado.

O livro mostra como se formou o patronato político brasileiro, que apesar das trocas de sistema governamental e de nomes que ocuparam os cargos máximos do país, a política sempre foi voltada à manutenção dos interesses próprios dos políticos.

Apesar do livro ter sido escrito em 1956, percebe-se que a situação política continua a mesma até os dias atuais. Mesmo novos grupos, alguns que até mesmo não se julgam políticos, quando analisados profundamente, tem como fundamento a imposição e manutenção de interesses próprios.

Alguns ocupantes dos governos chegaram até a distribuir migalhas ao povo, porém o coração do sistema jamais fora alvo de qualquer mudança relevante. Tais migalhas, como mostra Faoro, são apenas algumas das várias ferramentas que se usa para manter o povo sobre controle.

O poder político sempre esteve nas mãos de uma elite que se julga intelectual, conhecedora dos problemas do país e único grupo com conhecimento/competência suficiente para realizar as "mudanças necessárias".

Enfim, mudam-se os nome mas não muda-se o sistema. Como já diz o batido ditado: "o povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la".

Para quem não tem tempo de ler todo esse colosso, o último capítulo da obra faz um bom resumo do assunto do livro, embora seja mais interessante ler todo o livro para compreender, com profundidade e documentação, a formação de nosso patronato político.
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Marcos Faria 05/04/2012

Quatro anos de serviço público, e eu só comecei a entender de fato o que faço depois de ler “Os donos do poder” (Folha, 2000). Raymundo Faoro foi buscar na Idade Média, praticamente na fundação do reino português, a origem do Estado patrimonialista e do estamento burocrático. Lá estava o João das Regras (esse nome é uma piada pronta) a encontrar o argumento jurídico para o país ser propriedade do rei e fundar uma casta de rábulas. A associação entre os dois surfa tranquilamente sobre as ondas das mudanças econômicas. Depois de 600, 700 anos de variações sobre o mesmo tema, reformas cosméticas para manter tudo como está, e uma fraude permanente no abismo que separa o país legal do país real, chega a dar um certo desespero. É como uma versão sociológica de “1984″: se você quer ver um retrato do passado, imagine uma máquina de manutenção do poder — para sempre.

Texto publicado também no Almanaque: http://almanaque.wordpress.com/2012/04/05/meninos-eu-li-21/
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